segunda-feira, 12 de junho de 2023

E-leitor

 Os 44 trouxeram-me dificuldades de visão, estou cada vez mais e ver menos ao perto (coisa que ainda me faz alguma confusão, confesso).
Entre isso e as dificuldades em ir à biblioteca, mais impulsionada pelas leitoras mais próximas, pois que aos 45 recebi (a meu pedido) um e-reader - que é como quem diz, um leitor eletrónico.

Não sendo bem a mesma coisa que ler um livro, traz tantas vantagens que é difícil resistir: podemos escolher o tipo e (mais importante) o tamanho de letra que queremos ler, é leve como um telemóvel, podemos levar para todo o lado, cabe em qualquer lado, e permite guardar uma biblioteca inteira.
Tudo junto acaba por se sobrepor à vontade de ter um livro físico, páginas para virar e o cheirinho do papel.

A quantidade de livros que já tenho dá-me para ter leitura até ao fim do ano, e só com esses já teria pago o valor do e-reader (sendo que não paguei porque sim, há todo um mercado negro de e-livros, como de tudo o resto!).

A grande diferença: estar a ler os livros que me apetecem mesmo, que ando à procura há imenso tempo sem encontrar, e não aquele livro que está ali na estante e que leio por não ter mais nada disponível no momento. 

Por isso recomendo, e aviso que os próximos livros serão lidos neste formato.

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Milão

 1ª viagem oficial com filhos mais crescidos, de avião - e a certeza de que estão com a idade certa para viajar, para conhecer novos lugares.
Aguentam-se bem, são divertidos (e parvos), desanuviam o ambiente de stress (estão na fase em que só gozam connosco!), e tirando a fome constante e as mil idas ao wc diria que são os companheiros de férias perfeitos!

Milão também esteve à altura do acontecimento - cidade prática, pequena, com poucas coisas para ver., comida boa e barata, e gelados deliciosos.

Já estamos a pensar na próxima - há lá coisa melhor que viajar?

45 voltas ao sol

 Uma idade redonda, da qual me orgulho profundamente.

Digo-o muitas vezes, não voltava atrás no tempo para fase nenhuma da minha vida, tem sido sempre a melhorar, de uma forma ou de outra.

Foi um dia bom, e simples.
Podem vir mais 45, um ano de cada vez.

terça-feira, 30 de maio de 2023

Livro 5/2023

 

Rumo a casa, de Yaa Gyasi
Emprestado pela irmã, num dia em que lá fui jantar a casa (que é melhor do que uma biblioteca, o difícil é mesmo escolher).
A história de dois ramos da mesma família no Gana do século XVIII até aos nossos dias - a escravatura, o colonialismo, a emigração, o racismo, a vida destas pessoas geração após geração parece que nada muda.
Está muito bem escrito, e tive sempre muita vontade de o ler, por isso dei 5 estrelas.
Não é uma livro muito profundo, mas está escrito de forma acessível - conseguimos sempre perceber quem é filho de quem no capítulo seguinte - o que nos dias que correm é de louvar, por vezes as coisas mais simples são as que funcionam melhor. 
Um assunto importante, uma investigação histórica profunda, numa escrita que não sendo leve é bastante fácil de digerir. 
Recomendo.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Em catadupa

 Assim passam os dias, uns atrás dos outros, atrás dos outros.
Tempo para pensar no assunto, para refletir sobre o que andamos a fazer - à primeira vista, não há.

Lembro-me sempre da minha mãe dizer que o tempo em que nós éramos pequeninas passou demasiado depressa - e dou-lhe razão. Vejo as colegas de 30 e poucos a ter bebés e só lhes digo que é sempre a melhorar (porque continuo a achar que é), mas não deixo de pensar o quanto enganados andamos quando achamos que "vamos ter um bebé" - nós não temos bebés, malta, nós temos pessoas que numa fração de segundos deixam de ser bebés. Depois temos outras aventuras.
Li uma frase algures, que somos tão felizes quanto o nosso filho menos feliz - e às tantas parece isso mesmo. Quando não temos com que nos preocupar (e eu não tenho tido, de facto), há sempre um pequeno drama ao virar da esquina, uma negativa escondida, um vídeo de tiktok que não era suposto verem, um horário de chegar a casa não respeitado, amigas que fazem grupinho à parte e fazem com que a chegada à escola seja de dores de barriga. Oh well...

Nos intervalos de tudo isto, entre as 10h e as 18h tento fazer tudo o resto. Mil projetos, coisas para entregar, ideias que tenho de ter e por no papel, páginas e páginas por ler sobre tudo e mais alguma coisa (e a sensação de que fica tanto por ler também). Sinto que ando sempre a correr, e sempre a ficar para trás.

E de corrida em corrida (todas metafóricas, bem entendido) a vida vai acontecendo, e que bom que é, mesmo com a casa caótica, o frigorífico sempre com faltas (ou com queixas sobre isso), unhas por pintar, caminhadas por dar, livros por ler e roupa por arrumar.

Os meus 45 aproximam-se a passos largos.
Os anos, como os dias, também se sucedem em catadupa.

domingo, 7 de maio de 2023

Livro 4/2023

 

A História de Murasaki, de Liza Dalby

O ritmo frenético dos meus dias impede-me de vir aqui mais vezes*, e tenho tanta pena... são anos e anos a escrever aqui e sempre fui conseguindo manter algum ritmo, mas ultimamente tem sido mesmo impossível (nada de novo, só MUITO trabalho!).
No meio da correria alucinante, trouxe este livro da biblioteca, completamente apaixonada pela capa.
Depois de uma mega exposição sobre faraós chegou agora a hora de estudar o Japão e as suas estampas, e também os leques - senti que era uma boa altura para ir entrando no assunto.
Aprendi imenso, e fiquei completamente apaixonada por esta cultura (ainda mais...).
A ação passa-se no Japão do século X, e a narradora é uma escritora e poeta da época, que ficou conhecida como Murasaki e escreveu histórias sobre o herói Genji. Com base nos seus poemas, e nas histórias, e depois de uma profunda investigação, a autora (que foi a única ocidental a ser gueixa) escreve o que poderia ter sido o seu diário.
Fascinante, e para mim foi muito útil.
Dei 5 estrelas, se bem que são 4,5, pois não é daqueles que não conseguimos parar.
Recomendo.

*e também me impede de ler mais, mas adiante...

terça-feira, 11 de abril de 2023

Livro 3/2023


O Infinito num Junco, de Irene Valejo

Daqueles livros que vêm ter connosco nas alturas certas.
A primeira pessoa que o recomendou foi uma senhora de um grupo que recebi na grande exposição temporária deste ano letivo no Museu onde mais colaboro - Faraós Superstars. Foi a primeira visita que fiz a adultos, um grupo cultural de seniores, e no final uma senhora pergunta-me se já o li - disse que não, nem nunca tinha ouvido falar. Apontei o nome do livro e da autora por pura educação, pois achei o título muito pouco sugestivo - mandei pelo whatsapp para o marido, que é como faço quando quero tomar notas (entretanto percebi que posso mandar mensagens whatsapp para mim mesma, adiante). Pensei que se tratasse daqueles romances históricos sem grande base científica, uma xaropada de cordel de que a senhora tinha gostado muito...
Meses depois uma colega que está a fazer um mestrado na área do livro e da leitura, voltou a referi-lo, e o quanto tinha gostado - fiquei logo com vontade de o ler. Pouco depois foi a minha irmã a referir o assunto, e percebi que tinha mesmo de o ler.
Passado uns tempos tive de fazer tempo numa ida ao banco, e entrei numa livraria - já se sabe que é um erro. Lá estava ele, mesmo à minha espera.

