segunda-feira, 18 de abril de 2022

Sobre viver (ainda) em pandemia

 Ainda que moribunda, espero eu.
Já há dois anos que as reuniões familiares não são um dado adquirido, e todos sabemos bem o que é viver sem elas, mas caramba, que falta que fazem...
Foram só dois dias de Páscoa, mas souberam a muitos mais.

Um interregno nas máscaras e mãos desinfetadas, dois dias de abraços e beijinhos, almoços e jantares como dantes, com tudo o que temos direito.

Vivemos tempos estranhos e não podemos mesmo dar nada por garantido - só mesmo o que já passou.
E estes dois dias já ninguém nos tira.
(um ganhar fôlego para os próximos tempos, que se adivinham sem tempo para nada...)

segunda-feira, 4 de abril de 2022

A frustração

Dia de fazer contas à vida e entregar a declaração de IRS.
Dia também de comparar os rendimentos de 2021 com os anos anteriores. Com 2019 e 2018 nem vale a pena, todo um outro campeonato.

O que mais salta à vista é mesmo comparar 2020 com 2021.
Em 2020 trabalhei normalmente 3 meses. Depois disso passei meses sem trabalhar. Em Abril e Maio pagaram-me de um sítio onde colaborava (1/3 do rendimento normal). Em Junho nada. Em Julho trabalhei uma semana. Agosto e Setembro nada. Em Outubro comecei a dar AEC, e até ao fim do ano fiz nem uma mão cheia de atividades de museu (visitas online e uma ida a uma escola).

Em 2021 de Janeiro a Junho continuei na escola. Em Fevereiro comecei a dar explicações (que para cada hora de explicação eram 3 de preparação). Em Junho estive numa exposição temporária no museu e foi um ritmo alucinante, com várias visitas por dia e depois aulas e explicações ao fim do dia. Comecei também noutra exposição no palácio, e tive duas semanas de oficinas em Julho. Em Agosto tive algumas visitas em diversos sítios. Em Setembro comecei noutro museu, com horário das 10h às 18h, e continuei com visitas noutros sítios - as escolas regressaram aos museus e palácios em Outubro. Em Novembro acrescentei uma formação (que estive a preparar desde Junho), e em Dezembro tive também uma semana de oficinas de Natal. No último trimestre não tive fins de semana livres, nem feriados.
Deixei de ir buscar os meus filhos à escola, deixei de ser eu a acompanhar as atividades extra-curriculares, passei a chegar a casa depois da hora do banho, e praticamente não vi os jogos de futebol do mais velho. Fui para fora de pé, estudei que nem uma louca coisas completamente diferentes, fiz noitadas e perdi noites preocupada em estar sempre à altura dos desafios (mas lá nisso, sei que estive!).

A diferença de rendimentos entre um ano em que não fiz praticamente nada e outro em que parece que não fiz mais nada se não trabalhar, não chega aos 4 dígitos.
Não há amor ao trabalho que resista a isto, caraças.

(e o aumento de preços que se sente já em 2022?)

F*da-se para isto. Não tenho mais palavras.


Livro 10/2022


 A Gaiola de Ouro, de Shirin Ebadi

Outro da coleção do meu pai que me calhou. É incrível esta coisa de os livros virem ter connosco a determinada altura... Tantas vezes olhei para esta lombada (já o referi aqui que faço ginástica todos os dias diante da estante da sala, e estou sempre a bater os olhos nos mesmos livros!) sem nunca ter o impulso de lhe pegar, e durante estes dois anos em que o livro está cá em casa esteve ali esta preciosidade e eu a ler outras coisas às vezes sem interesse nenhum.

Um dos temas que abordo nas minhas visitas, tantas e tantas vezes, é esta relação que temos com o "outro" (o que é diferente de nós, de alguma maneira), as confusões que fazemos, os preconceitos que temos e como os podemos questionar.
A História do Médio Oriente (termo que também questionamos, Médio porquê? mas adiante) é muito confusa! E da nossa perspetiva parece que "é tudo a mesma coisa".

Este livro vem esclarecer muita coisa da História mais recente do Irão - e é uma história verídica.
A melhor amiga da autora tem três irmãos e cada um tem ideais diferentes. Através da história de cada um, daquilo em que acreditam, de quem os apoia, do seu percurso político, profissional e pessoal, vamos desenrolando a História do Irão da 2ª metade do século XX.
Aprendi muito, foi mesmo muito esclarecedor - não só para mim, que tantas vezes falo na Pérsia, mas penso que é importante para toda a gente. 
Muitas vezes focamo-nos nas diferenças, mas temos também tanto em comum: a relação com a família e com a comida principalmente. 

A autora foi Prémio Nobel da Paz em 2003.
Dei 5 estrelas e recomendo.

Livro 9/2022


 A Taberna da Índia, de Antonio Sarabia

Mais um da coleção de livros do meu pai, arrumado na prateleira da sala à espera da sua vez.
Uma história da época dos "descobrimentos" (cada vez mais esta palavra vai fazendo menos sentido, e ainda bem) de Espanha, e da escravatura.
A Índia é uma escrava nativa das Caraíbas, que é comprada por um taberneiro, e a história anda à volta dela, do seu dono, do irmão deste e seu respetivo escravo também, das "aventuras" da vida no mar, a promessa de enriquecimento fácil que não chega a acontecer, o domínio e a chacina sobre estas tribos nativas. E na História em que há domínio de um povo europeu sobre outro qualquer, já se sabe que para as mulheres a situação é sempre mais violenta.

Dei 4 estrelas e recomendo.

terça-feira, 29 de março de 2022

O mal da idade

Não vale a pena (mesmo!) tapar o sol com a peneira.
Ver mal ao perto é (mesmo!) um efeito secundário desta coisa de acumular experiência, amadurecer, também conhecido por envelhecer.

Não há volta a dar, há mesmo partes do nosso corpo que irão precisar de auxílio, e ao que parece a minha visão ao perto não irá melhorar, já só fica pior.

Não é por acaso que associamos os óculos de ver ao perto - os pequeninos para usar na ponta do nariz - aos velhotes. Conheço até vários cinquentões que usam, e acho sempre que é coisa que os envelhece brutalmente. Óculos é uma coisa, óculos na ponta do nariz que permitem ver por cima é toda uma outra coisa...

Dito isto saí da consulta com a indicação de que esses seriam mesmo os óculos que teria de usar - só mesmo para ver melhor o que tenho na mão, e conseguir ver por cima dos óculos o que se passa à volta.

Olhei para os modelos disponíveis, mas não consegui... Daqui a uns anos talvez, mas por agora trouxe uns óculos redondos, muito a contra gosto do rapaz que me atendeu!
Já me apercebi que não é o mais prático (tenho de tirar e por os óculos cada vez que levanto os olhos do livro!), mas por agora não consigo ir mais longe.
Sei que de quase adulta tenho muito pouco, mas ainda estou longe de ser quase avó!

sexta-feira, 18 de março de 2022

43 anos e 10 meses

E ou muito me engano, ou estou mesmo a precisar de usar óculos.
Fotocópias, apontamentos, catálogos de exposições, artigos na net, livros, computador, telemóvel e os meus ricos olhos, que sempre funcionaram tão bem, começam a dar sinal de profundo cansaço.

A ver se trato disto rapidamente.


(e não, não acho que usar óculos seja um "mal" da idade, primeiro porque não é um mal - acho eu, mas não sei, nunca usei! - segundo porque o meu mais velho usa óculos desde os 3 anos de idade!)

segunda-feira, 14 de março de 2022

Livro 8/2022

 O que sentem as mulheres, de Nativel Preciado

Herdado da minha mãe, para variar, oferecido pelo meu primo (afilhado dela e que já foi um leitor assíduo nos primeiros tempos do blog, entretanto foi para outras paragens digitais, que isto dos blogues já é só dos resistentes!). Calculo que tenha sido iludido pela contracapa, em que se refere um resumo sobre mulheres de sucesso, mas imagino que ele não o tenha lido pois talvez não o tivesse oferecido à minha mãe se o lesse. Não que a minha mãe não tivesse gostado, mas pelo género de livro que é e que efetivamente não teria muito a ver com ela.
Basicamente a autora é uma jornalista espanhola que ao longo de décadas foi entrevistando muitas mulheres, e faz uma espécie de resumo de algumas opiniões dessas entrevistadas - mulheres famosas em Espanha, intelectuais, atrizes, cantoras, esposas de escritores entre outras.
São no fundo reflexões de mulheres sobre o seu papel sob diferentes pontos de vista - o envelhecimento, as oportunidades de trabalho, o casamento, o sexo, a opção de ter ou não ter filhos, a carreira profissional.
É um excelente manifesto feminista, apesar de muito datado (o livro foi escrito nos anos 90). Esse facto, e também o facto de serem personalidades espanholas que eu não conheço foram os pontos negativos.
Dei 4 estrelas e recomendo.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Sobre não saber lidar II

 Por uma questão de saúde mental, sei que não é bom estar sempre a ver as notícias - sei disso tudo, mas não consigo deixar de ver e ler (já foi assim na pandemia e assim me mantenho...).

Serve apenas para aumentar ainda mais esta sensação de impotência.

Continuo de queixo caído com o que se está a passar e o mundo a assistir...

Mais de 2 anos

 O meu pai morreu há pouco tempo - pouco mais de 2 anos.

Às vezes imagino (muitas vezes!), como seria se de repente ele regressasse à vida por um dia - o que iria achar disto tudo, de como tudo mudou em tão pouco tempo...

Acho que nem sei bem por onde poderia começar a explicar...

