sexta-feira, 16 de abril de 2021

Ainda o trabalho

 Desculpem a monotonia do tema, mas de facto tem sido aquilo que me preenche a cabeça (e ainda bem, só não preenche é a conta bancária, mas isso já se sabe, adiante...).

Os projetos sucedem-se, e que bom e gratificante que é - não só porque são giros e interessantes, mas também por saber que confiam em mim e no meu trabalho para os desenvolver - mas isto de estar em casa, caramba, já eu o dizia há mais de 10 anos, é difícil.

Onde é que fica a linha?

Na altura tinha horário fixo, ou seja, à hora marcada estava ligada ao telefone e computador e melhor ou pior aquelas eram as horas de trabalho.
Agora estou aqui a gerir o meu tempo, e fica difícil saber onde se separa o trabalho da casa e a casa do trabalho, tanto no tempo como no espaço.

Sei que este ano, mais do que sempre, vocês compreendem perfeitamente a que me refiro.

Isto tudo para dizer, que não consigo ver um raio de sol sem ir fazer uma máquina da roupa, independentemente das aulas por preparar ou catálogos por ler.
Estúpida! (eu sei!)

Sinto-me mais uma vez o hamster na rodinha, a tentar correr sem sair do lugar.

(mas vou ter de encontrar aqui uma saída, puf!)

terça-feira, 13 de abril de 2021

Trabalho em 2021

Ou esta coisa gira e glamourosa de "abraçar novos projetos" trocada por miúdos - ou ainda esta necessidade que uma pessoa que trabalhava em cultura e turismo tem de se reinventar e fazer o que estiver à mão.

Basicamente é trabalhar 8 horas, mas receber apenas por 3.

É mesmo isso.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Regresso ao Museu

 No outro confinamento fiz questão de ir a um museu no dia em que abriram - na altura fez-me muita confusão ter os museus fechados  e quis mesmo celebrar a sua reabertura. Fui com os miúdos que não me deixaram falar sobre nenhuma peça (oh vida...) e no fim passeamos no jardim.

Entretanto lá estiveram os museus fechados outra vez, mas a minha disponibilidade agora é bem diferente, pelo que não pude repetir o programa.
No sábado tive uma visita por parte dos comissários a uma exposição à qual vou fazer visitas (assim haja público!) e foi assim que celebrei a reabertura dos museus e que bem que me soube este reencontro!
(no entanto a essa hora o museu estava fechado, pelo que não sei se contou...). 

Pormenores à parte, os museus são dos meus espaços favoritos, e o seu encerramento é sempre um momento muito triste - até porque tenho a certeza que não são locais de contágio (sem multidões e sem podermos mexer em nada, mas adiante) - mas poder regressar é motivo de festejo.

Em breve, uma visita com os miúdos (que vão refilar e chatear o tempo todo), para um regresso em pleno.

terça-feira, 6 de abril de 2021

10 anos

 10 anos, caramba, 10!
Duas mãos cheias, dois dígitos da nossa miúda gira, que há 10 anos veio fazer do trio quarteto, e encher a vida de cor de rosa.
É uma fixe, uma miúda querida de quem todos querem ser amigos. Não discrimina, é incapaz de fazer mal a alguém, e é principalmente a criança mais empática que eu conheço: está sempre atenta ao que os outros estão a sentir, consegue perfeitamente por-se na pele dos outros, e eu acho uma coisa maravilhosa vê-la a ser assim - é mesmo um super poder!
Inteligente, meiga, independente, sem querer ser o centro das atenções.
Muito madura e responsável, é o meu braço direito (e esquerdo!) tantas vezes - para a História fica aquela vez em que se não fosse ela, nos tínhamos esquecido da mais nova em casa de uns amigos!
É assim uma espécie de mãe de nós todos, e tenho a certeza que vai ser a cola que une os irmãos - aquela pessoa que reune as que estão à sua volta.

Digo tudo isto sem ponta de orgulho, porque nada foi herdado nem de mim nem do pai.
Aliás, não fosse a sua farta cabeleira loura e um certo mau feitio (e ferver em pouca água!) e podia jurar que a tinham trocado na maternidade.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Memória do passado - 5 de Abril 2011

 O meu post de há exactamente 10 anos atrás.

(que bom que é tê-lo escrito!)

Para memória futura - confinamento 2.0

 Porque um dia tudo isto estará para trás das costas, e falaremos de confinamentos e pandemias no pretérito imperfeito, e sem memória daquilo por que passamos:

Neste confinamento apercebi-me que a minha casa é pequena - e é. É pequena para 5 pessoas 24/7 ainda mais no inverno, andamos a tropeçar uns nos noutros, e o que me afeta mais, vá, é que eu não tenho um sítio calmo onde possa ir sem ninguém me chatear - no mínimo falta-me uma cadeira boa no cantinho do quarto, com um candeeiro para poder ler (nem pedia mais!). Vindo o bom tempo a casa cresce um bocadinho, temos varandas, e tirando um ou dois elementos de casa tudo se torna mais suportável. Mas aquela coisa de ter brinquedos em todo o lado e não ter para onde fugir (não gosto de estar em cima da cama), desta vez, foi uma das coisas que me custou.

