quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
5 anos ontem
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Parabéns, mãe!
Uma coisa em que sou mesmo parecida com a minha mãe, e nunca tinha reparado: a relação com o dia dos anos.
Não adorando fazer anos, é para ser um dia especial e não ser tratado como outro dia qualquer - é para ir passear, almoçar fora, comer o que apetece num sitio bonito, com os mais chegados.
Grandes festas e jantaradas, e uma multidão a cantar os parabéns é muito giro, mas para os outros.
Parabéns querida mãe!
31 do 7 é sempre dia de festa (à nossa maneira).
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
4 anos (já?)
É profundamente desconcertante esta relação que temos com o tempo, em que uma coisa parece que foi ontem e simultaneamente há uma eternidade.
Se me perguntarem ainda tenho tudo tão fresco na memória, ainda sinto aqueles dias à flor da pele; por outro lado se penso nisso tanta coisa já aconteceu nestes 4 anos, tanta coisa que ela já não viu.
Coisas pequenas e sem importância, outras que foram pontos de viragem (e que eu nem acredito que não as posso partilhar com ela...).
Mudámos a decoração da sala, eu deixei de dar aulas e comecei a trabalhar em mais três ou quatro sítios diferentes onde passo agora a maioria dos dias, começamos a passar férias em Aljezur, as minhas irmãs arranjaram cães, o meu pai foi internado já algumas vezes (coisa que ela nunca assistiu!). Os netos estão crescidos, já há três na universidade, mais dois que estão quase lá, cada um a encontrar o seu caminho, os mais novos também a crescer a cada dia, já todos na escola. Até há uma neta nova, e para mim é quase impossível pensar que não estiveram cá as duas ao mesmo tempo (mas acredito que se cruzaram com certeza noutro mundo).
4 anos não é nada, mas é muito.
Ainda me sinto a aprender a viver outra vez. Alguma vez aprenderei?
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
segunda-feira, 31 de julho de 2017
70 anos hoje
De almoçar fora na Adraga ou no restaurante do javali, de passear por Sintra, comer uma queijada.
De tirar uma fotografia os 5 em frente ao loureiro que havia em frente à porta da sala.
De ter os tios lá em casa à noite a beber café.
Não que adorasse fazer anos, não que gostasse de ser o centro das atenções, mas era sempre um dia diferente e especial.
Continua a ser diferente e especial, isso é certo.
Lembro-me dos 40, dos 50 e dos 60. Não pensei nunca que aos 70 o festejo fosse outro.
Parabéns, mãe!
sábado, 28 de janeiro de 2017
2 anos hoje - a despedida
E foi.
A minha mãe morreu no dia 28, mas para mim a verdadeira despedida ocorreu alguns dias antes, nem sei dizer quando exactamente.
Fui ter a casa dos meus pais ao fim do dia, como sempre fazia (em dias alternados com a minha irmã -numa agenda organizada com dias de antecedência, deixando os fins-de-semana para a outra irmã que vive no Alentejo).
Nesse dia o jantar estava feito, e não havia mais nada que fosse preciso fazer.
Deitei-me ao seu lado e conversámos um bocadinho sobre como tinha corrido o meu dia. Dei-lhe a mão e com custo puxou-a para si para dar um beijinho. Ali ficámos e acabamos por dormitar. De vez em quando ela abria os olhos e dizia "hummm, que bom! Que bom estares aqui!".
E foi tão bom mesmo, um último momento de colo e mimo de mãe.
Não sei dizer exactamente em que dia foi, sei que no último dia não me despedi porque estava a dormir, e no dia seguinte esteve sempre inconsciente até que finalmente partiu.
"O que se come e o que se bebe, é o que levamos desta vida" costumava ela dizer. Só que não. O que se leva, e o que fica para quem cá fica, são momentos como estes.
2 anos.
Um vazio sem fundo.
Uma falta de colo que por muito que se tente, não se substitui.
2 anos de saudades que não passam. Não passam mesmo.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Não é o grande irmão que olha para nós...
... Mas sim os nossos filhos.
Mesmo quando achamos que não.
A conversa no outro dia de manhã antes da escola foi sobre um anel que uso diariamente, aliás nunca o tiro, e que era da minha mãe (que também nunca o tirou desde que o recebeu).
Ela perguntou porque é que eu o usava e se era porque me lembrava a minha mãe.
Respondi que sim.