O mundo mudou nestes 2 anos, caramba! 

sexta-feira, 4 de março de 2022

Livro 7/ 2022

 

O Espião Português, de Nuno Nepomoceno

Herdado do meu pai. Na altura em que desfizemos as estantes de livros de casa dele, trouxe uma data deles que organizei por temas em sítios específicos. Depois disso voltámos lá a casa várias vezes e ainda havia todo um quarto cheio de montes de livros espalhados pelo chão, e nessa altura ainda trouxe outros tantos que foram depois arrumados aleatoriamente nas estantes cá de casa. Há uns quantos que estão na estante da sala, e eu quando estou a fazer ginástica muitas vezes estou a olhar para eles (pensando quando é que vou ter vontade de os ler).
Um colega de trabalho partilhou que estava a ler um livro deste autor, e não podendo ir requisitar livros à biblioteca (porque me atrasei a entregar os anteriores), foi o mote para pegar nele.
Nunca tinha ouvido falar no autor, ao que parece tem uma série de livros com o mesmo protagonista (nem sei se é o deste livro ou não).
Basicamente, é um 007 à portuguesa com todos os ingredientes - as perseguições, o suspense, as "bond girls" boas e más da fita. Previ um dos aspetos do final quando ia a menos de meio, mas ainda assim houve ali um twist de que não estava nada à espera.
Deixa muitas pontas soltas, talvez para resolver em volumes posteriores, é um cliché atrás do outro e tem até uma atitude algo machista em relação às personagens femininas e homofóbico em relação aos homossexuais, mas não é nada muito grave, eu é que ando muito atenta a estes temas. 
Dito isto, está bem escrito, prende e entretém. Daqueles que acaba um capítulo e queremos saber mais, o comboio a chegar ao destino e eu a pensar que queria ler só mais um bocadinho. É o que preciso neste momento, livros que me apeteça pegar neles mais do que uma vez por dia.
Por tudo isso, dei 3 estrelas e recomendo, e até ofereço se alguém o quiser.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Sobre não saber lidar

Com esta guerra, a primeira na idade adulta que presencio.
Tudo ganha outra dimensão. 
As famílias refugiadas no metro (o que se leva nestas ocasiões?), as casas destruídas (quem é que vai pagar?), as filas e filas a tentar sair do país (como se deixa uma vida para trás?).
O que dizer aos pré-adolescentes para lhes explicar como se chega até aqui?
Há explicação?
Em 2022 como é que se chegou até aqui mesmo?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Coisas que me ocorrem

Como terá sido ser mãe sem o desafio dos telemóveis e jogos online?

Livro 6/2022

 

Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto
Trazido da biblioteca por impulso, por estar nos destaques e por me lembrar vagamente de ter tido boas notas no Goodreads (que confirmei depois).
Haverá muitas maneiras de escrever uma biografia de uma pessoa que se destaca, mas nenhuma igual a esta seguramente, ainda para mais estando o biografado vivo - que bom que deve ser ler assim a nossa vida escrita desta maneira.
Já li um outro livro deste autor - O Cemitério de Pianos - na altura gostei imenso, e há passagens e personagens que me acompanham desde que o li (em 2007 ou 2008, nem sei).
Desde então no entanto deixou de me apetecer este tipo de escrita, esta prosa poética, esta enchurrada de imagens, cheiros, sons e texturas em cada frase, de que ele é mestre. Acho que fez escola com outros autores portugueses, mas nenhum usa as figuras de estilo como ele, os outros acabam por não lhe chegar aos calcanhares. Por muito bonito que seja, nem sempre estamos para aí virados, e tudo o que é demais enjoa.
Aqui não chega a enjoar, está tudo na medida certa, os episódios saltitam entre as páginas desde as recordações da infância, o início dos negócios, os festejos dos seus 90 anos. Um livro bonito, uma história bonita também (ou pelo menos os episódios relatados), até o papel escolhido para as páginas é bonito (tem corpo e presença) - foi um prazer lê-lo até ao fim.
Dei 4 estrelas (porque apesar de tudo não estive sempre naquela ânsia de o ler), mas recomendo muito.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Livro 5/2022

 

O Gigante Enterrado, de Kazuo Ishiguro
Sobre aquelas idas para fora de pé, tentativas de ler alguma coisa muito fora da minha zona de conforto. Logo na contracapa deu para perceber que tinha tudo para dar errado - duendes, ogres, dragões - mas confiei no autor e foi aquele impulso de trazer uma coisa completamente diferente da biblioteca.
O tema que me chamou a atenção - e que é no fundo a parte mais interessante da história - é a memória. A forma como a falta de memória nos afeta, nos traz dissabores mas nos poupa também de outros tantos. Não ter memórias nem felizes nem infelizes é, a meu ver, viver no vazio. E sendo eu de História, para quem memória é tudo, achei curiosa esta visão de uma aldeia remota mergulhada numa névoa de amnésia.
O interesse começa e acaba aí mesmo...
Um casal de anciãos resolve abandonar a sua aldeia/comunidade para ir em busca do filho, a quem perderam o rasto. Pelo caminho encontram diversas personagens, boas e más e as duas coisas, e percebem o que realmente se passou para o filho estar desaparecido.
Muitos capítulos não acrescentam nada, muitas personagens e episódios também não. Ainda ia no início e vejo no Goodreads que a Tella lhe deu 1 estrela e desistiu sem chegar à metade- talvez isso me tenha espicaçado para conseguir ir mais longe! Passado o meio já foi um bocado teimosia e curiosidade, vá, de saber onde é que o livro ia dar, mas com alguma dose de paciência.
Dei 3 estrelas, porque apesar de tudo fui sempre continuando a ter interesse, mas não recomendo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

A espuma dos dias

 O ratinho na roda e a roda do ratinho, e cá estamos a tentar dar conta de tudo, mil pratos no ar a ver se não caem todos, porque um ou dois vão caindo, isso é garantido.

Esta pós-pandemia, ou pós confinamento geral de 2020 em que tudo parou, trouxe-me mais trabalho por muito menos dinheiro. Sinto que trabalho o dobro do tempo e recebo metade. Estamos naquela fase de tentar aceitar tudo porque há pouco, e o pouco que há não é garantido, e andamos a sacrificar os dias, a família, o tempo de descanso, por meia dúzia de trocos. Até quando?

Os isolamentos também trouxeram amargos de boca, os miúdos meio perdidos quanto às matérias, os trabalhos por entregar, o final do semestre. Entre eles próprios isolados e os professores que também vêm e vão, está o caos instalado.

Os filhos crescidos trazem desafios crescidos também, e entre dramas de como ocupar tempos livres, dramas de como limitar a exposição aos ecrãs, mais as amizades que nem sempre são as mais saudáveis e os trabalhos da escola que ficam por fazer vamos tentando amparar os golpes. Ainda assim prefiro esta fase aos biberons e fraldas - até agora tem mesmo sido sempre a melhorar.

Estou fisicamente a precisar de chuva. Este tempo seco fora da época enerva-me tanto como a chuva em pleno verão. O sol de inverno tem graça por ser raro - semanas a fio de sol em pleno inverno é contra-natura.

Ontem foi domingo e eu trabalhei todo o dia, tal como no sábado aliás. Saí às 18h e apanhei uma grande chuvada a caminho da estação. Os comboios ao domingo ao fim do dia são uma terra de ninguém, e fazem-me sempre pensar que o que me pagam não vale o sacrifício.

Pelo caminho, casos e casos de Covid nas turmas, grupos de pais no Whatsapp ao rubro, sms de códigos que não irei usar nos próximos tempos.

Que tempos estes, hã?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Livro 4/2022

 

Se isto é um homem, de Primo Levi

Daqueles clássicos que era quase uma vergonha nunca ter lido, trazido da biblioteca mais uma vez por estar nos destaques.
Nunca tinha lido nada deste autor, e também nunca tinha lido um relato do Holocausto contado na primeira pessoa. E de repente percebemos de onde vêm as ideias que vamos vendo em livros e filmes, mas da perspetiva de quem lá esteve mesmo, e sobreviveu para contar.
À parte todas as atrocidades que de uma maneira ou de outra não são novidade, impressionou-me profundamente o próprio conceito do livro - um retrato sobre a natureza humana, sobre o que faz de nós de facto humanos, o que resta de nós quando tudo o que conhecemos nos é retirado - a casa, as coisas, a família, o cabelo, a capacidade de decidir seja o que for.
Fiquei a pensar na forma como cada um reage a essa situação, e no modo como aquilo que somos em sociedade desde a pré- História se repete uma e outra vez.
Dois exemplos.
O autor descreve alguns companheiros que o marcaram de uma forma ou de outra, e há um que todos os dias fazia questão de se "lavar" (com água suja e fria, sem sabão, com o perigo de ter as suas "coisas" roubadas ou de ficar doente) por dizer que era a única réstia de humanidade que lhe sobrava - toda a vida este senhor tinha lavado o rosto todas as manhãs como forma de começar o dia, e ali fazia questão de fazer o mesmo, de não se abandonar.
Eu identifiquei-me com este senhor no sentido da tentativa de organizar o caos, de tentar que alguma coisa faça sentido. Mal comparado assim o fiz nos confinamentos, todos os dias houve uma rotina definida, houve higiene feita de manhã e à noite, houve roupa vestida e cabelos penteados mesmo que fosse para ir do quarto para a sala e vice-versa - foi a minha forma de não me deixar levar pela insanidade, e não é melhor nem pior do que todas as outras! E também ali no campo de concentração não houve certos nem errados, houve formas de lidar com a situação diferentes - umas terão contribuído para a sobrevivência, outras não.
O outro exemplo tem a ver como mesmo sem possuir nada de nada, a relação comercial entre as pessoas prevalece. Um pedaço de guita, uma colher, uma taça, botões, tudo eram verdadeiras preciosidades que valiam mais do que o ouro, e que tal como na vida, alguns estão dispostos a tudo para adquirir. A troca e a negociação são intrínsecas à nossa condição humana. O preço era atribuído em porções da ração de pão, tinha variações consoante a situação em que se encontravam - na enfermaria, por exemplo, os "preços" estavam inflacionados.
Até quando os alemães abandonam o campo e antes da chegada dos russos 10 dias depois, a forma como os que ficaram para trás se organizam para subsistir nos mostra tanto do que é a natureza humana, do que é um homem afinal.
O livro termina no dia da libertação de Auschwitz - 27 de Janeiro 1945 - e eu por total coincidência terminei-o no mesmo dia, exatamente 77 anos depois.
Dei 5 estrelas e acho que é de leitura obrigatória.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

4 down, 1 more to go

 E estamos oficialmente livres de isolamentos nos próximos tempos!
A do meio, quando já quase acreditávamos que não ia acontecer, lá recebeu positiva no teste - e o estado de exaustão e loucura é de tal ordem que ela até festejou, acreditem...
Mais uma sem sintomas, praticamente, e claro, estava já farta de estar em casa sem saber quando é teria de voltar a ficar fechada, na cabeça dela era mais fácil apanhar de uma vez e ficar livre do assunto.
E sim, está muita gente a pensar desta forma, eu compreendo, ainda para mais quando vemos pessoas como nós a passar por isto com uma perna às costas, mas não nos esqueçamos da quantidade de gente que já morreu por conta deste vírus, e da incógnita que é para todos os efeitos da infeção a longo prazo...
É tentar não pensar muito no assunto, e acreditar que "vai ficar tudo bem", como se dizia em 2020.
(e ficar atentos a sintomas de fadiga, falta de ar, apatia, febre, nas próximas semanas, que ainda podem aparecer)

7 dias para um e 7 dias para outro e hoje já estão de regresso à escola, prontos para enfrentar os desafios do 2º semestre.
Ficamos só com uma ponta solta cá em casa, que é o pai. A pessoa menos sujeita a ter contacto com o vírus (a trabalhar em casa desde 2020, sem transportes, sem escritório, sem nenhuma atividade que não seja ao ar livre), foi também aquele que conviveu com o dito dentro de casa por 4 vezes, e passou sempre entre os pingos da chuva.
Sorte? Super-imunidade? Negação? Teimosia?
Um dia alguém explicará...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

3 down, 2 more to go

 Mais um na lista de infetados cá em casa, desta vez o mais velho e mais uma vez sem sintomas.
Cá em casa, ao que parece, vamos a conta gotas, um de cada vez.
E com isto a do meio já vai na 3ª semana confinada por conta de outrem, e ao que tudo indica ainda não é desta (aguardamos o resultado do PCR).