Mesmo sem sair de casa, confinamento com chuva é 100 vezes pior... fica a casa escura, temos de acender luzes, há um desconforto no ar (e roupa a secar nos aquecedores). Não é fixe.

Fiz pão, foi o confinamento do pão - com e sem glúten, chegaram a sair mais de uma fornada por semana. Apanhei-lhe o jeito, apanhei uma receita fácil, e fica tão bom.

Ter começado a dar apoio e explicações através do zoom foi uma lufada de ar fresco, e foi o que salvou a minha sanidade mental neste confinamento - o que acaba por ser quase um contrasenso, pois andava a fugir de ser professora dos meus filhos, para ser professora dos filhos dos outros, mas se pensarem bem toda a gente me compreende - não há pior alunos que os nossos filhos, não fazem nada do que mandamos e não nos acham graça nenhuma!

Houve semanas em que me senti mal e chateada com isto tudo, e achei que não aguentava mais - mais do que da outra vez - mas se pensar bem, foi menos intenso.

Vou vivendo mais ou menos bem com tudo fechado, menos as escolas. Espero que sejam sempre as últimas a fechar.
E que isso nunca volte a acontecer!

quarta-feira, 31 de março de 2021

Música do momento


Além de lindíssima tem este videoclip fantástico, filmado mesmo aqui ao pé, num túnel onde temos passado tantas vezes nos últimos tempos.

terça-feira, 30 de março de 2021

Ser maior e vacinado

Desde domingo que faço parte da percentagem de vacinados contra a Covid 19 deste país.

Desde o início que digo que não fazia questão nenhuma de ser vacinada, na medida em que tenho plena confiança no meu sistema imunitário para combater o vírus caso apanhasse.

Fomos avisados na escola de que havia a possibilidade de sermos chamados, já que estavam a chamar todo o pessoal docente e não docente, independentemente das horas que passam efetivamente na escola com os miúdos.
Nesse momento percebi que afinal queria muito ser vacinada, e fiquei mesmo a torcer para que me chamassem.
Não por mim, que eu sei que pessoalmente não preciso da vacina, mas pelo que isso significa - e significa o princípio do fim desta pandemia, o início de um regresso a uma normalidade que há muito não conhecemos.
Sei que há muita gente ainda por vacinar, sei que há muita gente com muito mais fragilidades que ainda não foi vacinada, mas a meu ver isto é maior do que eu.
É maior do que eu porque a partir de agora mando os meus filhos para a escola sabendo que a escola é um lugar mais seguro.
É maior do que eu porque mais do que a mim esta vacina protege aqueles que estão em contacto comigo - e não são só os meus filhos, são principamente os filhos dos outros com quem eu estou diariamente.
É maior do que eu porque a população ativa tem de estar vacinada o quanto antes, para que a economia volte a avançar.

Mal posso esperar para que estejamos todos vacinados e possamos respirar de alívio.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Como sabes que tens filhos crescidos?

 Quando te começas a identificar com a mãe do Ferris Bueller.

(aquela cena em que ela sobe as escadas a ouvir a voz do diretor da escola a dizer "nine times" - ai ai, o que me espera, senhores...)

A velha lei de Murphy

 No dia em que tens mais atividades digitais e mais coisas para preparar em menos tempo, é o dia em que o computador decide pifar.

Menos mal que a Deusa do Jogo de Cintura não me abandonou - mas estive ali vários minutos a hiperventilar e a achar mesmo que não ia conseguir fazer tudo.
(e recordo que sou freelancer - se não trabalho, não me pagam e na volta para a próxima vão bater a outra porta...)
Anos de vida perdidos, mas 3 horas depois o marido lá o conseguiu por a funcionar, com a ajuda preciosa do Dr. Youtube.
E eu que achava que uma manhã ia ser apertado para preparar tudo, tive de o fazer em 40 minutos.
(e correu bem!)