Vale de facto muito, muito a pena.
É uma adaptação para divulgação, de uma tese de doutoramento - que é como quem diz, é um livro com uma base científica sólida, mas escrito de forma cativante.
O tempo que o demorei a ler não tem nada a ver com o quanto eu gostei - que gostei mesmo muito! E ainda bem que o comprei (é uma raridade nos dias que correm), porque será com certeza consultado no futuro.
É um livro sobre a História do livro e da leitura, principalmente na Antiguidade (Mesopotâmia, Egito, Grécia e Roma, principalmente).
Uma maravilha que reúne duas das minhas paixões - História e livros - mas bem escrito mesmo para quem não seja apaixonado por ambos com a mesma intensidade. A autora escreve a História fazendo sempre pontes com o presente - que é a minha forma de trabalhar, todos os dias!

Dei 5 estrelas e recomendo.

Das asas

 ... que os mais velhos vão ganhando, aos poucos (e aos muitos também!).

De andarmos a refilar com o mais velho que largue a playstation e o telemóvel, passamos agora a vida a perguntar onde anda, e com quem - já que em casa, não pára muito. Na primeira oportunidade enfia-se na camioneta e vai passar dias ao Alentejo onde tem um primo da sua idade, e um grupo de amigos que já perguntam por ele.

A do meio está agora nas Guias - uma oportunidade de fazer amigas fora da escola, e de fazer atividades divertidas ao fim de semana - e hoje partiu para o seu primeiro acampamento.

Que bom que é vê-los a ser pessoas independentes, ver como se relacionam com os outros, como são uma parte nossa mas são seres inteiros, que vivem (muito) para além de nós.

(até agora, zero nostalgia de quando eram pequeninos)

sexta-feira, 7 de abril de 2023

12 anos ontem

 ... da minha primeira menina, da minha do meio, recheio da minha sanduiche mais que perfeita.

O melhor imprevisto da minha vida.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Quando chegas a Abril...

 ... e te apercebes que desde início do ano tiveste apenas 1 fim de semana de folga, sábado e domingo de seguida (logo em Janeiro, bem entendido).

Ando a trabalhar demais, claramente.

quinta-feira, 23 de março de 2023

Da parentalidade

Um filho no 8º ano é, e sempre será, um desafio. 


segunda-feira, 20 de março de 2023

Do trabalho

Os dias passam a correr. O tempo é pouco para tudo o que há a preparar.

Os projetos sucedem-se, e que bom (e assustador!) que é.

As semanas passam e reparo que este ano praticamente não tive fins de semana (ou dois dias inteiros sem trabalhar).

Às vezes acho que não, mas a maioria do tempo parece que me alimento desta apneia de estar sempre a fazer coisas novas, novos desafios, em sítios diferentes (e às vezes com muito pouco em comum).

Onde fica a fronteira entre trabalho e lazer quando somos mesmo apaixonados pelo que fazemos?

terça-feira, 7 de março de 2023

Outro filme


Marriage Story

Num dia em que o pai foi ao futebol com o mais velho e as miúdas foram dormir a casa dos avós.
Sobre o divórcio de um casal com um filho de 8 anos, ele encenador e ela atriz em NY.

Cheio de clichés e coisas que tais, mas com um ator giro que se farta - o Adam Driver.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

O que se vê aqui

 

O poder do cão

Esta que vos escreve, ao fim de sei lá eu quanto tempo, percebeu finalmente como funcionam os comandos cá de casa para ver outra coisa que não youtube - que vejo religiosamente todas as manhãs para fazer ginástica.
E pronto, até aprendi a fazer uma lista de cenas que quero ver no futuro, e então vai que coloquei este filme pois tinha ouvido falar há um ano aquando dos Óscares. Até fui ao grupo de Whatsapp de colegas de um museu em específico que são todos grandes apreciadores de filmes e séries e de tudo o que está a dar e com gostos muito diferentes (é uma maravilha!) e pesquisei pela palavra "cão" (que por acaso no sistema de procura pode ser confundido com "caos" que é palavra que usamos com muita frequência no grupo, mas adiante) - o único comentário ao filme era do mais cinéfilo de todos os colegas, amante de cinema clássico, que dizia "Jane Campion é para ver em sala".

E sim, imagino que este filme em sala, e não na minha sala, será com certeza muito mais interessante, pois mais do que um filme de personagens e de atores (que são belíssimos), é um filme de imagens, de paisagens, uma autêntica poesia visual.
Adormeci ali um bocadito a meio, ao que parece na parte mais interessante, mas vi o resto com interesse qb - não se passa muita coisa, e o que se passa não é evidente.
Mas é um filme, e eu vi-o, o que por si só já é digno de nota e de post.


Os Reis de Dogtown

Noutro registo bem diferente, vi outro filme com o mais velho cá de casa que gosta de skate- aconselhada por uma das colegas do grupo supra citado.
Sempre bom poder partilhar estas coisas com eles, que é cada vez mais difícil (em separado, e todos juntos então fica impossível).

A existência de "cão" e "dog" em ambos os títulos foi pura coincidência.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

O que se tem visto aqui

 Ainda o ano mal começou e já fui mais vezes ao cinema do que em 2022 - não era difícil, bastava ir mais do que uma vez mas a verdade é que já aconteceu este ano - e nenhum filme era de crianças, o que é de estranhar!




Comecei com este documentário sobre a vida da Patti Smith: Patti Smith Poeta do Rock.
Fui desafiada por uma amiga e colega de trabalho, com quem conversei na altura em que estava a ler este livro. O filme passou num ciclo de cinema, fomos ver ao auditório de uma biblioteca em Lisboa - e antes fomos jantar as duas na Mouraria, um programa completo!
O filme confirmou algumas coisas que já sabia, mas ressaltou mais uma vez a capacidade artística desta geração, este viver e morrer pela arte que se calhar não se voltou a repetir. E salienta o paradigma dela como ícon da androgenia, de quem nunca quis parecer aquilo que não é, para quem as mulheres podem vestir o que quiserem, ser o que quiserem, sem precisar de corresponder a ideais de mais ninguém que não de si próprias. Uma poeta a quem a música chegou quase por acaso, uma artista no mais completo significado do termo, uma mãe que se afastou dos palcos para criar os filhos pequenos.
Uma grande boss.



Na sexta feira passada fui com o Tê ver este filme.
Sou muito fã de Amadeo, tenho a sorte de colaborar com o Museu onde se encontra a maioria das suas obras, e já tive a oportunidade de mediar muitas delas, muitas vezes. É um pintor que me fascina profundamente, com uma vida tão à frente do seu tempo.
O filme ficou muito aquém da expectativa. Não é que o que aparece seja mau - não é, os cenários são brilhantes, o guarda-roupa, está tudo muito bem feito. Mas a parte da vida dele que aparece não é a que interessa! Não há nada sobre como e quando começou a pintar, nem as exposições espetaculares em que participou, dos anos de Paris vemos uma só cena, enfim. Aparece mais tempo a irmã a morrer do que ele a pintar. Valeu pelo programa (que já nem sei quando tínhamos ido ao cinema os dois!).