E agora, querem que vos diga que tal as aulas online?
Eu cá já ignoro, porque sinceramente já me cansei de mandar mails e refilar.

Não faço ideia se no fim da linha (lá à frente daqui a 5 ou 6 anos) isto se vai notar, mas caramba as diferenças entre o privado - em que os miúdos estão em casa a assistir às aulas todas no horário normal, com tarefas e trabalhos e tudo e tudo - e o público (aulas online inexistentes, envio de uma só tarefa por dia ou menos, professores que nem sequer aparecem na classroom e nunca chegam a aparecer).
Depois digam que há igualdade e democratização... Não há!

Menos mal que há férias intercalares de final de semestre, e com isto só perderam 3 dias de aulas, em vez de 6.
Agora vamos ver quando é que a do meio se decide a positivar, para tirarmos os isolamentos da equação de uma vez!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

A vida pós-Covid

Já há que tempos tive esta conversa com uma amiga, até que ponto a nossa vida vai ser alterada por causa da pandemia, será que em algum momento voltaremos ao "normal"?

Há coisas em que acho que sim. Achei sinceramente que nunca mais voltaria a usar sapatos em casa, e cá estou eu de ténis calçados a escrever este post. Que se calhar não voltava a dar beijinhos a toda a gente, e muito rapidamente percebi que sim.

Dito isto o que me pergunto é se em algum momento vamos ver a pandemia passar, de vez. Quanto tempo mais temos pela frente?

Aquilo que me apercebi depois de ter estado infetada, e sem sintomas, é que de facto num instante nos esquecemos deste "novo normal" em que nos encontramos agora. Depois de duas semanas de testes intensos, ouço falar em teste covid e já quase que digo "hã?" - já saiu da minha órbita.
Sei que os meus dois filhos mais velhos ainda não tiveram, pelo que a qualquer momento o isolamento e os testes terão de regressar, mas em dois dias de vida normal (quando regressaram à escola) parece que esqueci que existe covid.
E quando saí de casa a primeira vez percebi o quanto a pandemia nos afeta, o quanto está lá na nossa cabeça mesmo que achemos que não. Sempre fui descontraída, nunca tive um medo avassalador da doença porque sempre achei que temos saúde para a combater - acho que fui, como toda a gente aliás, alternando entre mais ou menos cuidado, mas nunca senti que estivesse obcecada com isto. No entanto, vendo-me temporariamente "livre de perigo" senti um alívio que não estava à espera: mesmo sem querer esta porcaria está a afetar a nossa saúde mental.

Se assim é em mim que sou adulta e para quem estes dois anos são uma gota de água no oceano de anos que já vivi (que poético!), imaginem nas crianças para quem dois anos são 1/3 ou metade da vida, ou a vida toda (e muitos com pais muito preocupados mesmo), ou nos jovens que deveriam estar a viajar, a sair, a festejar, e têm a vida toda dificultada.

Quanto tempo mais teremos de viver com isto, e quais as consequências verdadeiras disto tudo?
Saímos todos diferentes de tudo isto, disso já não restam dúvidas...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

5 anos

Fez a nossa mais nova ontem.
Estive a ler os posts que fiz sobre ela aqui no blog e tenho a sensação que me repito, mas acreditem que ela é mesmo assim muito espetacular, um presente para todos nós.
Li que há um ano ainda usava chucha e fralda de noite, eu sinceramente não me lembrava já, mas este ano deixou de usar.
Já lhe caiu um dente, e foi uma festa - desde o dia em que começou a abanar, até ao fim com os manos a tentar arranca-lo com fio dental (e acabou por cair naturalmente à mesa com todos e claro, fizemos uma festa).
E é muito isto que ela trouxe a nós 4: motivos para festejar - o dente que abana, a ida para a escola nova, fazer um teste covid sozinha, dormir toda a noite na sua cama, tudo é celebrado por uma pequena multidão de dois adultos e dois pré-adolescentes!

Na véspera de fazer anos quando se foi deitar disse-lhe "temos tanta sorte em ter-te!" e ela respondeu "não mãe, eu é que tenho sorte!"

I rest my case. Melhor filha de sempre. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

16 anos!

Desde o dia em que chegámos à Holanda!
16 anos a viver juntos, a partilhar casa, declaração de IRS e contas do gás e tantas coisas mais.

16 anos desde que nos metemos no carro com muitas mais coisas do que precisávamos, e fomos oficialmente rumo ao desconhecido. Tão desconhecido que para esta mesma noite não tínhamos nada reservado (e chegamos a Roterdão eram umas 22h, um frio de rachar e a chover, e nós sem ideia onde íamos ficar, mas ainda assim não me lembro de estar minimamente stressada com isso...).

Uma semana depois e tínhamos alugado casa, estávamos inscritos nas agências de emprego e dávamos os primeiros passos nisto de viver a dois.

Se fazia tudo outra vez? Ah... podem crer que sim!

(e um agradecimento à cunhada que assinalou a data no nosso calendário evitando que acontecesse o que aconteceu nos últimos 15 anos que foi passar-nos a data ao lado!)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Liberdade

Tivemos então ordem de soltura, e a partir de amanhã podem os três regressar à escola - dois negativos e uma recuperada.

Apesar de termos todos os cenários em cima da mesa, sei que se não tivéssemos alta agora ia ser muito complicado gerir a situação...
Vamos agora ver quanto tempo dura a liberdade, pois ou eles já estiveram positivos sem darmos por nada ou se apanharem terão mesmo de voltar ao isolamento. 
Agora é aproveitar cada momento!

Que comece 2022, caraças!

domingo, 16 de janeiro de 2022

Menina crescida

 Só para informar que a nossa mais nova está crescida (por dentro e por fora):

  • já lhe caiu um dente
  • pede para fazer o teste covid sozinha, entra, senta-se na cadeira, respira fundo e espirra no fim. Nem uma hesitação, nem uma lágrima, nem uma mão dada à mãe ou ao pai, nada. Assumiu que tem de fazer e faz.
É a maior.
(e esta semana faz 5!)

Livro 3/2022

 

O Carteiro de Pablo Neruda - Ardente paciência - de Antonio Skarmeta
Herdado do meu pai, e aqui esteve 2 anos à espera de ser lido (como tantos outros, aliás).
Convém dizer que nunca vi o filme, mas claro que fiquei com vontade de ver.
Correspondeu às expectativas. Muito fácil de ler, muito simples a narrativa e a história, mas com um certo encanto - tal qual tantos outras obras de escritores sul americanos (não podia mesmo ter sido escrito noutro continente).
Dei 4 estrelas e recomendo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

2 down, 3 more to go

 E eis se não quando, ao 7º dia de isolamento é a mais nova a testar positivo.
Mais uma voltinha, menos uma viagem, e mais 7 dias de isolamento (para eles, que eu já tive alta!).
Muita frustração e ranger de dentes, e estamos de volta ao maravilhoso mundo das aulas à distância.

Tendo em conta que somos 5 cá em casa, mantendo este ritmo de um positivo por semana é possível que estejamos de regresso ao normal lá para Fevereiro...

(suspiro...)

No entanto, pensamento positivo: tal como eu a mais nova está também assintomática, e por isso até agora tirando a chatice o Covid não nos afetou em demasia.

Para a semana logo vos conto.

Livro 2/2022*

 

Ema, de Maria Teresa Horta

Trazido da biblioteca atraída pelo nome do livro, e pela autora - aliás foi um sucesso entre as miúdas cá de casa quando cheguei a casa com um livro chamado Ema (a do meio) escrito por uma Maria Teresa (a mais nova!).
Na formação para professores falo sobre as Novas Cartas Portuguesas, e isso trouxe à memória a Maria Teresa Horta - estive a ver entrevistas dela na época, e a ler artigos sobre a importância internacional que tiveram para o feminismo, e por isso foi mesmo juntar a fome com a vontade de comer trazer este livro para casa.
Gostei muito. É, como seria de esperar, também ele um manifesto feminista, uma tentativa de dar voz às mulheres que durante séculos foram caladas. Três gerações, três Emas cuja história se entrelaça - no início temos dificuldade em perceber qual é a avó, a mãe ou a filha - e alternam, mas cujo fim de cada uma foi tantas vezes o fim de tantas e tantas mulheres vítimas de violência doméstica ao longo da História.
Dei 4 estrelas, e recomendo.

*decidi este ano não enfatizar o meu objetivo de livros - que são 24, já sabem - e ir apenas contabilizando quantos leio à medida que avanço. Assim dou ênfase ao que já li e não ao que me falta ler.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

24 livros

 É o que me proponho a ler este ano.

Iniciei estes desafios da app Goodreads em 2019, em que me propus ler 19 livros e acabei a ler 41 (um record pessoal).
No ano seguinte, cheia de motivação, elevei a fasquia para os 53 - um por semana - no belíssimo ano de 2020. Não aconteceu, li 28 (e fiquei frustrada com o resultado, claro...).
2021 baixei novamente a bitola para os 35 - atingível mas ainda assim alta. Também não aconteceu, fiquei-me pelos 23. Não fiquei frustrada e sei que consigo ler muito mais (aliás para dizer a verdade li muito mais do que isso, mas coisas que não contabilizo).

Este ano cá em casa lancei o desafio a todos os elementos que sabem ler, e assim: pai e filho mais velho ficaram de ler 12 livros (um por mês, conta clássica), e mãe e filha do meio escolheram 24 (dois por mês).
Parece-me facilmente atingível, pelo que ponderei elevar o meu número no Goodreads, mas sei que a minha vida profissional está longe de decorrer tranquilamente, pelo que dois livros por mês num ano agitado já me parece bastante bem.
Qualidade e tempo para interiorizar em detrimento da quantidade, parece-me um bom critério. Manter a diversidade de autores, também.