terça-feira, 23 de março de 2021

Ginasticar em casa


Não é efeito da pandemia, ginastico diariamente em casa com diferentes vídeos desde 2015 - antes disso já o tinha feito desde os tempos do VHS (com a Cindy Crawford, já agora).
Há 6 anos descobri o programa T25 do Shaun T (de quem sou absolutamente fã), e já completei o programa em diferentes ocasiões, intercalando com outros vídeos do Youtube, nomeadamente do canal Popsugar Fitness.
No fim do ano passado, e completamente por acaso, descobri este programa da Heather Robertson, e estando prestes a terminar mais uma rodada de T25 resolvi experimentar.
Já completei as 12 semanas, gostei muito e vejo resultados (poderia ver mais se tivesse sido mais regrada na alimentação, mas é assim a vida, aceitemo-lo).
Ela só fala no início, depois faz os exercícios apenas com música. Cada dia é um treino diferente, e as 12 semanas estão repartidas em 3 fases de intensidade. As primeiras 4 semanas são bastante suaves, depois intensifica. É muito variado, porque apesar de haver exercícios que se repetem, os treinos são todos diferentes, e vai sempre variando a forma como se organizam. São 5 treinos por semana, entre 25 e 45 minutos.
O material necessário são pesos, colchão e uma bola de pilates (não essencial, mas ajuda bastante).
Não aconselho a quem nunca tenha feito nada em casa, pois ela não corrige as posições (nem abre a boca durante o treino!) por isso é importante saber o que estamos a fazer - apesar de ter vídeos à parte a explicar as posições correctas.
Já terminei as 12 semanas e agora comecei o "calendário de Março" - todos os meses envia (gratuitamente) um calendário PDF com os treinos correspondentes - alguns são os mesmos do programa das 12 semanas, outros não, e todas as semanas há pelo menos um vídeo novo.

Se estavam à espera de um sinal para se começarem a mexer, é este!

quinta-feira, 18 de março de 2021

Lado B de ser freelancer

 A gestão do tempo.

Há uma tendência, ligada à lei de Murphy, para aparecer tudo ao mesmo tempo, ou - como está a acontecer agora - à mesma hora.
Tudo encavalitado nas mesmas horas, e depois uma carrada de horas para organizar tudo o resto sem horário definido.

Que a Deusa da Organização (laboral, doméstica e o que mais houver) esteja sempre comigo.

terça-feira, 16 de março de 2021

Dias felizes

Os dias de regresso às aulas serão sempre, para mim, dias felizes.
Pode ter mil defeitos, e haveria tantas e tantas coisas a melhorar em todas as escolas, mas não há nada que a substitua.
Espero do fundo do meu coração que tenha sido a última vez na vida destes meninos de pré e 1º ciclo que tiveram escola em casa.

Que a escola em casa seja para sempre uma opção (para quem a tomar), e nunca mais uma imposição (seja lá por que razão...).


sexta-feira, 12 de março de 2021

Boas notícias

 Cá em casa a reabertura das creches e 1º ciclo foi festejada como se de um golo da seleção se tratasse (como vi num vídeo que circulou no whatsapp).

Ainda me resta um pré-adolescente do 6º ano que está mesmo muito a precisar de voltar à normalidade, mas já não falta tudo.

Também eu vou regressar à escola, e lá terei de encaixar os meus meninos do apoio pedagógico ao fim do dia - e ainda me sobram as manhãs para quando os museus abrirem (assim haja quem os visite!).

Um ano depois do primeiro dia de confinamento, tudo isto são óptimas notícias.
(Já falta muito pouco para uma ganda jantarada de amigos, um mega piquenique em família e uma noitada das antigas - bora lá, malta!)

Livro 8/35 2021


A Ilha, de Sandor Marai

Descobri este autor no ano passado, e gostei bastante. Herdei este do meu pai, e peguei nele achando que com tão poucas páginas o leria num fim de semana.
Foi uma desilusão.
O livro é desconcertante, requer algum esforço da nossa parte, e vai alternando ritmos diferentes, ora lemos de enfiada ou anda ali a enrolar e enrolar sem avançar (e às tantas não há muita pachorra).
Tenho a certeza que depende bastante do leitor e da altura em que o lemos, temos ali muita leitura mais profunda do que possa parecer à primeira vista - e há um lado bastante "dark" que é muito interessante - no entanto, não foi a altura perfeita para o ler...

Dei 3 estrelas, mas não recomendo a toda a gente.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Para memória futura - organização doméstica em confinamento 2.0

 Tem funcionado relativamente bem, apesar de muitas vezes me apetecer mandar tudo às malvas. Tudo normal.
Não sou, de todo, um exemplo de coisa nenhuma, mas serve para o caso de alguém andar a precisar de ideias.
Disclaimer: sou uma pessoa por natureza desarrumada e não sou uma grande planeadora, no entanto até eu consigo planificar alguma coisa e tirar daí benifícios - não custa nada tentar.

Coloco os dias da semana, mas cada um sabe de si e adapta ao seu calendário:
Sexta feira - supermercado
Domingo - fazer sopa 1
2ª feira - meal prep e batch cooking: cozinho dois pratos (geralmente um de peixe e um de carne, para 2 refeições cada um), um assado de forno (perna ou peito de perú por exemplo), legumes no forno também.
3ª feira - ferro
4ª feira - fazer sopa 2 e passar a ferro
5ª feira - dia de limpezas

As refeições tenho organizado da seguinte forma:
Fins de semana - duas refeições "boas" mas rápidas para os almoços: hamburguer ou bifes com arroz e feijão preto; bacalhau à brás, carbonara. Jantares são pizza, waffles, torradas, panquecas...
2ª feira: almoço prato 1.1; jantar restos do fim de semana
3ª feira: almoço prato 2.1; jantar assado no forno
4ª feira: almoço prato 1.2; jantar ovos
5ªa feira: almoço prato 2.2; jantar assado no forno
6ª feira: almoço assado no forno e/ou restos da semana; jantar já é de fim de semana :)

Como tal, acabo por cozinhar só um dia mas ainda assim faço acompanhamentos mais vezes e salada todos os dias.
Lavar roupa e estender depende da colaboração de S.Pedro, mas concentro o ferro em duas noites e não mais.