Comentário do mais velho:
"oh mãe, eu sei como é que foi. Depois da Teté morrer tu e as tuas irmãs espalharam tudo em cima da cama. Depois uma dizia que queria ficar com uma coisa e as outras diziam que sim. E quando não sabiam, tiravam à sorte. Foi assim, não foi, mãe?"
E foi. Foi mesmo assim.
Obviamente sem bulhas, sem discordâncias, tudo pacífico entre as três e com apontamentos de humor até, como não podia deixar de ser.
E o que mais me surpreendeu é que eu diria que eles não tinham visto nada, porque estivemos sempre à porta fechada.
Mas viram, e o mais importante, retiveram aquilo que viram, e nunca mais se esqueceram.
Que se lembrem sempre, e que sigam o exemplo quando for a sua vez de dividir as coisas.
Estão sempre a olhar para nós, nunca nos esqueçamos disso.
domingo, 31 de julho de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Ano e meio hoje
E as saudades são tantas tantas tantas.
Foi noutra vida e foi ontem ao mesmo tempo.
Parece mentira às vezes e noutras é tão real que nos corta por dentro.
E o que mais me surpreendeu nestes meses é que a vida não pára, a vida continua dia após dia, ninguém pára, nem pode parar.
Mas o vazio permanece.
E às vezes até parece que fica maior.
18 meses a tentar estar à altura da sua expectativa e a seguir em frente, apesar de tudo.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
A vida continua
Mas de repente dou de caras com uma fotografia que não vejo há muito, ou recordo um episódio engraçado, ou uma reportagem qualquer sobre pessoas a fazer tratamento do cancro, e páro e penso: Aconteceu mesmo? É mesmo verdade que passamos todos por aquilo tudo?
Era mesmo este o fim que lhe estava destinado?
Ou foi só um pesadelo?
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
365 de saudades (agora mais)
Queixava-se de muita coisa, mas nos momentos mais difíceis tinha uma capacidade de resistência incrível, sem queixumes. Deixou-me fazê-la rir até às lágrimas na sala de quimioterapia. Foi uma leoa, uma lutadora exemplar, e deu-nos a todos a maior lição de vida.
Gostava de nós acima de tudo, e chegou a dizer-me que valia a pena viver só para estar connosco (mesmo quando viver implicava estar amarrada à cama e sujeita a tratamentos muito dolorosos).
Escolheu a dedo o momento de se ir embora, aproveitando os únicos 2 minutos que a deixámos sozinha para sair de cena discretamente, como aliás viveu toda a sua vida.
E durante este ano temos tentado adaptar-nos à sua ausência, e tentado viver à sua imagem e habituar a esta sua presença que já não é física mas que é tão ela em tanta coisa.
365 dias de saudades, agora mais.
E continua a contar.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Diz que o primeiro é o pior...
Pudesse eu e enfiava-me na cama e só saía depois de Janeiro acabado.
Mas não posso, nem quero, que tenho a obrigação de tornar este e os próximos Natais o mais mágico possível para as minhas crias.
Mas é tudo tão estranho, tão triste, tão diferente.
Difícil mesmo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Saudade
Tem de haver outra palavra para definir o que se sente depois da morte de uma mãe.
Para definir este vazio imenso, este buraco negro gigante, esta falta.
Esta amputação, caraças.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
6 meses hoje
Um ponto de chegada na vida dela, um ponto de viragem na vida de todos nós.
6 meses é muito tempo. 6 meses foi noutra vida.
6 meses é pouco para conseguir de facto perceber a grandeza e a importância do que se passou.
E a mim ainda me custa tanto acreditar que de facto aconteceu.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Há lá coisa mais difícil...
Ver a minha filha a chorar a morte da minha mãe é para lá de doloroso.
6 meses depois parece que lhe caiu a ficha. E só tem medo que toda a gente morra.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Mesmo sem querer pensar no assunto sinto uma náusea tão grande ao passar ali.
E olho para trás e quase que nos vejo naquele parque de estacionamento, já nem sei precisar quando.
Uma vez em que ela quase nem conseguia andar e vomitou umas três vezes entre o carro e a porta da entrada. Outra vez em que já não conseguia mesmo andar e ficámos as duas no carro à espera que o meu pai trouxesse a cadeira de rodas. Aquela primeira vez em que ela saiu fresca e fofa da primeira sessão de quimioterapia.
Esfrego os olhos e volto a olhar para trás. É claro que já não estamos ali.
É claro que ela não está ali.
Não está porque a minha mãe já não tem cancro.
(não tem mesmo. Eu sei porque a vi quando ela nos deixou)