Quem se junta a nós neste desafio?

sábado, 8 de janeiro de 2022

Livro 1/2022

 


Mais pesado do que o céu - a biografia definitiva de Kurt Cobain, de Charles R. Cross

Arrancamos o ano com um calhamaço de 500 páginas, começado mesmo no último dia de 2021, e muito beneficiado pelo meu isolamento, que me permitiu dedicar boas horas à leitura, e melhor que isso, a ir confirmar episódios, recordar canções, verificar letras à medida que ia avançando na leitura.
Adorei.
Que viagem aos anos 90, que regresso à minha própria adolescência - recordo tão bem o que ouvi a cassete do Nevermind, e perfeitamente também o momento em que soube da sua morte (estávamos numa aula e um amigo meu ia apresentar um trabalho e começou por projetar uma homenagem ao seu ídolo que tinha morrido - eu nem queria acreditar, e nem sei dizer quantos dias depois da sua morte é que isto aconteceu, lembro-me da necessidade de ir confirmar a notícia algures - na era pré-internet e pré-MTV era tarefa bem complicada, como sabem).
O livro foi escrito em 4 anos e reúne mais de 400 entrevistas, e parece-me ser uma biografia bastante isenta e sem juízos de valor. É de facto uma viagem de amadurecimento vermos um icon da juventude dissecado desta maneira, perceber a importância que teve o divórcio dos pais, as discussões que os pais mantiveram um com o outro, o facto de ter ido viver com o pai, a relação super conflituosa com a mãe, o ambiente de profunda pobreza - económica, cultural, espiritual - em que cresceu. Adorei saber o contexto em que foram escritas as canções que marcaram a minha juventude, que quando chegaram até mim já a vida dele tinha dado uma volta tão grande (entre a escrita das canções e o lançamento do álbum a vida dele muda radicalmente) - saber de onde vem o título "Smells like teen spirit", quem era a rapariga de "About a girl", reconhecer o episódio que vai levar a "Heart shaped box" - tudo músicas que fui revisitar e que conheço de cor, algumas apesar da dificuldade em as interpretar.
Era um músico excepcional, um verdadeiro poeta, com uma voz maravilhosa, mas uma pessoa tão perturbada, tão cheia de conflitos e contradições, com tantos defeitos... a partir de certo momento já eu conseguia adivinhar como é que ele iria reagir a determinada situação. E fica o aviso: muito do que ele disse em entrevistas ao longo da vida é mentira, ou pelo menos exagero.
Um verdadeiro case-study psicológico.
E infelizmente aquilo que se dizia em 94, e agora depois de ler o livro tenho a certeza, os Nirvana estavam acabados, e a carreira de Cobain não iria durar muito mais com certeza.
Fica a sua música que marcou toda uma geração e influenciou tantas e tantas bandas. Foi um marco.
O próprio sucesso deles apanhou toda a gente de surpresa - a previsão de vendas de Nevermind rondava
os 50 000 cópias, chegou ao milhão em muito pouco tempo. E aconteceu sem manobras de marketing por trás, eles eram eles próprios sempre, e nem conseguiriam ser de outra forma. As canções de um miúdo esquisitóide de uma terrinha no meio do nada a chegarem aos tops mundiais, e a fazerem História até 30 anos depois.
Ofereci este livro ao marido cá de casa, para quem os Nirvana são "a banda".
Dou 5 estrelas e recomendo muito a quem foi fã da banda.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Pensar positivo

Disse pensar?
Queria dizer testar, que foi o que me aconteceu ontem.
10 dias depois do contacto com a pessoa infetada, menos de 24h depois de ter feito um autoteste negativo e já a achar que me tinha livrado, cá estou.
Sem sintomas e com o resto da população cá de casa negativa (claramente nestes 10 dias já tiveram e deixaram de ter, achamos nós!), o que resta é mesmo ter paciência e pensar positivo.

Li no outro dia no instagram "se não tens amigos com COVID é porque não tens amigos!" - quem é amiga, quem é?

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

2021 em revista

 Esse grande clássico ano após ano, este grande momento que reflexão que é o início de um novo ano.

2021 foi, como todos sabem, profundamente estranho, e por aqui não foi diferente.
Começou com o novo confinamento, logo após o advento das vacinas, e eu sinceramente jamais o esperei - achei mesmo que as escolas não iam voltar a fechar, e foi para mim um confinamento muito difícil de gerir por isso mesmo.
Em muita coisa foi "melhor" que o primeiro - nunca confinamos completamente, mantivemos o contacto com avós e tios e primos mais próximos - mas a mim parece que custou o dobro, talvez pela gestão de expectativas, não sei...
Esta nova chapada com a realidade, com a minha situação laboral descartável (a escola fechou e eu que estava a dar aulas fiquei outra vez sem nada), mais os miúdos em escola online outra vez... foi chato, foi deprimente e foi complicado.
A meio comecei a dar explicações online, e foi de certa forma a minha tábua de salvação. O centro de explicações tem uma filosofia muito gira, e de certa forma apostaram em mim às cegas - foi sem dúvida uma lufada de ar fresco na minha vida, apesar de toda a complicação e nervos que acarretou.
Com isto, os primeiros meses do ano levaram-me a pensar e repensar a minha vida profissional - cada vez mais longe dos museus e mais ligada à escola. Questionei se deveria dedicar-me à educação, voltar a estudar, tirar uma especialização em ensino, ir dar aulas.
Depois chegou o Dia dos Museus, e fui passar o sábado a fazer atividades com miúdos no Museu de Arqueologia. E cheguei ao fim do dia, respirei fundo, e decidi que não quero mesmo afastar-me dos museus, é onde de facto me sinto feliz.
A partir de Junho a vida profissional animou, houve exposições novas e outros desafios, e uma confirmação do que senti nesse Dia dos Museus - sacrifícios e investimento da minha parte serão nesta área, tudo o resto será para a complementar (sem fechar portas a nada, claro, que a situação de recibo verde mantém-se e não há perspetiva de se alterar...).

Fora destas questões profissionais, foi um ano em que fiz exercício a maioria dos dias, e acho que sempre com a minha "amiga" Heather Robertson - foi uma descoberta do fim de 2020, e sem dúvida vejo resultados e mantenho a motivação. Comecei ontem um novo programa de 12 semanas. Tendo tido algum cuidado com a alimentação, acabo sempre por cair nos mesmos erros, e vou alternando entre fases mais regradas e outras de festas (seja de anos, de Páscoa, férias, Natal) e por isso apesar de me ter sentido muito bem durante o verão (operação bikini 2021 em pleno!), sinto que tenho de me esforçar mais para dar um passo além na boa forma. Não saio da cepa torta.

Foi um ano em que senti claramente que a minha situação financeira se ressentiu da pandemia, e decidimos cortar em algumas coisas (restaurantes, por exemplo) para poder aproveitar outras (viagem a Roma).

A viagem a Roma foi o ponto alto. Foi o aceitar que de facto não dá para viajar todos, mas podemos ir só nós, que só nos faz bem. Aproveitámos ao máximo, apesar de não ter preparado a viagem (tive stresses de trabalho até à véspera!), sinto que foi um bálsamo para nós e uma óptima maneira de começar um novo ano letivo.

Os miúdos cá de casa cresceram bastante, como seria de esperar. Houve mudanças de escola (2), de atividades (algumas), de rotinas, de dinâmicas entre eles também. Parece que vamos alternando entre momentos 24h juntos (como agora!) e outros em que mal nos vemos.

Foi um ano em que mais uma vez perdemos um bocado a noção do tempo, porque os marcadores habituais perderam-se. Lembro-me de algumas situações e não consigo identificar quando aconteceram exactamente. Ter sido um verão sem grande sol e calor também não ajudou.

Em 2021 li 23 livros, fui ao cinema 1 vez (filme infantil), ao teatro 1 vez. Não fui a nenhum concerto nem bailado. Vi 2 séries de 6 episódios (Queen's Gambit e La Casa de Papel - uma em Janeiro e uma em Dezembro) e não me lembro se vi algum filme mais do que os dois que referi aqui no blog - ambos em Janeiro (Variações e Pieces of a Woman). Vi notícias quase todos os dias, e li o jornal no telemóvel também quase diariamente (os títulos, vá). 

Para 2022 não há expectativas nem grandes resoluções.
Há uma lista de coisas que gostava de fazer, mas se não for agora, olhem... fica para o ano!

Feliz ano novo, caros leitores!!!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

2021 em livros (com base no Goodreads)

Fiquei a 68% do meu objetivo de leitura, que eram 35 livros este ano.
Não aconteceu, mas em nenhum momento me senti a falhar um objetivo, pois não incluí na lista tudo o que li ligado ao trabalho, pois se o fizesse, entre catálogos e artigos chegava facilmente ao fim com saldo positivo.

Aqui vão os dados:

23 livros
6 927 páginas

Livro mais curto: A Metamorfose (96)
Livro mais longo: O Bisavô (784)

Mais popular: A História de uma serva (3138 610 de leitores)
Menos popular: Segredos de Lisboa (38 leitores)

Média de pontuação: 4.1 estrelas

Este ano marcou algumas diferenças em relação aos anteriores - li muitos livros que cá tinha (herança), mas comprei alguns novos (o que é novidade), e no fim do ano regressei à biblioteca que é coisa que me dá enorme prazer, devo dizer. Deixei livros a meio (de momento só me ocorre um, do Charles Bukowsky mas acho que houve mais), e li dois livros em simultâneo (um em casa outro nos transportes) sem problema nenhum.
Tive alguma preocupação de trazer alguma diversidade de género e raça de autores: sair um pouco do escritor homem caucasiano, ler mais mulheres e pessoas de outras origens - nem sempre consegui, fica a intenção para 2022.

Penso que no geral foi um ano morno de livros, não li nada de espetacular, nem apanhei grandes secas como já aconteceu. Também não persegui o objetivo dos 35 livros, nem andei a ler livros pequenos para o conseguir atingir (coisa que já aconteceu).
Foi um ano intelectualmente exigente, em que a leitura foi feita mesmo por prazer, e sem poder ser algo muito complexo, que para isso bastou o trabalho.
Sinto que ainda assim, poderia ter lido mais, e estado menos nas redes sociais - fica esta intenção também para 2022.
Resta pensar qual será o objetivo para o próximo ano - tenho de pensar sobre isso!