Nas últimas semanas, persuadidos por várias pessoas à nossa volta vimos esta série - a primeira e segunda temporadas de White Lotus. Inédito, já que não sou de ver séries (nem filmes, já agora).
Mais do que nada foi um exercício de teimosia, para tentar perceber o hype à volta da série que toda a gente falava! Não achamos nada de especial. A primeira temporada tem uma banda sonora espetacular, que dá o tom à série e tem bastante piada. Inclui também uma personagem bastante engraçada. A segunda gostámos menos, sinceramente.
Valem ambas pelas paisagens que são maravilhosas, e pelas personagens, que estão muito bem construídas.
Perde por serem locais de férias onde nada se faz (já não os podia ver a tomar o pequeno-almoço sem ter nada planeado para o dia, depois andavam ali a arrastar-se todo o tempo, que nervos!).
Isto de ter expectativas altas nunca dá bom resultado...


Livro-objeto

À minha volta multiplicam-se os adeptos do livro desmaterializado.
Pergunto-me quanto tempo até eu aderir também... (estou muito tentada, traz muitas vantagens)

Terá o livro objeto os dias contados?
Pode um livro deixar de ser um objeto?
Pode uma casa sem livros ser uma casa de ávidos leitores?

E depois, o que aparece como fundo nas reuniões por zoom? Estantes vazias??

Livro 2/2023

 

A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan
Herdado do meu pai (mais um), com bom tamanho para levar nos transportes (estou a ler outro à noite que é um grande calhamaço e não dá muito jeito levar).
Já tinha lido outros deste autor, nomeadamente O Jardim de Cimento (que os amigos me ofereceram quando fui fazer Erasmus, e que é profundamente perturbador), e Amsterdão (que devo ter lido por volta da mesma altura, e que gostei bastante). Tanto um como outro têm coisas que recordo perfeitamente, apesar de terem passado mais de 20 anos.
Não tenho a certeza se daqui a 20 anos ainda me recordarei deste. Provavelmente não.
Não desgostei, no entanto é um livro de certa forma datado - o estereótipo da juíza-mulher de meia idade, da crise do casamento, o preconceito do autor em relação à religião.
Percebi que entretanto fizeram um filme em 2017 com a Emma Thomson no papel principal e não deixo de ficar curiosa - fiquei com vontade de ver.
Dei 3 estrelas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

A estranheza do maior mês do ano

 Quantos Julhos ou Agostos cabem no mês de Janeiro?
Caramba, que mês comprido este, parece mesmo interminável.
Este Janeiro 2023 revelou-se ocupado e desafiante no trabalho, chuvoso primeiro e frio no final, mas deixa-nos com a sensação de dever cumprido.

Quis o acaso do destino que tanto o meu pai como a minha mãe partissem em Janeiro, e quis também o destino que a minha mais nova nascesse no dia 20 deste mês, pelo que é um mês que alterna entre a alegria e a tristeza, entre a energia e a preguiça, entre os planos e as concretizações, entre o recolhimento e as saídas.

É um mês que se estende no tempo, estica-se como um gato ao sol, mas também se contrai rapidamente e  vai-se num piscar de olhos:
A passagem do ano foi há uma vida, e foi anteontem ao mesmo tempo. 

domingo, 22 de janeiro de 2023

6 anos da nossa cereja

E que 6 anos estes, senhores?
6 anos tão difíceis e que ela torna mais fáceis - toda ela sol, alegria, amor, um pouco de mau feitio e uma dose gigante de pirosice (esta passageira, o resto acho que não!) 

Aos 6 anos a Teresa está desdentada (baliza aberta), adora desenhar e pintar, adora a natação e está super curiosa com letras e números e contas. Tem facilidade em fazer amigos, mas é muito tímida, principalmente com adultos. Detesta ser o centro das atenções, seja com crianças seja com adultos.

Todos os dias saímos as duas de casa e descemos as escadas de mão dada, e eu vou degrau a degrau a agradecer esta menina, com a mão ainda tão pequenina dentro da minha.
Olho para ela, mais nova de três e tantas vezes me vejo a mim também, aquela filha bónus que é um presente para todos.

Melhor ideia de sempre. Mesmo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Livro 1/2023 Zen - a arte de viver simplesmente

 

Zen - a arte de viver simplesmente, de Shunmyo Masuno
Inauguro de forma tranquila a lista dos livros de 2023 com este Zen - a arte de viver simplesmente. Comprado na feira do livro do Museu do Oriente, talvez inspirada por toda a oferta de livros sobre o tema da filosofia zen.
O livro é encantador, com flores nas páginas e 100 ensinamentos, uns mais interessantes que outros.
O autor é monge budista no Japão, responsável pelos jardins zen do mosteiro onde vive. Há ensinamentos que se adequam melhor que outros à nossa vida do dia a dia, tão longe de um mosteiro budista no Japão, mas de uma forma ou de outra penso que qualquer um de nós pode aprender qualquer coisa com este livro.
Dei 3 estrelas, que são 3,5, recomendo e empresto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Os meus livros de 2022

 Com a ajuda do meu fiel Goodreads, aqui vai o meu resumo:

21 livros

6402 páginas lidas

Livro mais popular: Sapiens (lido por uns impressionantes mais de dois milhões de pessoas)
Livro menos popular: A Taberna da India (lido por apenas 7)

Tentei nos primeiros tempos diversificar ao máximo ao nível dos autores, mas a partir de certa altura deixei de ter isso em atenção.~

Assim li:
Escritor homem - 12
Escritora mulher - 9
Os quais vêm dos seguintes países:

Portugal- 5
Itália - 1
Espanha - 4
Estados Unidos - 2
Chile - 1
Irão - 1
India - 1
Japão - 1
França - 1
Israel - 1
Inglaterra - 2
Alemanha - 1
Acho que será importante manter ainda mais a diversidade.

Houve livros de que gostei muito - Mais pesado do que o céu; Dave Grohl, A Gaiola de Ouro, Tu não és como as outras mães, Sapiens.
Outros que não me deixaram memória - Rapariga, Mulher, Outra e Destinos e Fúrias.
Houve um que não gostei mesmo, mas fui teimosa e não abandonei - O Gigante Enterrado.
Outros que me foram úteis de diferentes formas - A Dama e o Unicórnio, A Revolução da Glicose, Tratado das Contradições e Diferenças...

Mais uma vez não chego ao número de livros a que me propus, mas sei que este ano li muito (e muito mais do que estes 21). 
Para 2023 mantenho o objetivo dos 24 livros, 2 por mês e vou continuar a registar aqui as minhas considerações.
Assim sendo, boas leituras!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

2022 em revista

 Mais um ano que passou, e se até a minha do meio me diz que passou rápido (com 11 anos), calculo que passou a voar mesmo para toda a gente.

Se o tivesse de resumir numa palavra, já o fiz, seria Trabalho. Olho para trás e é só isso que vejo (e que bom que é, acreditem).

Foi um ano que começou tranquilamente (confinados e com covid!) a que se seguiu uma sensação muito grande de liberdade - a liberdade de (supostamente) não apanhar covid de novo!
Percebi que mesmo sem dar por ela estive sempre com aquela tensão latente ao longo de 2020 e 2021 - será que apanhei? Será que vou apanhar? É arriscado ou não é? 
Comecei o ano com covid e a verdade é que foi de facto muito libertador - além de ter sido um covid muito fracalhote, que nem sintomas me deu. Uma sorte.

