quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Agosto atípico

 Marcado por uma grande inquietação.

Sei que tenho de dar uma volta à minha vida profissional.

Só não sei qual.

Sei que as visitas guiadas vão voltar, que os grupos de turistas vão regressar e que as escolas voltarão a ir aos museus e palácios.

Só não sei quando.

Até lá, estou um bocado sem saber o que fazer.

Resistir é adaptar - isso eu sei.

Só não sei como.

Até lá está tudo em cima da mesa, e um grande ponto de interrogação em cima da minha cabeça.


(raios para isto, pá)


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Pedido de desculpas à Mary de 1988

 (apesar de em 1988 ninguém ainda me chamar assim, mas pronto)


Este ano mais uma vez traí a Mary da infância, e talvez um pouco mais este ano, pois foi de livre vontade.

Ao contrário do que prometi a mim mesma ao longo da infância, este ano voltei a comprar livros de exercícios para os miúdos fazerem nas férias.

Sou uma seca, eu sei. E uma traidora, também sei.

Mas há traumas que se vão perpetuar, e este é, claramente, um deles.

Já tinha comprado (e obrigado a fazer) em outros anos, mas sempre aconselhada pelos professores - mas este ano, no meio de toda esta confusão, achei mesmo melhor por os miúdos a fazer qualquer coisa de produtivo nas férias, para não descarrilarem de vez...

O mês de Julho passou sem que lhe tocassem - estiveram em casa dos tios, e depois estiveram cá os primos, e estavam na ressaca da escola (eles e eu).

Agora em Agosto, depois da semana na ilha, impus aqui o ritmo de fazerem três fichas cada um logo de manhã (evitando assim os malfadados ecrans, que pouco a pouco se tornaram um vício tão grande!).

Detestam. Refilam. Fazem todo um drama. Fazem tudo à pressa, e mal, e eu obrigo a voltar a fazer (pelo menos oralmente).

Comprovam a minha teoria de que andam à nora, e de que se esqueceram de tudo o que foi ensinado no 3º período.

Sei bem a tortura que era fazer TPC nas férias, juro que ainda não me esqueci. E também sei que a minha mãe ignorava se eu fazia ou não, e sei que passava o início das aulas sem intervalos a fazer a porcaria das fichas. Mas também sei que os meus verões eram passados a brincar na rua e a ler, e não agarrada a vídeos do youtube a ao fortnite. Quando muito via o Agora Escolha, mas o resto era praia, brincar no jardim, ler, fazer desenhos, escrever histórias imaginárias.

Mais do que aprender ou praticar, é mesmo só para lhes por o pé na terra, e lembrar que 30 ou 40 minutos por dia não são nada, e podem fazer a diferença, nem que seja para treinarem a mão a escrever.

As minhas sinceras desculpas a ti, Mary de 1988, sei que estás profundamente desiludida.

Afinal és uma mãe chata.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Sinais dos tempos - trabalhar com máscara

 Temi o pior, já que as idas ao supermercado e pouco mais em que já tinha usado máscara se mostraram difíceis de suportar.

Tinha estado no máximo umas duas horas de seguida com máscara.  Agora foi um dia inteiro, tanto dentro como fora, com temperaturas a rondar os 30 graus e em longas caminhadas pela cidade.

Infelizmente, as máscaras descartáveis acabam por ser as mais confortáveis de usar em períodos mais longos - e dentro destas, há marcas mais confortáveis que outras, que não magoam atrás das orelhas.

O mais difícil para mim - muito mais que a temperatura e a constante transpiração na zona do bigode - foi mesmo ter de me adaptar a estar com miúdos que só me vêem metade da cara.

Então na rua, em que estou de óculos escuros, é igual a estar de costas - nem ouvem, nem vêem coisa nenhuma. Deixamos de poder falar para o grupo, tinhamos de nos aproximar qb, tirar os óculos e falar olhos nos olhos para que nos dessem atenção.

Metade da nossa expressão facial fica tapada.

Ironia, não percebem. Piadas, não percebem. Falamos a sério e eles riem, brincamos e eles levam a mal.