Boas leituras, queridos leitores!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Pontos nos ii - o trabalho em 2021

 Muitas vezes falei nele este ano, no quão desafiante foi e nos não sei quantos projetos em que me meti, e acho que foi um ano tão marcante profissionalmente (sendo que acaba como começa, que isto na minha área não é uma escada, é só um labirinto!), mas foi tão marcante que merece que seja esmiuçado ponto por ponto:

Fevereiro: apoio pedagógico online
Que é como quem diz, explicações por zoom. Vi o anúncio na net e mandei o CV, coisa que aliás fiz um sem número de vezes ao longo destes anos. Uma resposta e uma entrevista via zoom, e a informação de que a minha falta de experiência seria compensada pela criatividade - pelo fazer as coisas fora da caixa, como tenho feito enquanto educadora artística. Foi daqueles desafios em que tive de pensar antes de aceitar, porque se por um lado foi uma tábua de salvação em pleno confinamento, sabia que me estava a meter em terreno completamente desconhecido. E lá fui. Tive um total de 8 ou 9 alunos, todos de 1º ciclo. O conceito do centro seria ajudar os miúdos com a escola online, tirando aos pais essa responsabilidade (esse papel duplo de pais e professores, que já se sabe não acaba bem). Adorei os miúdos, sinto que conesegui fazer a diferença na vida deles, mas caramba, que trabalho tão exigente! Cada aula era um desafio diferente, eles todos a aprender coisas diferentes, com situações familiares únicas (e sim, eu estive em casa de todos eles, vi as mães, pais, os manos e animais de estimação e tudo e tudo), para 1 hora de aula eram uma data de horas de preparação. E o mais dificil de tudo: a matemática! Nunca investi tanto a tentar perceber matemática como este ano, e confirmei que já temia: fui mesmo para fora de pé!
Foi uma experiência para lá de enriquecedora, que me salvou do tédio em pleno confinamento, que me deu que fazer e pensar, que me obrigou mesmo a fazer o impensável - se não tivesse havido mais nada de insólito este ano, eu a dar explicações de matemática já era suficiente!

Junho: exposição Tudo o que eu quero

A exposição abriu em Junho, mas antes disso houve meses de preparação, reuniões etc. Foi uma honra participar neste projeto, e um prazer enorme fazer visitas nesta exposição. Foi uma pena não estar patente durante o ano letivo, só apanhámos poucas escolas, mas foram meses intensos e muito preenchidos, que me fizeram mergulhar no mundo das artistas, ler mais sobre feminismo, pensar de forma crítica sobre o difícil que ainda é ser mulher no século XXI. Super apaixonante.

Setembro: Museu do Dinheiro
Fui à entrevista para colaborar com o Museu do Dinheiro corria o ano de 2016 - estava com uma grande barriga de grávida, fui aceite e fiz a formação já de 8 meses, com um banquinho atrás para me ir sentando pelo caminho (e toda a gente se lembra de mim!). Entretanto aquilo passou por um processo de reformulação e a minha colaboração ficou em águas de bacalhau. Até agora. É um tema diferente, fora da minha praia também, mas o projeto é aliciante, a equipa é muito porreira, e é um sítio onde me senti muito valorizada e bem recebida. Tem um horário fixo, daí que tenha ocupado muitos dos meus fins de semana, o que me custa pelos miúdos, mas não posso dizer que me custe pelo trabalho. Vou sempre feliz da vida.



Setembro: Ídolos - Olhares Milenares


Comecei a colaborar com o Museu de Arqueologia corria o mês de Março de 2020. Tinha feito só uma visita quando estalou a pandemia, e achei sinceramente que uma relação tão fresca não iria durar. No entanto a responsável do Serviço Educativo não me deixou para trás, e também me incluíu na preparação desta exposição - fui à conferência de imprensa ainda no fim de 2020, e à pré-inauguração logo no dia a seguir à primeira dose da vacina, nem sei bem onde tinha a cabeça. Foi um projeto megalómano, uma exposição muito bem conseguida, e um tema que não tem nada a ver com o que costumo trabalhar, pelo que foi um enorme desafio - que infelizmente não se traduziu num número espetacular de visitas, mas pronto, penso que isso também marca este ano: muito trabalho e pouco rendimento. Acredito que nada se perde, e o que estudei para esta exposição servirá para outras no futuro.

Setembro: D. Maria II de Princesa brasileira a Rainha de Portugal

Outra exposição de que muito me orgulho de ter feito parte, e outro desafio gigante. Esta senhora teve uma vida curta, mas tão intensa, que foi também preciso uma enorme preparação para fazer visitas. Sendo uma exposição com muita informação e textos de parede (ao contrário das outras), acho que as visitas ajudavam bastante a digerir tudo e contar a história desta rainha que eu fiquei a admirar de sobremaneira. Uma miúda de 15 anos no trono de um reino falido, politicamente instável, que governou durante 19 anos estando sempre grávida ou com um recém-nascido - e conseguiu de forma tão hábil conciliar a vida profissional com a familiar, tendo uma relação próxima com os filhos, coisa que não era nada habitual na época.

Novembro: Formação de Professores - Artistas Portuguesas
No seguimento da exposição Tudo o que eu quero, fomos contactadas para realizar uma formação para professores na área da cidadania e igualdade de género. Outro desafio, outra novidade, pois nunca tinha feito nada parecido. Correu muito bem, e é de facto muito compensador ver os projetos implementados, pensar que há alunos em todo o país que vão ter contato com artistas tão importantes na nossa História com base no que foi falado nesta formação. Super enriquecedor, e muito stressante também, que nestas coisas há sempre mil burocracias a ter em conta...

Em linhas gerais foram estas as novidades que 2021 me trouxe, a juntar aos sítios onde já colaborava (menos os palácios de Sintra, que não contactaram ninguém depois da pandemia, coisa que me entristece profundamente, que ninguém merece ser assim tratado mas são ossos do ofício...).
2022 já começa com um novo desafio, mas sobre isso falarei no próximo ano.

2021 foi marcante, desafiante, foi um balde de água fria e um teste à minha resiliência. 
Acho que passei a prova.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Livro 23/35 2021

 

Os Grandes Faraós do Antigo Egito, de Luís Manuel Araújo

Lido meio por trabalho e meio por prazer, trazido da biblioteca e lido ao mesmo tempo que o anterior.
Não é preciso ser mestre em egiptologia para conhecer o nome do autor - é só o maior entendido no assunto em Portugal.
Sendo um livro técnico, é facilmente lido por quem é apaixonado pelo tema.
A meio da leitura e estando a caminho do Museu de Arqueologia recebi fotografias de uma colega que tinha acabado de regressar de lá - se a inveja matasse eu tinha ficado logo ali...
É mesmo uma civilização apaixonante, e estranha ao mesmo tempo.
Dei 5 estrelas.

Livro 22/35

 

Contos de São Petersburgo, de Nicolai Gógol

Recomendado por uma colega de trabalho, e comprado na Feira do Livro deste ano.
É um clássico da literatura russa, talvez não tivesse sido a melhor altura para ler (por uma questão de atenção e ou falta dela, vá).
Gostei, mas não adorei. É diferente de tudo o que li antes, gostei dos contos e do sentido de humor do autor, da falta de senso (como se traduz nonsense?) de alguns pormenores.
Dei 4 estrelas, mas sei que não me marcou.

Muitos posts em atraso por aqui

 Já que o mês de Dezembro foi mesmo o culminar de um trimestre tão intenso de trabalho, que nem soube muito bem por onde me virar...
Isto de trabalhar aos fins de semana e fim do dia, quando se tem três filhos, não é fácil. Não é não senhor.
Foram sábados e sábados a chegar a casa às 19h30 e dias de semana com formação até às 21h, com tudo o resto que costuma acontecer a essa hora a ficar em stand by (roupa, jantares etc, mas principalmente o meu descanso que tanta falta me faz!).
Sobrevivemos.

Na última semana tivemos 4 dias de oficinas que foram mesmo de levar ao limite. Ao contrário do que sempre acontece tivemos um grupo exclusivamente de rapazes, vários já bem crescidos, e ainda para mais calhou chover a semana toda! Além disso estávamos a trabalhar na sala em frente onde estava a decorrer o concelho de ministros extraordinário (e consequente conferência de imprensa), a ser adiada hora após hora, e os miúdos a ter de ficar em silêncio. Foi mesmo, mesmo, um filme!
Também sobrevivemos.

Por fim conseguimos ter um Natal com tudo a que temos direito! Foram 3 dias de celebração - 24, 25 e 26 - a destacar o único encontro com irmãs e sobrinhos todos em 2021 (ao longo do ano faltou sempre alguém...).

Sim, agora estamos todos confinados, porque claro que os casos andam a pipocar à nossa volta, mas por agora posso dizer que valeu a pena - assim não haja casos graves.
Havemos de sobreviver!

Boas festas, malta!

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Do trabalho

 2021 ficará marcado sem dúvida como o ano em que mais coisas fiz, e desafios novos enfrentei.
Achei que já estavamos a acabar mas afinal em Dezembro ainda havia tempo para entrar em mais um museu. Irei fazer um post sobre isto, porque de facto foi um ano com tanta coisa interessante e diferente, que merece ser partilhado - e guardado para ler daqui a um tempo se isto tudo fechar outra vez e para quando eu achar que não há solução para a minha vida profissional.
Há que manter a resiliência, a força de vontade, a motivação e o amor à camisola (às muitas camisolas que temos de vestir!). mas caramba que não há profissão melhor que esta!

Mediadora artística e cultural para sempre!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

O 1º post de Natal de 2021

 Para que fique registado:

Dia 1 fizemos a árvore - e como em tudo na nossa família por insistência da nossa ritualista/tradicionalista/entusiasta do Natal, que é a nossa filha do meio (e a mais nova por enquanto também). O pai não fez frete nem refilou de ir buscar as coisas à arrecadação (ponto para ele), e eu acedi a montar a dita depois de um dia de trabalho longo e cansativo, a chegar a casa às 19h30 (fins de semana e feriados há menos comboios e tenho de sair mais cedo e chegar mais tarde, sem comentrários - e ponto para mim). O mais velho esteve de trombas e sem vontade nenhuma, claro, até meio do processo, depois lá lhe passou.

Dia 6 comprei os primeiros presentes.

Não há grande volta a dar, acho que o espírito de Natal me atinge lá para dia 10, e por muito que tente (não foi o caso) ir adiantando as coisas e despachar o que pode estar despachado, nunca acontece. E verdade seja dita, com mais ou menos stress, no dia certo está sempre tudo pronto. É o que vale.

A grande incógnita é mesmo onde e como vamos passar o Natal, se regressamos às tradições de sempre ou se ainda temos restrições este ano...