Depois de praticamente dois anos com muito pouco trabalho, senti que tentei agarrar tudo com quantas forças tinha. Não disse que não a quase nada, e fiz de tudo para me manter em todo o lado quase ao mesmo tempo. Fui assim uma espécie de polvo laboral.
Resultado: em 53 fins de semana só não trabalhei em 21 deles - menos de metade! - e isto inclui os fins de semana que calharam nas férias. Cheguei a trabalhar 10, 12, 14 dias de seguida muitas vezes, chegando ao cúmulo em Outubro de passar 27 dias a trabalhar sem ter um único dia de folga.
Foi uma loucura, em todos os sentidos, e o mínimo que seria de esperar era ter ficado milionária, mas tal como imaginam, não aconteceu...
Foi má gestão da minha parte, sim, mas foi também medo de ficar sem trabalhar outra vez.
E sim, foi um cansaço muito grande, mas também sim, deu-me muitas vezes um gozo enorme porque efetivamente trabalhar para mim não é um fardo, gosto mesmo muito de fazer o que faço, e os anos passam mas eu não esqueço o infeliz que fui sentada à secretária, e continuo a agradecer (sempre!) esta oportunidade.

Tudo o resto parece que passou para 2º plano, e isso é bom, pois é sinal que não houve problemas de maior.
Temos oficialmente dois adolescentes e uma criança em casa.
Sinto sinceramente que este ano mal os vi, e que pouco ou nada acompanhei o que se passa na escola. Já aceitei que não sou uma mãe muito participativa nos estudos - a verdade é que nunca precisei de ser! - mas tenho muita dificuldade em acompanhar tudo que têm para fazer. Por isso confio, e deixo andar - não me lembro da minha mãe saber as datas dos meus testes nem trabalhos, aliás, eu sei que ela não sabia, e nisso pareço-me com ela.

Devido a tudo o que foi escrito em cima, foi um ano em que senti claramente que quase tudo me passou ao lado. Houve almoços, jantares, lanches, saídas à noite, encontros de família, cafés... Parece-me que faltei a tudo, ou estive a trabalhar, ou o programa estava acima das minhas possibilidades (o que infelizmente foi verdade, muitas vezes).
Passei o 2022 a trabalhar muito e a receber pouco, pois por vezes o dinheiro tardou a chegar. Mas chegou. E 2022 terminou um pouco melhor do que 2020 e 2021, neste aspeto.

Mantive -me fiel à minha PT do Youtube Heather Robertson, e já comecei 2023 muito motivada. A verdade é que o corpo não muda (muito), mas a cabeça sim, e a forma como olho para ele vai sendo com cada vez mais admiração! O objetivo é continuar em 2023.

Foi o ano em que comecei a usar óculos, e fui percebendo ao longo dos meses que preciso mesmo. Em muito pouco tempo as letras encolheram bastante, os contornos deixaram de estar nítidos e quando pego em qualquer coisa para ler faço aquele gesto típico - à idoso! - de afastar e aproximar o papel a ver se vejo melhor. Não os uso sempre, porque por enquanto ainda depende do tipo e tamanho da letra, mas já aconteceu não conseguir ajudar uma turistas com um mapa de Lisboa por não conseguir mesmo ler a legenda...

Em 2023 não viajei e fui ao cinema uma vez. Vi muito poucos filmes, e acho que nenhuma série. Fui ao teatro uma vez e a um concerto. Li 21 livros, ficando aquém dos 24 a que me tinha proposto.
Tudo coisas a retificar em 2023.

Em 2022 morreram 3 mulheres da minha idade, com diferentes tipos de cancro - e isso é assustador. E muito triste.
No entanto, em 2022 não passei tempo nenhum em hospitais, nem por mim nem pelos que me são mais próximos, e isso por si só já faz de 2022 um ano fabuloso.

Objetivos para 2023 tenho muitos, mas se nada mudar já não me posso queixar.
Venha de lá este 2023!



terça-feira, 3 de janeiro de 2023

2022 numa palavra

 Trabalho!


Livro 21/2022

 

Tratado das Contradições e Diferenças de Costumes entre a Europa e o Japão, Luís Fróis
Comprado há um ano, na feira do livro do Museu do Oriente, quando comecei a fazer visitas por lá.
O autor é um jesuíta do séc. XVI, que esteve no Japão e fez assim uma lista das diferenças que foi encontrando.
É uma época que me fascina e por isso foi muito útil.
Dei 4 estrelas e recomendo a quem se interessar pelo tema.

Livro 20/2022

 

A Revolução da Glicose, de Jessie Inchauspé

Sigo a autora no Insta há uns tempos, por conselho da minha irmã.
Comprei o livro por impulso, quando fui comprar um presente de anos a uma livraria (esse clássico! por pouco não trazia mais livros para mim do que para a aniversariante... oh vida!)
Sou filha de diabético, e venho de uma família com muitos diabéticos. Estes assuntos são uma constante nos encontros de família, tendo eu há por diversas vezes administrado insulina ao meu pai, e verificar os níveis de glicose no aparelho no braço. Ainda assim, não posso dizer que percebesse alguma coisa do assunto.
Este livro explica tudo, de forma científica, mas acessível. A autora também dá dicas de como evitar os picos de glicose, e principalmente explica os malefícios de andar sempre com subidas e descidas - alguns deles eu não fazia mesmo ideia...
Dei 5 estrelas e recomendo.

Feliz ano Novo!

 A todos os que me continuam a ler!

Vamos lá arrancar com este 2023!

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Livro 19/2022

 

A Dama e o Unicórnio, de Tracy Chevalier
Emprestado pela irmã, depois de ter vindo assistir a uma visita minha sobre... tapeçarias.
A trama passa-se exatamente em volta de uma armação de tapeçarias do séc. XIV - sendo romanceado e havendo partes que não são nenhuma obra prima da literatura, lê-se muito bem e eu aprendi imenso, foi muito útil para perceber o processo de fabrico daquilo que era na altura, a maior das obras de arte (muito mais caro que uma pintura).
Dei 4 estrelas e recomendo.

Com o tempo...

 ... não só aprendemos a gerir a ansiedade, mas também a gerir melhor o próprio tempo.

Para memória futura: praticamente tudo comprado em aproximadamente um total de 3 horas, mais coisa menos coisa, entre dia 12 e 13. Zero stress.

Recado para a Mary de 2023 (e anos seguintes): Não vale mesmo a pena começares a pensar nisso antes do dia 10 porque pura e simplesmente, não vai acontecer.

Agora sim, pode começar o Natal!

(fui ler os meus posts dos anos passados, são todos iguais ah ah ah!)

domingo, 11 de dezembro de 2022

Haverá um ano....

 .... em que eu não sinta ansiedade nesta altura do ano.
Esse ano ainda não chegou.

A grande diferença é mesmo aprender a viver com ela - tudo o que tem de ser feito será feito, e essa certeza permite relativizar tudo o resto.
Ainda assim há aqui um nervoso miudinho que é mau, mas bom ao mesmo tempo.
Não consigo mesmo tratar de coisas de Natal antes do Natal - é coisa que não me faz sentido, e por isso irei sempre chegar a esta fase sem nada feito. Já faz parte.

É lidar.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

O que se ouve por aqui (segundo o Spotify na lista de 2022)


Chamber Of Reflection - Mac DeMarco (Extended Version)

Nunca sequer tinha ouvido falar neste tal Mac de Marco, mas a verdade é que gosto muito desta música, e apesar de não ser deste ano, está no meu top de músicas mais ouvidas de 2022.

Apreciem.

Chegados a Dezembro

E quase nem acreditamos que já cá estamos outra vez.
Ainda ontem estávamos a montar a árvore de Natal, e lá está ela de novo no canto da sala.