Houve mesmo um momento que tivemos de parar tudo, afastar a uma distância segura, tirar a máscara e explicar com calma o que estava a acontecer, pois os mal entendidos eram mais que muitos - por causa da máscara eles não estavam a perceber a entoação da nossa conversa, e o exercício não estava a resultar por causa disso.

Foi um desafio.

No último dia, para acabar em beleza, num momento de relax em que (à distância) tirei a máscara para poder inspirar, um miúdo de 6 anos virou-se para mim e disse:

"Pareces mais velha sem a máscara. Com a máscara pareces nova, depois tiras e ficas mais velha."

Haverá maior motivação para manter a máscara todo o tempo?

(vamos lá ver quanto tempo vai durar este novo hábito...)

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Livro 19/53

 O Manuscrito

O Manuscrito, de John Grisham


Antes de mais esclarecer que este era um dos autores preferidos do meu pai nos últimos tempos.

É advogado, e escreve muitos livros passados em tribunais e coisas que tais - a maioria deles com títulos como O Manuscrito, O Manupulador, O Testamento, A Vingança, levando a que às vezes uma pessoa se confunda com o que já leu, e levando o meu pai a comprar títulos repetidos. Resultado, tinha uma coleção deles gigante, e eu acabei por ficar com um, só por curiosidade (o sobrinho que estuda Direito ficou com a maioria).

Achei uma boa leitura para as férias, para entreter, mas a história deixa muito a desejar.

Pena que de facto, já não possa perguntar ao meu pai de que gostava tanto neste autor.

É um mistério, um crime de assalto à biblioteca de uma universidade, em que são roubados uns manuscritos valiosos. Há depois um suspeito, que é dono de uma livaria, e uma escritora que é metida ao barulho para ajudar a resolver o mistério. A meio do livro achei que seria interessante uma reviravolta (daquelas em que quem pensamos que é o bom, afinal é o mau), mas a reviravolta não acontece, e a história acaba por se desenrolar assim, sem surpresas. Morna.

Dei 3 estrelas, não é um mau livro, lê-se bem, mas não é nada de especial.

(foi uma desilusão, confesso)

Nosso querido mês de Agosto

 Que já vai quase a meio.


A semana de trabalho acabou bem, a formação também, e na véspera de ir de férias ainda houve encontro na praia com a família para festejar os anos da nossa mãe.

Acho muito importante continuar a festejar o dia de anos de quem nos é querido, e fico contente por ter um sobrinho a fazer anos no meu dia, pois pelo menos uma parte da família irá continuar a fazer do dia 31 de Maio um dia de festa (e quero acreditar que ele se há-de lembrar de mim nesse dia, quando já for velhinho, vai dizer aos netos que tinha uma tia que também fazia anos neste dia eh eh - a ver se me lembro de combinar isto com ele, não vá passar ao lado).

Foi um ano de luto cada um para seu lado, e cada oportunidade de estarmos juntos, é uma benção.

No dia 1 rumámos a sul, para a nossa ilha maravilha, que esteve à altura da nossa expectativa.

São férias tão importantes, em que sentimos mesmo que estamos a criar memórias boas na criançada.

Água azul turquesa transparente e quente, marés vazias com km de areal e ilhas formadas em alto mar, apanha de conquilhas, grelhados de peixe ou carne ao jantar. Sestas bem dormidas à sombra do guarda sol e muitas aventuras entretanto, desde uma bóia gigante perdida e resgatada, a um cão perdido, à venda de colares e conchas, às canções que inventaram e cantaram (e ainda fizeram um dinheirão!).

Foi bom demais.

Agora, de regresso a casa, as aventuras (deles) continuam em casa dos avós e da tia.

Os adultos voltaram ao trabalho (ele), e eu a um projeto que no fundo é o único trabalho que tenho em vista para Setembro.

Muitas dúvidas, muita ansiedade, muitas interrogações sobre o que o futuro nos reserva, o que vai ser de nós profissionais do turismo a recibo verde nos próximos tempos.

Até lá, a ideia de apostar na minha formação tem ganho forma, agora resta saber o quê concretamente, e em que formato.

Haja energia e motivação, e dinheiro para pagar as contas!

Feliz Agosto, caros leitores!