Ho ho ho, queridos leitores. 
Que comece o Natal.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Mais de 20 anos a usar e-mails...

 ... e continuamos na saga do Reply to all (ou Responder a todos, conforme o caso).

Porquê, senhores?
...que canseira de pessoas, pá.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Os anos passam...

 ...e a dúvida mantém-se: natal em Novembro para quê? Qual é a pressa mesmo?

Ah e tal, a época do Natal passa tão rápido que é para fazer render...
O que passa rápido são as férias de Verão, malta. Tudo o resto leva o tempo que tiver de levar.

Novembro é S. Martinho e Outono.
Dezembro é Natal e Inverno.

Não percebo esta pressa.


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Ainda o minimalismo

Mais do que de roupa, o que preciso mesmo é de uma máquina de roupa que funcione.
Não é que não tenha roupa - tenho sim!- o que não tenho é roupa que chegue para duas semanas de trabalho sem lavar.

Uma amiga fez há uns anos um desafio em que passou mais de 100 dias sem repetir uma única peça de roupa.
Eu não consigo passar 7.
(e está tudo bem, em ambos os casos!)

Mas o que me faz falta mesmo é uma tal peça que vai por a máquina a funcionar outra vez.
Até lá percebemos que conseguimos lavar roupa com água fria, e assim nos vamos mantendo.
Roupa nova talvez nos saldos!

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Livro 21/35 2021

 

Apenas miúdos, Patti Smith
Quem me falou neste livro já há alguns anos foi uma prima, e eu fiquei desde então com vontade de o ler. Percebi que não havia na biblioteca da zona, e que ninguém tinha para me emprestar (ou tinha, mas não naquele momento). Numa ida à Fnac o mês passado dei de caras com ele e já não o larguei mais.
É um retrato de NY do final dos anos 60/início dos 70, em que a autora - a cantora Patti Smith - nos conta a história de amor que viveu com o artista Robert Mapplethorp. Tem partes de uma absoluta beleza poética, outras que são duras de ler, mas ao mesmo tempo é um livro maravilhoso para quem, como eu, é fascinada pelo ambiente e época referida - da música às artes plásticas foi uma época que tanto teve de glamouroso como de decadente.
E os protagosnistas têm uma relação tão gira, tão cumplice, que parte de uma relação amorosa para algo completamente diferente, uma amizade quase de irmãos gémeos.
Achei também muito interessante saber mais sobre os inícios das carreiras de ambos, ela que nunca se imaginou a dedicar-se à música, ele que estava tão longe da fotografia que o celebrizou. E em ambos aquela entrega total à arte, aquele viver e morrer pela arte, o fazer as coisas e tentar vingar dentro de um meio tão difícil, às vezes com fome e a dormir ao relento mas sem nunca desistir - uma dedicação à arte pela arte que acabou de facto com um enorme reconhecimento.
Ela diz às tantas, referindo-se a um grupo de artistas que de todos eles é a única sobrevivente - uns sucumbiram às drogas, outros suicidaram-se, outros tantos (como o Robert) morreram de SIDA.
É uma geração que está ali entre o auge do rock e o início do pop, que nos deu grandes artistas, e ambos acabam por ser bons exemplos (goste-se ou não da sua arte).
Única nota negativa seria para a tradução, que em alguns momentos acho que não esteve à altura.
Dei 5 estrelas e recomendo.

Sobre esta fase agitada, um apontamento

 Para ajudar na festa em que me encontro a ter de concretizar o (talvez) último desafio profissional do ano (de dimensão considerável, mas intercalado com outros desafios de menor dimensão - ou pelo menos coisas que são mais dentro da minha praia) eis que resolve avariar:

A máquina da roupa
A máquina da louça
O carro

O telemóvel da do meio também se espatifou sem razão aparente, mas isso já nem conta (anda com um todo partido, paciência).
Bem posso dar corda aos sapatos e apertar o cinto, que o porco mealheiro não estava a contar com isto...

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Sobre o (meu) minimalismo

Vocês já não se lembram mas corria o ano de 2019 e "japonesei" a minha casa - ou seja destralhei aplicando o método KonMarie.
Na altura fiquei muito orgulhosa, pois consegui reduzir o meu guarda-roupa aos mínimos indispensáveis, ficando só com o que gosto e uso mesmo. Não gosto de grandes coloridos nem padrões, pelo que na altura fiquei com um maravilhoso armário-cápsula com apenas 25 peças de roupa de tons neutros penduradas.
Sim, entre vestidos, saias, calças, tops de pendurar e casacos de malha eram apenas 25 peças. Mas eram 25 peças top, que conjugam todas umas com as outras, permitindo looks para todas as ocasiões.
Entretanto o tempo passou, algumas peças entraram, outras saíram, como deve ser.
Recentemente a minha vida profissional deu uma volta - ou várias, mas uma delas foi deixar de colaborar com vários locais que exigiam farda e começar noutros que não tendo farda, pedem um dress code específico. Para ajudar à festa, temos a máquina da roupa meio avariada, a funcionar apenas em circunstâncias específicas.

E pronto, eis que temos esta que vos escreve a penar todas as manhãs por não ter nada para vestir.
E sem tempo - quem diz tempo diz paciência, e quem diz paciência diz dinheiro - para ir às compras.

Minimalismo, a quanto obrigas!

terça-feira, 9 de novembro de 2021

São fases

 Tinha eu os dois mais velhos bem pequenos, essa fase tão caótica como intensa na minha vida, e respondi com o título deste post à pergunta: "o que dirias a ti mesma antes de ser mãe?"

Foi das coisas que mais cedo me apercebi, tudo são fases mesmo, e se quando temos um recém-nascido as fases deles se ultrapassam em catadupa, também agora quando damos por ela já mais uma fase passou.
E não, não falo apenas dos miúdos e das fraldas, chuchas e afins, também nós adultos (ou quase, já se sabe!) passamos por diferentes fases, individualmente e em família também.

Num jantar de amigos comentámos isso mesmo, como de repente um grupo de 6 ou 7 famílias não há duas a viver a mesma "fase". 
Também nos meus novos desafios profissionais vou tendo contacto com colegas mais velhos, e outros muito mais novos, e vamos trocando experiências - e não há ninguém na mesma "fase" que eu! 
Mas o bom disto tudo é podermos ver as coisas boas que as próximas fases nos trazem, e ao mesmo tempo dar uma mensagem de esperança a quem está umas quantas fases atrás de nós!

Mais uma vez repito o que disse há uns posts atrás sobre haver um tempo certo para tudo - para as jantaradas e saídas, para pijamas e sofá, para as noites mal dormidas e sonos profundos, para copos de vinho e canecas de chá, para trabalhar afincadamente ou parar e refletir sobre o futuro - qualquer que seja o mal ou o bem podemos agarrar nesta ideia: são tudo fases!



segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Sobre o trabalho

Que tem sido muito e bastante variado. Não me posso queixar.
Esta semana de trabalho vai ter 7 dias, e as próximas vão ser no mesmo registo.

Pena que a conta bancária não acompanhe o aumento do volume, mas é um dos males pós-pandemia: trabalhamos mais e recebemos menos, estamos dispostos a tudo, dizemos a tudo que sim, cheios de medo que volte tudo a fechar e irmos todos ao tapete outra vez...
Até lá, é esbracejar para não ir ao fundo.
Mas repito que não me posso queixar porque estou tão feliz por ter trabalho... 

Ser freelancer tem o seu quê de esquizofrénico.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

1º dia de outono

Sempre assisti à minha mãe a ficar deprimida com o fim do verão. Falava muito nisso a partir do fim de setembro, com os dias mais curtos, e então com a mudança da hora pior um pouco - era uma "neura", usando a sua expressão.

Como temos tendência para ficar parecidas com as nossas mães, ou então no seu oposto, depois de uma adolescência e juventude a mal dizer o fim do verão e a chuva e a noite às cinco da tarde, pois que cada vez mais aprecio o que cada estação tem para nos oferecer.
E não, não tenho neura nenhuma por ter acabado o verão, muito menos com a mudança da hora - que tanto me ajuda a conseguir acordar cedo de manhã e ter manhãs mais tranquilas, e deitar mais cedo também indo para a cama a horas decentes (é só seguir o relógio biológico e tudo acontece uma hora mais cedo - e guess what, a hora que "perdemos" à noite ganhamos num momento muito mais rentável, que é a manhã).

Este ano consegui a proeza - sem esforço nenhum! - de nem sequer sentir aquela nostalgia do último mergulho, tive um setembro tão cheio de novidades, e com uma viagem pelo meio, nem me ocorreu que de facto a época balnear estava a terminar (é a minha preferida, que isso fique bem claro).

E assim foi com um sorriso que vi na previsão que os primeiros dias de outono de facto chegavam esta semana - é época disso mesmo, de castanhas e folhas laranja no chão, das abóboras e dióspiros, de trocar as sandálias pelas botas fechadas e viver o que de melhor cada estação tem para nos oferecer.
O que aí vem é lindo e maravilhoso? Claro que não - tanto que eu nem acho assim grande graça ao Natal, no entanto é este o tempo - e como diz a célebre passagem da Bíblia "tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu".
Há tempo para tudo e tudo tem o seu tempo.

Vamos lá abraçar esta passagem do tempo como a dádiva que ela de facto é, pois já se sabe que num abrir e fechar de olhos já estamos a mudar os relógios outra vez.



quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Eu, culpada também

 Disto.

Não nego que o desafio de leitura me motivou a ler mais - ler livros mesmo, e não artigos ou notícias no telemóvel. E isso não deixa de ser positivo, antes livros que outra coisa qualquer - mas não deixa de ser um motivo extrínseco à própria leitura, o querer superar um desafio.

No entanto é curiosa esta questão, em que nunca tivemos tanto acesso à informação e se calhar nunca fomos tão ignorantes. Ou a ignorância é a mesma, o que mudou foi a hipótese de acabar com ela mais facilmente.

Faz-me falta uma certa profundidade. Ficamos sempre um bocado pela rama, e há tanta e tanta coisa por ler, ver, saber que parece que o tempo de pensar, trocar ideias, discutir, escasseia.

Comemos muito e digerimos pouco, é o que é.


segunda-feira, 25 de outubro de 2021

O Fazedor de Nadas

 Ou a primeira ida ao teatro pós-pandemia.
Mesmo antes já ia tão pouco, e é das coisas que me custa, quero mesmo mudar este paradigma este ano!

Tenho uma prima atriz, e acabo por ir apenas e só às suas peças - o que é de lamentar porque sei bem que tantas vezes ela representa para salas vazias, e tantos outros farão o mesmo todos os dias em muitas salas pela cidade fora.
Por isso mesmo ela está de partida para fora do país, e a sua intenção é mesmo não voltar. (e o triste que é ver as pessoas da cultura nesta situação...)