Um ano passou, muita coisa mudou, e este último mês tendo permitido um travão no trabalho desenfreado, foi ainda assim muito ocupado - mas com direito a dias livres, às vezes até dois dias de seguida.

Dezembro adivinha-se para lá de cheio também, com coisas a acontecer todas as semanas, e por isso estou mesmo a ver que vai passar num fósforo!

Chegou o tempo das mantas, do frio, do chá quentinho, e também do bolo rei e das azevias, e que bom que é.
Tempo de escuridão e recolhimento, de reflexão e paragem, para ganhar forças para o que aí vem.
Tempo de festa de luz, de jantares e convívios natalícios, amigos secretos e reencontros, de consumismo e compras e exageros.
Que seja um tempo de equilíbrio, que é o que mais falta nos faz.


quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Com a idade...

 ... passei a gostar da chuva.
A gostar do Outono e dos dias pequeninos.

Não há sombra sem luz, nem luz sem sombra.
Não me parece que fosse mais feliz (como tantos anos achei) num país com sol o ano inteiro.

(num com chuva o ano inteiro já vivi, e essa parte também não correu bem!)

Nunca descurem

... o poder que tem um bom corte de cabelo*.

* quem diz corte diz madeixas, pintura, alisamento, unhas pintadas, barba aparada, o que quer que seja que vos faça sentir bem.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Fim-de-semana dito normal

 Com dois dias inteiros, entre a 6ª e a 2ª, como deve ser.

Houve concerto e jantar a dois, caminhada no paredão, almoços de família, jogos de futebol, compras de supermercado, jantar de amigos, e festas de anos.

Soube a mel esta normalidade.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Mais um sobre a morte

 Poucos meses depois deste post, mais uma partida de alguém novo demais.

Uma querida colega de trabalho, que partiu em menos de um fósforo, sem nos dar tempo sequer de nos apercebermos que estava doente - as pessoas são o que são, e enfrentam a vida como enfrentam a morte, e a nossa Joaninha sempre foi aquela pessoa discreta, que não levanta ondas, que detesta chamar a atenção sobre si.

Foi das colegas que mais me apoiou quando o meu pai esteve doente - mesmo sem saber o que se passava, viu um dia que eu estava em baixo e nunca mais deixou de mandar mensagens uma e outra vez, sem pressionar, mas a deixar o seu apoio.
Foi a última colega com quem estive antes da pandemia, naquela fatídica semana de Março 2020, na última vez que fui ao Palácio da Pena (penso que ela também). Foi a primeira pessoa que vi depois da pandemia, à porta do Palácio da Ajuda, com quem falei sobre esta incerteza da vida, do trabalho a recibos, da instabilidade, do importante que é fazermos tudo pela nossa felicidade  - aproveitarmos a vida, no fundo.

Espero que ela o tenha feito.
Resta-nos a nós fazer o mesmo, por ela.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Novembro a começar

 E apesar do trabalho não abrandar - tenho tanta coisa pendente que de facto não sei por onde me virar - há uma certa paz de espírito.

O ambiente em que trabalhamos é, não sei se sabem, super importante. 
Há pessoas tóxicas, chefes e colegas que nos põe os nervos em franja às vezes sem darmos por nada até estarmos sem vontadinha nenhuma de ir trabalhar - e a contrariar essa falta de vontade porque enfim, temos contas para pagar e bocas a alimentar.

Mas não é fixe. E vai-nos matando aos bocadinhos.

Sou muito grata por poder andar sempre de um lado para o outro, e por estas coisas me passarem ao lado a maioria das vezes.
Quando não acontece, é temporário - e só me faz apreciar a sorte que tenho no resto do tempo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Continuo a única...

 ... a gostar desta mudança da hora?

Baixa o stress

 E parece que a imunidade fica mais baixa também. 
4 dias de uma grande falta de energia, mas a falta que me estava a fazer ter esta pausa senhores...

Tínhamos planos fabulosos que saíram furados - os 125€ do Costa não chegavam para tudo.
Em vez disso ficámos por cá, demos caminhadas, vimos o mar, pusemos a casa (mais ou menos) em ordem e ainda fomos a uma exposição (que as miúdas gostaram!).
Tudo assim a meio gás, com uma grande preguiça.

A ver se aprendo a equilibrar melhor os pratos da balança, que por muito que adore o meu trabalho, há coisas que não têm preço.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Meu cansativo mês de Outubro

 Ninguém chama querido a mais mês nenhum a não ser Agosto, e não é por acaso...
31 de Outubro ainda vai longe, mas para mim Outubro acabou no domingo passado.

A exposição a que dediquei intensos dias de trabalho chegou ao fim, e com ela encerramos um capítulo pois o museu que a organizou encerrou para obras e sabemos lá quando reabre (e se estou incluída na equipa ou não quando reabrir).

Foi uma exposição penosa e emocionalmente difícil de gerir. Foi um processo longo, muitas vezes à deriva, com um trabalho próximo de uma equipa liderada por uma excelente pessoa, mas com a qual muitas vezes é muito difícil lidar...

Sinto que houve alturas - ao fim de dias e dias de trabalho seguido, com sábados e domingos ali enfiada - em que cheguei muito perto da exaustão. Tive muitos momentos em que pensei que não ia aguentar!
Mas o ser humano tem uma capacidade de resistência muito grande, e por muito cansada que estivesse não cheguei a dar o murro na mesa que bem me apetecia e a ir embora dali.
Bem, basta olhar para a conta do supermercado para nos tornarmos mais resilientes...

Agora, ainda com uma grande ressaca na cabeça, é tempo de novos desafios e de voltar a ter fins de semana (ou pelo menos uma parte deles!).

Achei sinceramente que este dia nunca ia chegar.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

13 anos

 Desde este ponto de viragem.

13 anos a crescer e a aprender com ele.
13 anos a tentar lidar com uma situação para a qual claramente nunca nos preparámos.
13 anos a mandar o barro à parede a ver se cola, de tentativa-erro a ver o que funciona melhor.

Acho que até agora não nos saímos muito mal.

O miúdo é porreiro, não cria ondas, e é incrivelmente parecido connosco - desorganizado, caótico, sem contar nada em casa, também ele a ir mandando barro às nossas paredes e em tentativas-erro pela vida fora.

A infância já foi, venha agora a adolescência.

Depois do que passámos com ele recém-nascido, quão difícil pode ser esta fase?

Bloqueio do leitor

 Tal como há bloqueio do escritor - em que parece que congela diante da folha em branco, sem saber o que escrever - também haverá bloqueio do leitor, em que perante uma folha cheia de letras o cérebro congela e não consegue continuar.

Esta semana abandonei mais um livro - parece mesmo que a cabeça não consegue desligar, e assim fica difícil entrar numa história. 
Comecei ontem um romance histórico alinhado com o que ando a fazer no trabalho - vamos ver se assim pega...
Desconfio que infelizmente não vou atingir o número de livros a que me propus este ano.... oh well.

A importância de estar

 Este ano houve várias épocas (Julho e Setembro/Outubro pelo menos) de trabalho intenso, a todos os níveis - intenso no tempo, na dificuldade, na diversidade, na questão emotiva que também conta, enfim.