Estou orgulhosa deste plano, que de momento funciona bastante bem.
Fica aqui para memória futura, pois que estou muito farta de tudo isto, mas é para me lembrar que há estratégias que nos ajudam a sobreviver.

terça-feira, 9 de março de 2021

Da vidinha

 Assim vamos, passando o dia a dia sem nada a declarar - o que nos dias que correm é, como sabem, um excelente sinal.

Andamos assim em piloto automático, e vamos alternando os estados de alerta com altos e baixos.
Nuns momentos é:
Ai que ainda vamos ter saudades disto!
Tão bom poder acompanhar todos!
Almoçar juntos aos dias de semana, que privilégio!
Que bom que é viver perto do mar!

Passado pouco tempo é:
Raios parta os putos que não os aguento!
Que raio de ideia vir viver para esta casa tão pequena!
Raio de ideia ter tirado a porta da sala!
Estou farta disto!
Não aguento mais cozinhar, cozinhar, cozinhar!
Nem varrer e aspirar e estender e apanhar!

E assim vamos.
Depois de meses a esperar um regresso ao normal, começo a aceitar que o normal de antes não vai voltar - e não vai mais que não seja porque todos já passamos por isto, e vamos para sempre ter medo que se repita.
Começo a aceitar também que há colegas com os quais provavelmente não me volto a cruzar - as pessoas tiveram de seguir os seus caminhos, encontrar outros trabalhos, e nem eu sei se volto aos mesmos sítios de antes, sei que alguns com certeza não voltarão.
O pai cá de casa anda a ressacar com a falta de um café "de rua" - o café da esquina andou a vender cafés no postigo uns dias, mas recebeu uma denúncia.
Aguardo com expectativa o regresso às aulas, mas confesso que este ano letivo em que apenas 1 dos 3 é fica efetivamente todo o dia na escola, também não me agrada de sobremaneira, mas enfim...

Acho que estamos todos já um bocado a mandar cabeçadas nas paredes, e às vezes só me recordo daquela célebre frase "Ai aguenta, aguenta!" - quando achamos que estamos a atingir o limite, e afinal ainda aguentamos mais um dia igual, e mais um, e mais um.
E o que é pior... já nem achamos estranho.

Nem achamos estranho coisas que ouvimos e dizemos:
"Meninos, se virem um carro da polícia a chegar, escondam-se debaixo dos escorregas!"
"Meninos, vamos já sair do carro aqui que não há polícias!"
"Mãe, corre, vem ali um carro da polícia!" (mais nova, 4 anos)
"Tu vais para a escola, dentro da escola??" (idem)

Depois disto tentei explicar que os polícias são bons, mas não sei bem se fui a tempo.
Ai liberdade, liberdade....

Vamos lá caros leitores.
Já não há-de faltar tudo, caramba...

quinta-feira, 4 de março de 2021

CV

 Desde 2014 que tenho de atualizar o meu CV de poucos em poucos meses.
Sim, o meu CV é uma manta de retalhos de experiências diferentes, sim parece que tenho mil caminhos e não sigo de facto nenhum até ao fim, mas caramba, não deixo de sentir um forte orgulho em ter coisas novas para acrescentar com frequência.
A última vez que o atualizei tinha sido em Agosto (depois de uma formação), e hoje já o atualizei novamente (com a minha nova colaboração).
E para mim é um motivo de orgulho enviar um CV com uma atualização feita em Fevereiro de 2021.

(CV esse que eu envio furiosamente, e ao qual recebo assim 1% de resposta, mas este post não é sobre isso).

Autonomia também é...

 ... levantar-se a meio da noite para levar a irmã mais nova a fazer xixi.

(minha rica filha!)

quarta-feira, 3 de março de 2021

Livro 7/35 2021

 

Domingos de Agosto, de Patrick Modiano

Foi-me oferecido pelo meu pai há anos, diria eu que talvez em 2014 que foi quando o escritor foi Prémio Nobel. Não tinha nenhuma referência, e peguei nele agora devido ao número reduzido de páginas, dando para ler num fim de semana (o objetivo era ter lido ainda em Fevereiro). Não consegui cumprir porque o livro não me cativou...
Isto dos livros também tem muito a ver com a comparação com o que lemos antes, e o registo aqui não tem nada a ver - é um livro que exige (um bocadinho, não muito) mais do leitor.
Isto porque está escrito de forma misteriosa, de modo que lemos muita coisa sem perceber nada - quem são as personagens, quando é que isto aconteceu, o que se terá passado para que chegassem aqui - é assim um livro meio manta de retalhos.
Mas não foi por isso que não adorei, foi mesmo porque apesar de tudo isso, as personagens não têm muita profundidade e há coisas que ficam assim no ar, meio sem explicação (mesmo quando no fim o mistério é desvendado).
Não li com muito prazer, não estava em pulgas para saber o que se passou (apesar de ser claro que alguma coisa tinha acontecido que ainda não tinha sido revelado) e foi daqueles que facilmente teria abandonado se tivesse mais páginas.
Dei 3 estrelas (porque não é um mau livro), mas não recomendo muito.