Fui pela primeira vez ao Teatro Taborda, um espaço incrível com um café e esplanada com uma das melhores vistas de Lisboa. A sala de espetáculos é pequena e cheia de encanto.

A peça era indecifrável, daquelas que nos faz pensar se nos está a escapar alguma coisa, das que cada um interpreta à sua maneira, tão longe da realidade e de tudo o que conhecemos como de facto a arte deve ser.
Adorei!


Horário de Inverno

 Serei a única a ver o lado positivo do horário de Inverno?

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

12 anos passaram

 ...desde este post.

Reparei que nos posts de instagram do dia dos anos dele uso muito a palavra "desafio", e confirmo - ele foi sem dúvida o nosso maior desafio.
E de certa forma, ainda é - se bem que muito rapidamente (mesmo!) percebemos que temos é de ajustar a expectativa e por os pés no chão, e pelo qual o desafio vai sendo menor.

Este rapaz nasceu para nos dar uma grande lição de humildade, de ignorância, de capacidade para gerir a perda de controlo.
Nasceu e logo nos apercebemos que é do mundo, que até pode ter raizes mas que o que tem maior são as asas.
Nasceu para nos confrontar com os nossos maiores defeitos, é dos três o mais parecido connosco em tanta coisa - caótico, desorganizado, desarrumado, independente, não nos conta nada, sempre pronto para seguir caminho longe de nós (e eu sinto cá dentro do meu coração que na primeira oportunidade ele sai de casa e vai viver para outro país - e onde é que eu já vi isto, mesmo?).

Também é um miúdo fixe, dos que se enturmam rapidamente, sem levantar ondas, sempre pronto para tirar o melhor partido de cada momento - seja um mergulho no mar, um jogo de futebol, uma bola de berlim com Nutella.

Há 12 anos o desafio foi receber nos braços um bebé que em nada correspondeu à expectativa.
12 anos depois, expecativa ajustada, o desafio continua.
O nosso bebé do mundo sai para o mundo, não tarda nada.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Sobre o regresso à rotina

 Setembro foi um mês muito atípico, e daqueles em que coube muita coisa: férias na costa vicentina, a preparação para uma formação que vou dar, um novo trabalho num sítio novo, uma exposição que nunca tinha feito, uma viagem a Roma - passou a voar.

No meio da correria nem dei por falta de uma coisa que normalmente marca o meu Setembro que são as despedidas da época balnear. Há sempre um desejo de aproveitar a praia até à última, há sempre uma tentativa de aproveitar os últimos cartuchos e uma nostalgia associada ao fim do verão.
Este ano (também ele tão atípico!) nada disso aconteceu. Entre o fresco que se fez sentir aos fins de semana e o trabalho, não pus os pés na praia durante o mês todo (só nas férias), o que não é nada normal.

Depois de Roma ainda tivemos um fim de semana nas vindimas, e como bem sabeis ou podeis imaginar numa casa com 3 filhos, o caos ficou instalado - roupa suja acumulada, congelador vazio, cenas por arrumar. Passamos o feriado a tentar por a casa em ordem, a organizar quartos e garantir que pelo menos cuecas e meias (e tshirts para a educação física!) não faltam nas gavetas.

E assim aos poucos vamos regressando à rotina, ao mesmo tempo que o país regressa à normalidade - em ambos os casos um pouco diferente do que era antes.
Falta decidir a atividade desportiva da do meio (é uma saltitona e em cada ano quer mudar) e a ocupação das tardes livres dos dois mais velhos, mas já há sopa feita no frigorífico - e uma despensa que consegue safar uma refeição. 

Os sábados já são pontuados pelos jogos do mais velho, mas ontem deu para ir despedir da praia e dar o (talvez) último mergulho.
Agora sim, parece que chegou Setembro cá em casa - bom regresso à rotina a todos!

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Livro 20/35 2021

 

A Cor do Hibisco, de Chimamanda Ngozi Adichie

Uma aquisição (de duas) da Feira do Livro 2021. Não há na biblioteca, e já o queria ler há imenso tempo.
É o primeiro livro desta autora, e lançou-a e bem na sua carreira de escritora. No entanto, e apesar de estar muito bem escrito, já li outro livro dela de que gostei muito mais.
Gostei muito, mas a expectativa estava muito alta, e também houve ali pormenores na protagonista que me começaram a enervar - e por isso dei 4 estrelas.
Recomendo, e empresto.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Livro 19/35

 


Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg
Já aqui referi o efeito que produz em mim a estante dos destaques da biblioteca (já agora, acho mesmo que iria gostar de trabalhar numa biblioteca - foi o 1º emprego da minha mãe! - todo aquele ambiente me fascina, mas adiante!). Alguém na biblioteca tema a função de colocar determinadas obras em destaque, e eu mesmo que vá com uma ideia fixa do que quero trazer acabo sempre por dar uma vista de olhos e trazer qualquer coisa, qual vítima de uma manobra de marketing. Ou é uma capa apelativa, ou é um autor de que se fala naquela semana, livros mais de verão, livros mais de rentrée, enfim, julgo muito um livro pela capa e sou seduzida pelos destaques tipo guloseima na zona da fila do supermercado. Normalmente o que acontece é ir verificar as notas do livro no Goodreads, e ver se as minhas pessoas de referência (que são quem atualiza o Goodreads com frequência - as minhas irmãs e a Tella e pouco mais) o leram ou não.
Da última vez lá estava este, cujo nome do livro e da autora eram super familiares. Procurei e não encontrei nenhuma referência, não sei de onde tinha ouvido falar neste livro e nesta autora (que é muito conhecida, mas de quem nunca tinha lido nada).

É um livro muito enternecedor, que não pode ser mais fiel ao título - o tema geral são aquelas palavras, frases e histórias que fazem parte de uma família, e que todos nós temos também.
São palavras, frases e histórias que permitiriam à autora reconhecer os irmãos no meio de uma multidão e às escuras - aquelas frases-chave que só que viveu naquela casa pode saber, reconhecer e interpretar.
À medida que vai contando esses episódios e memórias, vai desfiando a história da sua família na Itália fascista do séc. XX.
Dá a sensação de estarmos sentados à mesa com uma tia-avó que é uma excelente contadora de histórias, e só queremos ouvir mais uma, e mais uma e mais uma.

Ao mesmo tempo recordamos o nosso próprio léxico familiar, aquelas expressões que de tão repetidas me permitiriam também reconhecer as minhas irmãs e pais onde quer que fosse: "estar triste no tapete"; "xixi na mão e deita fora"; "beber a sopa à tio Paulo"; "chapeleira da avó Branca" e por aí fora.

Dei 4 estrelas, que são 4,5, e recomendo.

(só dou 5 estrelas quando o livro me agarra tanto que não o consigo largar!)

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Viagem a Roma

 Foi uma decisão precipitada, daquelas que se tomam assim de repente, vamos ver as promoções e sem fazer muitas contas atiramo-nos de cabeça.
De lamentar só não o fazermos mais vezes.
Achamos super importante viajar com os miúdos, e então agora mais do que nunca queremos faze-lo, no entanto, convenhamos que não é a mesma coisa - mais não seja financeiramente. 
Passei os meus anos dos 18 aos 25 basicamente a planear viagens e a juntar dinheiro para as fazer. Depois mete-se a vida e as contas para pagar e as viagens foram ficando cada vez mais raras. Depois dos filhos, então, nem se fala.
Desde que comecei a trabalhar nesta área tenho notado que toda a gente viaja. Sempre vi por esses palácios e museus fora todo o tipo de estrangeiros a viajar - casais com bebés minúsculos (onde é que eu tinha capacidade mental e física de viajar com um recém-nascido??), famílias numerosas, grupos de amigos de todas as idades (alguns mesmo muito velhotes) - e lá vão eles! Claro que ter dinheiro ajuda, mas também é preciso querer! 
Nada como uma pandemia para nos abrir os olhos! Tanto foi "proibido" que só temos mesmo é vontade de ir! E como acreditamos que os casais devem continuar a fazer coisas sem os filhos, foi mesmo juntar a fome com a vontade de comer.
E que bom que foi!
Já tinha ido a Roma em 2001, num contexto pós-Erasmus, uma viagem ao estilo inter-rail.
E é incrível como me consegui orientar tão bem, numa cidade onde estive há mais de 20 anos! Continua a surpreender pela monumentalidade, pela História, pela cultura, pela comida também, claro (se bem que há 20 anos comi mal e porcamente no supermercado para não gastar dinheiro!).
A cidade, apesar de tudo, não está ainda tão sobrelotada de turistas (pelo menos aos dias de semana), apanhámos ótimo tempo e já contamos os dias até à próxima viagem!

Damos 5 estrelas a Roma, e recomendamos muito!

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Ciao, Roma!

 Muito rapidamente, porque regressámos em força para o meio de uma rotina que se manteve inalterada sem nós nestes dias - filhos, casa, roupas, supermercado e trabalho (mais ou menos por esta ordem) - fica só uma reflexão:

Porque não viajamos mais?

Caramba, que bálsamo!

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Notas soltas

  • nova semana, novo desafio, amanhã tenho a primeira visita a uma exposição que não sendo nova, é nova para mim. Noto uma grande evolução da minha parte pela forma como encaro estes novos desafios que me surgem, muitas vezes em cima da hora - antes precisava de muito mais tempo para me preparar. 
  • esta semana traz também uma boa novidade (que até merece um post sozinho, mas pronto): na 4ª feira vamos (se tudo correr bem!) passar uns dias a Roma, só os dois. Tínhamos combinado ir a Itália os 5 na Páscoa de 2020, e a Nova Iorque os dois em Outubro - no entanto o universo tinha outros planos para esse ano. Agora, depois destas voltas todas, e do aperto financeiro e insegurança que vivemos, depois de muito pensar decidimos que vale mais pena irmos só dois do que não ir ninguém (somos 5, caramba, fica mais do dobro do preço!). Eles logo viajam quando crescerem e entretanto havemos de conseguir ir todos a algum lado.
  • mundo estranho este em que vivemos, em que fazemos uma coisa normal: cumprimentar com beijinhos, sentar na esplanada com amigos dos amigos, ir buscar o filho a uma festa e entrar um bocadinho para comer uma fatia de bolo, baixar a máscara ao conhecer a educadora da mais nova, e há sempre lá no fundo dos fundos uma voz que nos faz duvidar se estaremos a fazer bem... 
  • ano letivo começou bastante bem, ainda sem termos conseguido entrar na rotina - há tempo para isso! - mas os miúdos têm conseguido acompanhar. O mais velho na dele, a do meio super entusiasmada com tudo (ontem andou a passar aulas para os cadernos novos e tudo), a mais nova já bastante adaptada também. Falta só decidir e pensar nas atividades extra curriculares, mas terá de ficar para Outubro.
  • no museu da Baixa onde trabalho reecontrei alguns colegas com quem trabalhava em Sintra, e é tão bom por a conversa em dia. Em cada sítio que vou tenho uma equipa diferente (algumas pessoas repetem-se), mas tenho sorte de estar rodeada de gente muito porreira (e muito competente, já o disse aqui, gente que me motiva sempre a fazer mais e melhor!). É uma pena que os museus e palácios e instituições não se apercebam da qualidade humana que têm ali, a recibo verde...
  • dito isto, boa semana queridos leitores!