No fim de semana passado ultrapassei mais um obstáculo profissional no sábado à tarde, e para poder viver o momento e descansar depois acabei por passar o trabalho de domingo a um colega (ou seja perdendo esse dinheiro - logo, posso dizer que paguei para ter sanidade mental. Adiante).
E não fizemos nada de especial, mas apenas estivemos.
Sábado de manhã foi fazer máquinas de roupa (eu) e TPC (eles) e depois almoço (antes de ir para Lisboa). Domingo foi jogo de futebol do mais velho, caminhada no paredão com skate e bicicleta, e compras ao fim do dia - um dia normal e banal, mas caramba, a falta que me faz e a eles também, essa banalidade.

Em teoria já só falta um fim de semana intenso de trabalho (a full time nos dois dias) e depois hei-de poder voltar a escolher o trabalho dos fins de semana - ou então não, que os 10€ de gasóleo não chegaram a 3ª feira e de cada vez que vou ao supermercado quase que lá deixo um rim.

domingo, 9 de outubro de 2022

Sobre os preços

 A caminho do trabalho, de carro - porque é domingo, que só ando de carro ao fim de semana - percebo que está sem gasóleo e paro na bomba a meio do caminho para por 10€ (só uma nota, escolho as bombas que têm senhores a ajudar porque não gosto nada de abrir o depósito, mas adiante).
Não estava uma fila por aí além.
Noto que está a Sic a entrevistar pessoas e pergunto porquê - é porque amanhã a gasolina sobe 11 cêntimos.

Ainda bem que os jornalistas não vieram falar comigo porque de facto nem sei o que dizer.

Pus os 10€ e segui a minha vida.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Da precariedade

Completo hoje o meu 23º dia de trabalho sem folgas.
Não vou sempre para o mesmo sítio, e nestes dias consegui ter uma ou outra tarde livre, mas não tive um dia inteiro sem trabalhar desde que vim de férias.

Mais uma vez digo e repito, isto não é uma queixa porque eu adoro mesmo o que faço (mas não adoro tudo o que faço em todos os sítios!), e porque prefiro mil vezes estar assim do que estar sem trabalhar como estive há dois anos, mas dito isto... custa, e afeta todas as outras áreas da minha vida.

Por vezes acho que estou no limiar da loucura - passo na biblioteca na sexta a deixar os livros, e deixo na caixa de correio porque penso que é segunda feira - quem é que no seu perfeito juízo confunde a segunda com a sexta?
Muitos de nós, afinal. Quem trabalha em turismo, quem trabalha em restauração, quem tem uma empresa própria, os médicos, tudo gente que trabalha mais do que deve, sacrifica noites e fins de semana, e o que mais houver.

Na semana passada tive um dia em que achei que tinha chegado ao meu limite. Estava para lá de exausta, sem energia, a fazer tudo com esforço - achei mesmo que estava perto de ter um esgotamento.
Afinal só me tinha esquecido de tomar o café de manhã - no dia seguinte estava fina, pronta para enfrentar os próximos desafios (ufa!) - mas não deixou de ser um "abridor de olhos" para o que ando a fazer...

Pela primeira vez em muito tempo, fiquei alguns dias sem ler nenhum livro - porque como me atrasei na entrega não pude requisitar logo mais livros (e como achei que era 2ª feira, à 2ª não se requisitam livros), porque não encontrei nada de jeito nas estantes cá de casa (comecei dois e não lhes dei andamento), porque ando tão assoberbada de coisas para ler que achei melhor aproveitar todos os bocadinhos para ler aquilo que me faz falta no trabalho - foi um erro. Ler acaba por ser uma forma de pausa durante o dia, muito mais eficaz do que um scroll pelas redes sociais (que era o que eu fazia porque não me apetecia ler sobre trabalho no comboio, enfim!). 

Hoje é o meu 23º dia, e ainda faltam 5 para poder ter um dia todo de descanso (e vai mesmo ser só um). E eu adoro muito o que faço, mas não a forma como o sistema funciona de modo a que uma atividade que afinal se estende ao longo do ano (sem de facto parar em altura nenhuma da semana ou do mês) seja tida como sazonal, e por isso estamos condenados à precariedade.
Irá isto mudar algum dia?

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Livro 18/2022

 

Tu não és como as outras mães, de Angelika Schrobsdorff

Trazido da biblioteca por impulso, atraída pelo texto da contracapa.
É a biografia da mãe da autora, uma mulher judia alemã muito pouco convencional, nascida no fim do séc. XIX que vai viver em pleno a I Guerra, os loucos anos 20 e a II Guerra também.
Foi escrito com base nas memórias da escritora, mas também com entrevistas e muitas cartas.
É uma história bonita, e está escrito de uma forma muito interessante. Era de facto uma mulher diferente das outras, que viveu num tempo tão estranho...
Dei 5 estrelas e recomendo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

1º dia de aulas do ano letivo 2022/23

 Sempre um dia feliz.
A escola faz muita falta.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

15 anos

Desde este dia.

Venham mais 15!

Livro 17/2022

 

Destinos e fúrias, de Lauren Groff
Trazido da biblioteca depois de ter visto uma crítica positiva no goodreads - tenho um fraquinho por livros ou filmes em que se vê os dois lados da mesma história, de como uns e outros percecionam o mesmo acontecimento, e foi isso que me chamou a atenção.
É a história de um casal desde o casamento na juventude até ao fim da vida, e a história de cada um até chegar ao casamento. Achei algumas partes aborrecidas, e tive dificuldade em criar empatia com as personagens - se calhar se não estivesse de férias tinha desistido a meio, mas resolvi insistir e ainda bem que o fiz, porque achei a segunda metade do livro melhor que a primeira (talvez porque é a parte da mulher e tenha sido mais fácil para mim identificar-me com ela?).
No geral não adorei, mas gostei. Dei 4 estrelas (que foram 3,5).

Regresso de férias

E o coração vem a transbordar.
Duas semanas em que o stress não foi convidado - mesmo!

Uma verdadeira pausa de tudo o que nos preocupa ao longo do ano - há alguma coisa para comer? Temos dinheiro na conta? Os miúdos comeram sopa e fruta? Tomaram banho? Há roupa lavada? (sendo que a resposta a estas perguntas foi muitas vezes Não, e não houve problema nenhum!)

Passamos por Anadia, Aveiro, praia da Duna Alta e Costa Nova, cascata da Pedra da Ferida, Espinhal, e depois Odeceixe, Aljezur, Praia da Ingrina, Pedralva, Praia da Amoreira e um último mergulho em Porto Covo para despedir das férias (e do verão, que hoje já chove a potes).

Fui infinitamente feliz em cada um destes lugares - e sinto que aproveitei cada minuto.
Baterias carregadas, vamos lá atacar esta rentrée que se adivinha uma verdadeira loucura!


quinta-feira, 25 de agosto de 2022

O querido mês de Agosto

Uma semana de férias. Um funeral e uma missa de 7º dia (seguida de jantar de família, como é tradição na minha). Um jantar de anos e um batizado. Pintámos um WC, pusemos outro a funcionar (era uma espécie de depósito de tralha), organizámos a arrecadação e destralhámos a casa (quase) toda. Uma semana só os 2 (a trabalhar). Um fim de semana sozinha (a trabalhar). Uma ida ao cinema com uma sobrinha querida. Outro jantar de anos, em que fui sozinha só com a mesma sobrinha querida.
Muito trabalho e pouca praia. Folgas a dias de semana e trabalho aos sábados e domingos.

E daqui a dois dias, começam as férias!