Autonomia é...

... ir sozinho à mercearia da esquina comprar fruta e trazer dois cachos de bananas, um mais maduro (para comer agora) e outro mais verde (para comer depois) - sem eu lhe ter dito nada a respeito.

Não havemos de estar a fazer tudo mal. 

terça-feira, 2 de março de 2021

Saúde mental

Este vídeo é uma chamada de atenção para quem tem filhos, principalmente adolescentes.
Se por um lado é um óptimo sinal os miúdos estarem fartos de estar em casa - sinal que têm uma vida social saudável fora de portas - por outro temos de estar muito atentos.
Com a depressão não se brinca.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Livro 6/35 2021

 

O Bisavô, de Maria João Lopo de Carvalho

Antes da crítica, algum contexto em relação a este livro. A autora é prima (afastada) do meu pai, e chegou a almoçar com ele para que pudessem colmatar alguns pormenores e fotografias onde os ramos da família se cruzam. Ele já não viveu para ver o livro lançado, ela muito faz-lhe um agradecimento muito simpático nas últimas páginas.
O meu exemplar autografado foi-me oferecido pela minha tia e madrinha, no entanto as quase 800 páginas não me entusiasmaram por aí além. Isso e uma certa ideia pré-concebida de que a autora era assim bastante "light", sendo que nunca tinha lido nada dela - ideia feita com base na imagem que tenho das fotografias da contracapa, e das poucas vezes que me terei cruzado com ela ao vivo em que não trocámos mais de três palavras - puro preconceito, sem pés nem cabeça (temos de estar atentos a estes vícios que persistem). Em suma, um dia iria ler o livro com toda a certeza, mas a vontade era pouca.

Foi preciso ouvir três opiniões favoráveis para me lançar a lê-lo. Isso e o confinamento, que um livro deste tamanho é melhor ler em casa mesmo.
Em boa hora o fiz. Foi uma agradável surpresa.
Capítulos curtos (o que para mim é essencial) e uma investigação minuciosa por trás de cada pormenor retratado (são páginas e páginas de notas de roda-pé), levam-nos numa viagem pela burguesia portuguesa desde finais do séc. XIX e inícios do XX, partindo da biografia do seu bisavô.
Sem tabus nem juizos de valor lá surgem as aventuras e desventuras, as viagens, as relações com os primos, o papel da mulher (das várias mulheres percorrendo toda a sociedade), as negociatas com os produtos vindos das colónias, a política, os locais, as diferenças entre cidade e campo, a medicina, os hábitos desta sociedade. Saber que os episódios caricatos aconteceram de facto dá uma piada especial ao livro.

Gostei muito, e penso que iria gostar mesmo que não estivesse lá uma parte da minha árvore genealógica - e que bom que foi entende-la por fim!

Dei 4 estrelas, e recomendo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

O que mudou em relação ao 1º confinamento

 Mudou muito, mas muito se deve de facto à ausência de mudança.

Confusos? Eu explico.
A minha vida mudou radicalmente em Março de 2020. De tal forma que não voltou ao normal desde então.
E se até Março de 2020 eu trabalhava fora de casa em dois ou mais sítios diferentes por dia, passava algum tempo em casa em momentos salteados a fazer as tarefas domésticas sozinha, preparava apenas jantares para 5 para sobrar para 2 almoços, nada disso voltou a acontecer desde então.

De Setembro a Janeiro de 2021 trabalhei em apenas um sítio aqui bem perto, e as saídas e entradas em casa deviam-se ao ir levar e buscar da escola em horas diferentes, já que dois dos três só tinham escola de manhã. Há um ano que almoçamos 5 e jantamos 5, e estar sozinha em casa é agora uma miragem - as tarefas domésticas faço-as no meio do caos, com mil interrupções, e já nem dou conta, e acho que já nem sei fazer sopa sem ser em doses industriais...

E portanto o que mais mudou foi mesmo a minha cabeça, que se foi habituando a este "novo normal" (o que eu detesto esta expressão!) e agora já não estranho.