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Setembro dos novos começos

 Na mesma semana em que os três iniciam novos ciclos (duas com mudança de escola), iniciei eu também uma nova colaboração num museu, com um registo diferente do que tenho feito até aqui (um projeto diferente, com horário das 10h às 18h, mas em regime freelance como os outros).

E assim consigo perceber tão bem as borboletas na barriga, a insónia da véspera, o ter a roupa escolhida e tudo preparado, e o medo de chegar atrasada no primeiro dia.

Sábado de manhã, em estilo "nova escola", lá fui eu apanhar o comboio (que saudades!), de mochila e lancheira, direta à baixa de Lisboa.
Parei num café que tinha muito bom aspecto - renovado há pouco tempo de certeza. Lá dentro estava um retrato da Lisboa de sempre: o taberneiro atrás do balcão, o ex-combatente do Ultramar a beber cerveja e a falar sozinho, a mulher negra vinda do mercado, e até um hipster de portátil aberto a trabalhar (e todos se tratavam pelo nome!).
Saí do café e com o sol a bater na cara, rumo à Praça do Município, repirei fundo e pensei: é mesmo um novo ciclo que começa.

Que seja um ano letivo sem sobressaltos, e só por isso será melhor do que os dois anteriores!
É o que desejo para todos nós!

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Post pós-férias um bocadinho mete-nojo

 Desde que trabalho na minha área e naquilo que gosto, não me custa (quase) nada regressar de férias.

Tenho férias muito boas, muito boas meeeesmo - e só me apetece voltar atrás uns dias e viver tudo outra vez - no entanto, a cada ano letivo que recomeça venho mesmo sem neura, sem resignação, sem depressão pós férias. 
Tenho muito presente o que sentia no regresso das férias quando trabalhava sentada à secretária, e sei que não tem mesmo nada a ver - aqueles últimos dias de férias e primeiros de trabalho eram tão dolorosos!
Fazer o que se gosta, caramba, é um grande luxo e uma oportunidade tremenda.

Para isto também ajuda o facto de acabarmos as férias com uns dias a acampar.
Nunca foi a minha cena, nunca o fiz em família nem sequer com o meu grupo de amigos - só no inter-rail e ainda assim... - mas é uma coisa que o marido gosta, e que se adequa à nossa saúde financeira, e que nos últimos anos temos feito.
Com o tempo fomos afinando os hábitos e neste momento já o fazemos com o à vontade e conforto desejado - no entanto, quer queiramos quer não, acampar é sempre abdicar de certos "luxos": é mesmo viver de um modo completamente diferente do resto do ano.
E assim, acabamos a semana de campismo já com vontade de regressar ao conforto que temos em casa, ao nosso duche, colchão, frigorífico e fogão! 
E até parece que custa menos regressar a casa!

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Depois de um verão atípico...

... um Setembro atípico também.
Sinto que esta será a palavra de 2021 - o ano em que muita coisa mudou de sítio, quem sabe se definitivamente.

Depois do abanão de 2020, em 2021 tenho tido muitas e variadas oportunidades - umas melhores que outras, umas mais interessantes e mais a ver comigo, outras nem por isso, mas agarrei todas com a mesma força e entreguei-me de cabeça em tudo o que me meti.

Setembro começa com uma nova oportunidade, que me obrigou a fazer escolhas e deixar cair dois projetos que marcaram o meu 2021.
Nada disto é definitivo, nada disto é 100% o caminho que eu gostaria de seguir, estou basicamente a tentar manter-me à tona da água e ver qual será o melhor sítio onde me agarrar.

Para quem está de fora, e principalmente quem se sente desmotivado com o seu trabalho fixo de há anos, esta minha vida profissional parece uma animação - e é! Estou sempre, sempre, sempre a ser desafiada, a baralhar e dar de novo, a reinventar-me, a sair da zona de conforto (que neste momento já nem sei se existe!). Sendo tudo isto verdade, há também aqui muita angustia, muitos nervos, e muita sensação de andar a remar e remar e não chegar nunca a lugar nenhum...

Dito isto, 'bora lá começar mais um ano letivo!

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Livro 18/35 2021

 

Cebola crua com sal e broa, de Miguel Sousa Tavares

Sabem aquelas pessoas por quem temos uma certa embirração, mesmo sem saber porquê? Aquela pessoa que quando aparece na TV apetece mudar de canal? Ora, eu tenho várias, e o autor deste livro é uma delas - nem sei bem dizer porquê, se é a atitude, se são as ideias, se é o conjunto.
Corria o ano de 2003 ou 2004 quando a caminho de Lisboa no comboio, ia toda a carruagem a ler o best-seller deste senhor: Equador. Na altura várias amigas leram, e andava tudo doido com o livro, e não se falava de outra coisa (bons tempos, em que as conversas eram sobre livros e as pessoas iam a ler nos transportes, mas adiante) - ora eu irritava-me com aquilo, e muito porque o tal Equador tinha uma fotografia do autor na contracapa, que é coisa que também me irrita um bocado! Nunca o li.
Este livro veio da coleção do meu pai, que o leu e recomendou mesmo a quem, como eu, não simpatiza com o autor - porque é autobiográfico, porque conta histórias interessantes, porque permite ver um lado do autor que desconhecemos. Ainda assim, nunca me aventurei - sejamos sinceros, há tantos livros mais interessantes para ler, porquê perder tempo com este?
Quando fui a casa dos meus tios buscar a chave da casa de família, a minha tia pediu para devolver este livro à minha irmã (que o herdou da biblioteca do meu pai), e mais uma vez o recomendou, usando os mesmos argumentos - o facto de ficarmos a conhecer o porquê de algumas atitudes do senhor, através da sua infância.
Fui para férias levando o livro do Philip Roth e outro sobre a História dos Bragança para ler, e este para entregar à minha irmã. Acabando o do Philip Roth, e estando de férias não me apeteceu meter a ler um livro de História, que no fundo é o que faço por obrigação durante o ano - pura e simplesmente apetecia-me ler outra coisa! E foi assim que acabei por ceder e dar uma hipótese a este Cebola crua com sal e broa (nem o título me atrai, caramba!).
Dou o braço a torcer. O senhor escreve bem, é um bom contador de histórias, e tem de facto muita razão em muita coisa que diz e defende. Tem uma vida rica em aventuras que merecem ser contadas, e é filho da Sophia Mello Breyner o que por si só faz com que mereça o benefício da dúvida.
Dei 4 estrelas e recomendo.

Livro 17/35 2021

 

Goodbye Columbus e cinco contos, de Philip Roth

Mais um trazido por impulso da biblioteca, sem pensar muito e quase sem ler a contracapa - sou sempre seduzida pelos livros que têm em destaque, acabo sempre por trazer algum dessa estante!
Já li vários livros deste autor, uns gostei mesmo muito, outros menos, e este entra nesta segunda categoria. 
É um livro que nem aquece nem arrefece, e não fosse ter estado de férias e com disponibilidade para ele, provavelmente nem chegava ao fim.
Gosto bastante de ler contos, e acho que em determinadas alturas em que estamos com pouco tempo ou cabeça para grandes calhamaços, dá muito jeito ter assim leituras mais curtas, com princípio-meio-fim.
Convém é serem histórias que acrescentem alguma coisa. Não foi o caso.
Dei 3 estrelas, porque também não merece negativa, mas é daqueles que já nem me lembro bem.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Férias grandes...

 ... que de grandes, já se sabe, não têm nada - são mesmo só duas semanas, mas sabem por muito mais.

Este ano repetimos a fórmula do ano passado, e correu tudo tão bem.
Uma semana a norte na casa de família, com irmãs, cunhados e sobrinhos - praia, visitas culturais, almoços e jantares no jardim - e uma semana a sul a acampar (hábito que se vem entranhando nos últimos anos) com outro lado da família.

Este ano com direito a dois encontros com a minha família alargada (materna e paterna), que vieram confirmar a falta que nos faz estar com os nossos - a voz do sangue, lá diz o povo, é poderosa!

No dia dos anos do meu pai "festejamos" com a família da minha mãe, num almoço/piquenique que estava apalavrado há anos - mais de 30 seguramente! - sem nunca se concretizar. E de repente somos nós - as minhas irmãs e eu - a quebrar o feitiço e fazer acontecer um encontro de primos e tios, sendo que alguns nem se conheciam. Foi um dia marcante e rico de afetos, mas tão difícil ao mesmo tempo... Tantas vezes ouvimos a nossa mãe a dizer "haviamos combinar um encontro" sem nunca de facto levar a ideia avante, e só agora o fizemos (e com mega adesão, foram poucos os que faltaram!). Para o ano há mais, seguramente.

No dia do aniversário da morte da minha avó, rumamos ao Algarve para passar o dia com a família que lá estava a passar a semana, com direito a passeio de barco e ida a uma praia selvagem, e jantarada no largo da aldeia onde passei férias com os meus tios em adolescente. Estes encontros com a minha família paterna eram constantes, e até há pouco tempo ocorriam semana sim, semana também. Com a venda da casa da avó e mais recentemente a pandemia os encontros escassearam nos últimos tempos, e que falta nos fazem, caramba. Estava nublado, ventoso, frio, e até choveu, mas foi sem dúvida um dia em grande.

Ter tido a sorte de crescer nestas famílias cheias de tios e primos foi das coisas mais importantes da minha vida - a maioria das minhas memórias de infância é com os meus primos! - e tenho por isso a obrigação de permitir que os meus filhos tenham a mesma oportunidade.

De resto, foram férias como se quer, na melhor companhia, sem stress de nenhum, sorte com o tempo, comida e bebida do melhor, dias cheios de bons momentos.
Agora é ganhar forças para o que aí vem!