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Livro 16/2022

 

The Storyteller, Histórias de Vida e de Música de Dave Grohl

Oferecido ao pai cá de casa no Natal, já que é fã dos Nirvana e dos Foo Fighters, acabando mais uma vez por ser eu a primeira a lê-lo.
Sou muito fã de Nirvana e gosto de Foo Fighters, mas o que queria muito era ler a versão dele da mesma história que já li este ano (a biografia de Kurt Cobain).
Este livro não é uma biografia, é um livro escrito mesmo por ele (e não por um ghost writer, como costuma acontecer) durante a pandemia (todos encontrámos novos hobbies, certo?) - e sim, percebe-se que foi ele mesmo a escrever porque está escrito de forma meio aleatória, um episódio leva a outro, cada capítulo começa com uma história mas pode acabar com outra qualquer. Pelo meio aparecem as filhas, a infância, a relação com a mãe e o pai, a passagem pelos Nirvana (foram só 3 anos, mas que anos aqueles!), a forma como se recompôs e formou a sua banda, com as suas músicas, escritas por ele (em que no início tocou todos os instrumentos), e mil e um episódios insólitos escritos com muito humor, mas muita simplicidade e humildade também.

Um dos capítulos é dedicado à morte do Kurt Cobain que aconteceu antes dos 30, e a do seu melhor amigo de infância, que aconteceu antes dos 40. Entretanto recentemente morreu também o baterista dos Foo Fighters, uma pessoa que se percebe que é muito importante na sua vida, com quem partilhou milhares de episódios relatados, e a quem se refere como "irmão de outra mãe".
Não sei bem que futuro terá a banda, e como vai ele reinventar-se mais uma vez...
Se já era fã dele, ainda mais fiquei.
Dei 4 estrelas e recomendo.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Livro 15/2022

 

Rapariga mulher outra, de Bernardine Evaristo

Trazido da biblioteca (estava nos destaques, para variar) depois de ter visto que a Tella já o tinha lido também.
São histórias de diferentes mulheres negras no Reino Unido - diferentes gerações, diferentes proveniências, mas de alguma forma todas interligadas.
É muito giro tentar perceber quem é quem (esta é a mãe daquela, esta é a professora da outra), e muito interessante ver como em diferentes épocas o facto de ser mulher e ser negra as condiciona de certa maneira.
Umas histórias são mesmo mais interessantes que as outras, mas por vezes a autora parece querer tratar demasiados assuntos ao mesmo tempo.
Dei 4 estrelas e recomendo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Sobre a morte

 Parece que à medida que vamos crescendo (porque é disso que se trata até ao fim) vamos cada vez mais vendo pessoas da nossa idade a partir.

E na mesma semana em que partiu uma apresentadora de televisão e uma influenciadora digital, partiu também (e pelo mesmo motivo) a mulher de um primo meu.
46 anos, dois filhos muito pequeninos (1 ano acabado de fazer, e 3 anos ainda não feitos), e 7 meses de luta.

Sei que não vale a pena tentar que as coisas façam sentido, porque não fazem.
Pudéssemos ser nós a escolher e as coisas seriam tão diferentes...

Fui de férias no sábado passado, para a ilha-maravilha onde gostamos sempre de regressar, sabendo de antemão que a qualquer momento teria de voltar pois no estado avançado da doença em que se encontrava já não havia mesmo nada a fazer.
Aproveitei cada dia, cada mergulho, cada braçada, cada conquilha e caminhada, bola de berlim e copo de vinho como se fosse o último - sem saber bem se no dia seguinte teria de vir a Lisboa. 
E foram as melhores férias de sempre - talvez por isso mesmo, porque eu estava disposta a vivê-las em plenitude, no seu todo, agradecendo a oportunidade de estar viva e de ter saúde para as desfrutar.

A Sofia partiu na 4ª feira, e o funeral foi na 6ª, pelo acabámos por vir embora só 1 dia antes do previsto.
Sei que ela daria tudo para poder viver, para estar com os "seus bebés" (por quem tanto perguntava quando estava no hospital) e sinto uma verdadeira obrigação de o fazer por ela.
As minhas férias não foram as melhores de sempre por nada que estivesse exterior a mim - foram porque eu me predispus a apreciar cada momento como se fosse o último - e que bom que foi!

Esta é a única forma de honrar a vida da Sofia, e de todos os que partem cedo demais - não dar nada por garantido e tirar o maior partido de tudo o que nos rodeia, sejam umas férias maravilhosas, um calhamaço por ler, tarefas domésticas, uma ida ao mecânico ou aquele excel aborrecido que temos de verificar - o que não daria ela por ter mais um dia que fosse com toda a sua banalidade?

Estar vivo é um enorme privilégio e pura sorte!
Sejamos gratos todos os dias - é o mínimo que podemos fazer para homenagear quem partiu.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Um cliché

Ter filhos é ter o coração fora do peito, dividido no meu caso em três.
E há algo de maravilhoso em ver o nosso coração ganhar asas e voar sozinho, tão crescido.
De vez em quando o adolescente irritante que não tira a máquina da louça e bate com a porta, parece-nos um miúdo tão fixe, tão desempoeirado, a fazer coisas sozinho, a superar-se sem termos nós, pais, nada a ver com o assunto.

Sinto que estou sempre a dizer o mesmo, mas é mesmo o que sinto: vejo os bebés dos outros e acho um amor - juro que sim - mas ter filhos crescidos parece-me tão mais fixe...


Livro 14/2022

 

Cafuné, de Mário Zambujal

Herdado do meu pai e levado na mala de viagem das mini-férias em Junho - revelou-se a leitura perfeita para essa situação.
Cheio de humor, com bastantes referências históricas, leve e divertido, foi uma excelente companhia para desanuviar do livro anterior.
Dei 4 estrelas, pois apesar de não ser uma obra-prima da literatura lê-se muito bem, e entretém.
Não vivemos só da intelectualidade, certo?

terça-feira, 26 de julho de 2022

Um post em atraso

 Só mesmo porque não gosto mesmo nada de estar sem escrever por aqui (faz-me falta a escrita, ajuda a arrumar ideias e a recordar, é mesmo importante para mim) - no entanto eu pessoalmente não me lembro de uma época tão atarefada... tem sido uma verdadeira loucura, senhores...

Recordo com saudade outros verões, mais tranquilos e preguiçosos, porque este verão tem sido avassalador de trabalho - não sei bem onde vamos parar, são dias e dias de seguida sem ter folgas, mil assuntos para estudar, mais uns quantos projetos para os próximos tempos.

Pela 1ª vez desde 2014 (em que deixei o trabalho fixo) tenho já trabalho marcado até Outubro (bastante) e já tenho coisas marcadas para Novembro e Dezembro também - completamente inédito.

No caminho, fica tanto por viver e tanto por registar...
O mais velho esteve num torneio de futebol e atravessa uma crise de identidade, dentro e fora de campo.
A do meio esteve num campo de férias onde não conhecia ninguém (sendo que a maioria dos miúdos se conhecia entre si) e fez amizades em menos de nada, e provou que é uma boa miúda, amiga de todos e que não discrimina ninguém.
A mais nova esteve comigo um dia em oficinas, e eu gostei tanto de a conhecer fora do nosso contexto.

Noto claramente que andamos todos muito cansados (os adultos com quem me cruzo, os miúdos não!), e todos a queixar-se do mesmo: anda tudo sem cabeça para nada, e a fazer borradas nos respetivos trabalhos: encomendas de produtos errados, faturas com valores que não batem certo, emails enviados a pessoas que não têm nada a ver ....
Será efeito do covid? 