Tirando isso, fizemos alguns ajustes:
1) delegar, delegar, delegar. Varrer o chão da cozinha, limpar bancadas, comprar fruta na mercearia da esquina são tudo coisas que qualquer criança consegue fazer
2) simplificar (e muito!) os jantares (havendo sopa, pouco mais é preciso)
3) fazer intervenções à hora do almoço - em que indico o que me chateia e não quero que se repita com calma e assertividade - e não no calor do momento.

Dito isto, continuo a contar os dias para o fim disto tudo!



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Como me fui esquecer disto no post anterior?

De os levar à escola.
De os ir buscar à escola.
De os ver felizes durante todo o dia, na escola.

E de ir eu própria, dar as minhas aulas na escola.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Saudade

Estar com a família toda - tios, primos, filhos dos primos - e principalmente estar com as minhas irmãs, cunhados e sobrinhos.

Abraços e beijinhos e todos de quem gosto.

Jantar fora.

Jantarada em casa dos amigos.

Viajar (tanto!).

Cinema, teatro, concertos.

Arraial com bailarico, festa da grossa, dançar até de manhã (ou até não poder mais, vá).

Trabalhar (tanto, que me dói no coração).

Luzes ao fundo do túnel

 Apesar da falta de vacinas, a partir de hoje aqui no concelho já podemos passear na praia e no paredão.
Também o tema da reabertura das escolas começa a estar na ordem do dia.

Inspira e expira.
Já não falta tudo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Mais uma voltinha, mais uma viagem

 ... que era o que nós queríamos, mas por agora a voltinha é mesmo só higiénica e a viagem faz-se pelos filmes e livros, ou com dedos a percorrer os mapas pendurados nos quartos deles.
A vontade de viajar é tanta que a mais nova só brinca a fazer e desfazer malas.

Mais uma semana passou, e mais um fim de semana confinado.

Em muitas coisas está a correr bem melhor que o confinamento de 2020, mas a verdade é que já não há muita paciência.
Nem muita nem pouca, vá.

Custa-me ir dar uma volta a pé para ver o mar, e chegar à minha praia - aquela que foi a minha casa tantos anos, e que de certa forma ainda é - e ter polícia a impedir-nos de passar.
Custa-me ter de arrancar os miúdos de casa, porque tem mesmo de ser (e é tão difícil!) para depois não fazermos nada do que gostam... os parques fechados, a praia interdita, o campo de futebol com os portões fechados...

Há quem esteja muito pior, e não nos podemos queixar (mesmo!), mas se desse para fazer um fast forward até ao fim de Março, era já.

Avante, leitores resilientes!
Já faltou mais!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

A zona de conforto

 Diz que é bom ir saindo, de vez em quando, da nossa zona de conforto.
Arriscar coisas diferentes faz um reset no cérebro e não nos deixa assentar e estagnar.
Profissionalmente falando nos últimos tempos tenho andado sempre a sair, mesmo que em alguns sítios já estivesse completamente confortável, havia sempre sítios novos e exposições temporárias a fazer-me voltar à estaca zero.

Ora com este novo desafio, já estou para lá da zona de conforto.
Sinto que estou mesmo fora de pé (mas a dar tudo para aprender a nadar!).
Depois de um primeiro confinamento em que me senti definhar, que bom que é ter esta motivação (e frio na barriga) para começar mais um dia.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Os livros da do meio - 8/2021

 Para que se inspirem a incentivar os vossos miúdos a ler, aqui fica a lista de livros que a minha do meio leu este ano, até agora. Eu disse leu? Devorou, é a palavra certa.


Livro 1/2021 Diário de uma miúda como tu - as férias, de Maria Inês Almeida

Depois de ter lido o volume 1 numa viagem para o Alentejo (sim, ela também lê no carro), leu este assim de rajada numa manhã de fim de semana- não o li, mas é pequenino e parece-me perfeito para quem se inicia nestas lides (mais novas do que a minha, que tem 9 quase 10), pois permite avançar rápido apesar de ser um livro "de crescido". Adorou-o. Eu pessoalmente achei o investimento um pouco inglório pois no fundo ela esteve a ler um total de 3 horas, pouco mais.



Livro 2 a 8/2021 Diário de uma Totó 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8, de Rachel Renée Russel
O vício do momento. Herdou os primeiros 4 volumes das primas crescidas, e já tinha tentado ler o 1 há uns dois anos, talvez, e não tinha gostado. Na altura eu li também um bocado, e não fiquei nada impressionada, penso que até fiz um post sobre isso - uma lista de clichés de dramas supostamente femininos, uma inimizade com uma colega que perdura volume atrás de volume, a busca pela popularidade, futilidades no geral. Achei na altura que era um livro que não ensinava nada de bom a uma miúda, e se pegar nele agora mantenho a opinião de certeza. No entanto, entre exemplos parvos no youtube ou em livro, aqui pelo menos puxa um bocadinho pela imaginação - na nossa geração também havia quem estivesse proibido de ler banda desenhada (por estar escrita em português do Brasil) e lembro-me do meu pai nunca proibir - livros proibidos são sempre mais apetecidos! O importante é ir contrabalançando com outros exemplos melhores* - coisa que não tem propriamente acontecido, mas adiante. Depois de ler o volume 1 nas férias de Natal veio por aí fora e leu do 2 ao 4 ainda em Janeiro. Recebeu o volume 6 nos anos da irmã, mas insistiu que queria ler o 5 primeiro e o pai foi procurar no OLX e assim temos adquirido os que lhe faltam - 5, 7 e 8. Tem lido 2 por semana, e chega à sexta a pedir ao pai para lhe comprar mais.
Esta semana o pai resolveu fazer uma pausa e não comprar nenhum, e ela agora está a ler outra coisa, para ver se não enjoa.
Adorou todos. O 6 deixou-a muito curiosa no fim, estava em pulgas para saber o que ia acontecer a seguir, e o 8 talvez tenha sido o que menos a entusiasmou (porque se passa quase tudo num sonho de conto de fadas).
Ela dá 5 estrelas a todos, e recomenda muito.

* reformulo, temos balançado com este:



Biografias de jovens que se notabilizaram nas mais diversas áreas, desde Pascal à Malala. Lemos uma ou duas e depois pesquisamos sobre a pessoa e vemos fotografias. Recebeu-o no Natal e foi um excelente presente.
No fim de semana, porque era Carnaval, pediu para lhe fazer dois pequenos totós no cabelo - perguntei se era como a Princesa Leya, mas respondeu que não, quer era para parecer a Bjork.
(se é a Bjork o modelo dela, não havemos de estar a fazer tudo mal...)
Eu dou 5 estrelas a este livro e recomendo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Ao fim de um mês o sol surgiu

 ... e eu quando o vi, quase me vieram as lágrimas aos olhos.
Eu sei que a vida não muda, nem pode mudar, quer chova quer faça sol - em teoria até poderia chover sempre, pois se é para ficar em casa, ao menos que deixe de apetecer sair.
Só que não, senhores, não mesmo.

Na sexta passada quando acordei e vi o sol, ao fim do que me pareceu uma eternidade sem o ver, fiquei logo automaticamente mais bem disposta, com mais energia, mais leve - e não, nada mais tinha mudado, foi só mesmo o bom tempo.
E não foi pouco.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

O que se vê aqui

Começamos a ver o The Voice Kids.
Não gosto nada de programas de talentos com crianças, mas isso é assunto para outro post. 
Aquilo que chego à conclusão é a de que não sei lá por onde ando mas não conheço a maioria das músicas. Nem conhecia um elemento do júri, nunca tinha ouvido falar dele sequer (mas já fui ao YouTube ver, e que bem que ele canta!).
Já a do meio também não sei por onde anda, mas conhece tudo.
Onde ouviu? Não faço ideia.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Livro 5/35 2021


 

A Odisseia de Baldassare, de Amin Maalouf

Primeira obra que leio deste autor, apesar de estar na minha lista há bastante tempo. Comprei este livro no último dia de "liberdade", na véspera de entrarmos no novo confinamento. Resolvi ir comprar os presentes da mais nova, e sabendo que íamos confinar outra vez trouxe livros para todos e para mim também - não me lembro do último livro que comprei para mim sem razão aparente (nem Natal nem anos).

Não desiludiu, nada. É daqueles que só me ocorre a expressão "aventuras e desventuras".
Passado em 1666, é um diário de um mercador que faz uma viagem de meses a fio, na perseguição de um livro que supostamente lhe iria iluminar o caminho e fazer uma revelação.
A importância do tal livro (que é o que vem referido na contra-capa) é apenas um aspecto, a viagem, o caminho, as tais aventuras e desventuras são a parte mais importante.
Um retrato fiel do Império Otomano e da Europa do séc. XVII, em diferentes aspectos, uns que os unem e outros que os afastam, na voz de um homem com quem nos identificamos de imediato - o tom de diário permite entrar na sua intimidade, nas suas ideias, na sociedade e no mundo da época visto de dentro.

Daqueles que apetece sentar e ler, tive momentos em que me ri com gosto.
Dei 4 estrelas, recomendo e empresto.

Escola em casa - o novo normal

 Não é novo (é tããão 2020...) e não é normal (continua a não ser!).

Cada dia que passa, só uma coisa me ocorre: menos um dia para que as escolas abram.
(caraças para isto, pá)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Os livros dos miúdos

 Inspirada pelos posts da Tella, e para vos inspirar também a porem os miúdos a ler, estamos agora numa fase de leitura assídua por parte dos meus mais velhos (ele menos, ela mais, mas ambos bem lançados).

E com base na minha vastíssima experiência deixo-vos com uma verdadeira revelação (que vos vai deixar boquiabertos de certeza): tal como nós, os miúdos têm de se entusiasmar (muito!) pelo livro que estão a ler - têm de gostar tanto que perdem noção do tempo, não conseguem parar, têm de ler mais um capítulo e mais e mais um.

Se assim não for, fica complicado.

Até vos fazia uma lista de livros que já tentei impingir, sem sucesso nenhum, mas posso dizer-vos por experiência própria que a mim me impingiram vezes sem conta a coleção dos 5 e eu acho que nunca cheguei ao fim de nenhum - tendo preferido a Uma Aventura (muito mais moderna e dentro da minha realidade) que lia também a um ritmo alucinante.
Com os meus é igual, eu insisto na Uma Aventura e no Asterix e eles só querem saber do Banana, Tom Gates, Diário de uma Totó e Diário de uma Miúda como tu.

Nenhum seria a minha primeira escolha, mas na era em que vivemos só o facto de os ver imergidos na leitura já é bom demais...

(e como em tudo o resto, o nosso exemplo também é fundamental)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Sobre os novos desafios

 Ser freelancer, que quer dizer não ter um trabalho fixo e ter de andar sempre a inventar, é sinónimo de andar sempre com borboletas na barriga a cada novo desafio.

É super estimulante e motivador, mas também é aterrador e dá sempre a sensação de nos estarmos a lançar no vazio, em diferentes vazios, sem saber se sabemos voar.

Há um ano se me perguntassem eu ia jurar que não queria outra vida, adoro andar de um lado para o outro e estar sempre a aprender.
Há seis meses atrás dava um dedinho para ter um emprego fixo e seguro num museu qualquer e poder estabilizar e aprofundar o conhecimento numa só área, em vez de andar sempre a saltitar entre sítios, épocas, países, num leque de conhecimentos que abrange uma área impossível de abranger - sinto sempre que estou a correr atrás.
Hoje, nas vésperas de me meter numa coisa completamente nova e estou para lá de nervosa, a dizer mal da minha vida, a enxotar as borboletas da barriga, a perguntar constantemente porque me meto eu nestas coisas e não me contento em fazer o que já sei fazer.

Hoje também sei, e esta é uma mensagem para a Mary do futuro que vai continuar a meter-se em coisas novas, que é este medo que me alimenta a alma.
E estas novidades que numa situação normal já valem ouro, em época de pandemia em que nada se passa valem mais do que isso - valem a minha e nossa saúde mental.
Uma pena que não se traduza também em saúde financeira, mas não se pode ter tudo!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Novo desafio

 É tempo de assumir, optimismos à parte, que o mundo mudou, e que quer queiramos quer não ainda é capaz de demorar até voltar à normalidade.
Provavelmente não se lembram, mas ainda a pandemia não tinha começado verdadeiramente cá em Portugal já eu estava a sentir os efeitos colaterais, sendo o meu sector de trabalho o primeiro a ressentir-se.
Desde então, há quase um ano, o meu trabalho tem sido residual - oficinas de férias, visitas virtuais ou nas escolas - tudo isto em número muito reduzido. Visitas guiadas em museus e monumentos tanto a escolas como turistas foram zero desde Março 2020.

Em Setembro lá me surgiu uma nova oportunidade, um regresso à escola que tanto me anima, e a partir desta semana vou abraçar um novo desafio (a trabalhar a partir de casa, coisa que jurei não voltar a fazer, mas em tempo de guerra não se limpam armas!) que veio também animar (e bem!) este novo confinamento.
É uma coisa nova que nunca fiz, mas ligada às crianças, à educação não formal (e formal) e que vai por à prova a minha capacidade de organização e criatividade. Tenho muito que preparar e aprender.
Mais uma vez foi uma oportunidade que surgiu no site de empregos, por alguém que pensa fora da caixa e que entendeu que o meu CV, que mais parece uma manta de retalhos, era adequado e exactamente o que se pretendia.
E eu, que já fiz entrevistas de trabalho nas mais variadas situações (grávida de 8 meses; no meio de férias vinda diretamente do Algarve; três dias depois da morte da minha mãe; e a lista continua) tive a minha primeira entrevista via zoom, directamente do quarto do meu filho (e sim, estava de pantufas!). Menos mal que nesse dia até estava vestida de forma decente, e tinha lavado o cabelo nessa manhã (foi marcada duas horas antes). Foi só o tempo de sair do passeio higiénico com os miúdos, deixa-los na sala a ver tv, passar uma maquilhagem básica e lá fui eu.

Sei perfeitamente que vai ser duro com os miúdos em escola em casa, e eu a ter de trabalhar, mas garanto-vos que o faço a bem da minha sanidade mental - não sou nada uma boa "stay at home mum"!
E pode parecer um contra-senso mas sinto que sou uma mãe melhor quando não sou só mãe em exclusividade (e a alegria dos meus filhos quando souberam diz-me que eles sentem o mesmo).

Sinto que estive e estou muito contrariada com tudo isto, às vezes nem acredito que estamos mesmo a passar por uma pandemia, mas começa a ser altura de nos adaptarmos e aceitarmos que o mundo mudou, mesmo.
Mudemos com ele.
Resiliência é a palavra de ordem.