Não sei, mas que está tudo meio atípico...está!


segunda-feira, 4 de julho de 2022

Livro 13/2022

 

Apneia, de Tânia Ganho

Na lista de leitura desde que a Tella o leu, e depois disso várias pessoas confirmaram - foi emprestado pela minha irmã que também lhe deu uma boa nota no Goodreads.
Nunca um título de livro foi tão bem aplicado. Lê-se num fôlego só, apesar das 700 páginas, ficamos naquela ânsia de ler mais e mais e ver onde as coisas vão parar - mas não estou a falar de um mistério nem de um policial, está mesmo só muito bem escrito.
Sabia que o tema era a violência doméstica, não sabia era em que moldes. A violência tem muitas formas e nem todas deixam marcas visíveis, é o que é.
Apesar de ter dado nota máxima - porque de facto não consegui parar de ler até chegar ao fim - a verdade é que ficam algumas coisas por explicar e saber, nomeadamente a história do marido (ficamos sem saber o que o levou até ali). Por outro lado, houve uma ou outra situação em que a protagonista me irritou, em que pensei "estava-se mesmo a ver..."
Ainda assim, dei 5 estrelas.
Recomendo.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

E assim de repente

... há palavras gritadas, portas batidas, silêncios ensurdecedores, risos que se transformam em lágrimas em menos de nada.

Senhoras e senhores, tomem os seus lugares e apertem os cintos pois é esperada bastante turbulência.
A adolescência aproxima-se a passos largos. A dobrar.

(quanto tempo dura, mesmo??)

terça-feira, 14 de junho de 2022

Livro 12/2022

 

Sapiens, História Breve da Humanidade de Yuval Noah Harari

Recomendado pelo cunhado e sobrinha no Verão passado, depois por uma amiga, e quando dei por ela andava muita gente a lê-lo no comboio (ainda há sempre uma pessoa a ler em cada carruagem).
Uma História da Humanidade em pouco mais de 400 páginas, com tanto que já sabemos e não nos lembramos, outras coisas que nem fazemos ideia e nunca tínhamos pensado nisso. Com certeza nem tudo estará 100% comprovado, mas é um grande livro, que eu diria quase obrigatório com conclusões que eu tenho pena de nunca me ter lembrado antes.

Li emprestado do meu cunhado, dei 5 estrelas e recomendo.

Cheguei a meio do meu desafio de leitura, mas fico contente de não estar a contabilizar. Já li muito mais do que 12 livros este ano, acreditem, mas estes 12 foram aqueles que escolhi ler por prazer e para mim, e esses é que contam para o desafio anual.

Coisas mais estranhas

 


Ou o milagre de ter os dois mais velhos a ver a mesma série outra vez.

Regresso aos santos

Há multidão, há confusão, há cheiro a sardinha por todo o lado, há música pimba, há comida e bebida vendidas em condições de higiene duvidosas a preços proibitivos.

A-DO-RO!
(que saudades, caraças!)

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Armas e rosas

 No dia 4 foi dia de realizar o sonho da Mary de 14 anos, e ir ver o concerto dos Guns'n'Roses.

Recordo como se fosse ontem a frustração que foi não poder ir ao concerto em 1992... Foram meses a tentar convencer o meu pai (completamente irredutível, nem valia a pena tentar!), arranjei imensas estratégias, pessoas conhecidas, grupos que envolviam até um adulto minimamente conhecido mas para ele foi igual ao litro... alguma vez uma filha sua num concerto de uma banda hard rock, cheios de tatuagens e cabelo comprido? Eu na minha ingenuidade (queria tanto tanto ir!) acalentei mesmo a esperança de conseguir, e lembro-me tão bem do dia do próprio concerto, e do triste que eu estava por estar a perder uma noite memorável - e que o foi de facto, não necessariamente pelas melhores razões, mas que ficou para a História, ficou! Mais tarde voltaria a ter muita pena de não me deixarem ir aos Nirvana, mas já nem esperança tive (e talvez já tivesse um bocadinho mais noção do perigo, não sei!) - mas este concerto dos Guns ficou-me mesmo atravessado!
Foi a primeira banda a sério de que gostei, logo depois dos New Kids on the Block (claramente uma banda para crianças!), e os álbuns Use Your Ilusion marcaram profundamente a entrada a sério na adolescência.

E apesar de todas as diferenças (toooodaaaaas!) senti-me como uma adolescente e vibrei, diverti-me, cantei, saltei e dancei como se estivesse em 1992!
Dos 14 aos 44 nem tudo mudou!

quarta-feira, 1 de junho de 2022

44 em 22

 E a constatação de que passei a fazer capicuas em anos que terminam capicuas também - fiz 33 em 2011, 44 em 2022, farei 55 em 2033 e aí por diante.

A constatação surgiu ao perceber que o meu sobrinho gémeo também fez capicua este ano - fez 11 - e como tal irá acompanhar-me nesta jornada, uma vida repleta de capicuas!
Pretendo andar por cá pelo menos até aos meus 88, que serão os 55 dele - em 2066, ui que isto agora de repente parece uma coisa muito longínqua, mas acreditem que não é!

Foi um dia tranquilo, passado junto ao mar, praticamente sem chuva e só vos digo que os 44 me assentam que nem uma luva!
Venham os próximos!

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Reflexão na véspera dos 44

 Assim de repente, e com muito por fazer e muitas coisas para mudar, sinto que estou onde deveria estar, em todas as áreas da minha vida.

Se mudava alguma coisa?
Um pormenor ou outro sim, mas no geral está tudo muito bem como está.

terça-feira, 17 de maio de 2022

Notas soltas sobre os dias que correm

  •  ele há dias e semanas de muitos nervos: visitas a sítios novos, temas novos, visitas protocolares com embaixadores e pessoas importantes e coisas assim.
  • nunca sei o que vestir nessas visitas protocolares, e principalmente não sei o que calçar
  • os miúdos estão a entrar em passos largos na adolescência
  • continuo a achar que ter filhos é sempre a melhorar, não troco esta fase pela fase das fraldas e coisas que tais (e assim se vê que se calhar eles ainda não entraram mesmo na adolescência)
  • só consigo ler nos transportes - de resto não consigo mesmo pegar no livro, nem sei como lia antes da pandemia, quando ia de carro para todo o lado
  • uma pena que tenhamos de usar máscara nos transportes
  • bastaram uns dias sem elas e nem sei como fiz tantas visitas de máscara nestes últimos tempos (o horror!)
  • trabalhar muito tem consequências ao nível da organização doméstica (não sei se sabiam, ficam a saber)
  • como devem calcular, a minha casa está um bocadinho um caos... não me apetece passar as poucas folgas a organizar as roupas que não servem nem os brinquedos que se multiplicam no quarto das miúdas
  • a máquina de lavar a roupa deu o berro, de vez. Está a ameaçar há meses, menos mal que conseguimos esticar até agora
  • 5 pessoas numa casa sujam muito, é tudo muito - muita roupa, muita loiça, muita comida
  • ainda me perguntam se não quero um cão ou um gato, chiça!

segunda-feira, 16 de maio de 2022

12 dias de trabalho

 Foram um total de 12 dias sem folga, mas isso não é o mais estranho.
Nesses 12 dias houve duas estreias: uma mini-exposição (quanto mais pequena a exposição, mais tenho de saber sobre o tema) e um museu novo, com 2 pisos de coisas bastante fora da minha praia.
Pelo meio visitas VIP, substituições e alterações de última hora, a atrapalhar ainda mais e aumentar os nervos nestes dias.
Prova superada, correu tudo bem, não me espalhei ao comprido.

Mas confesso que estas palavras do novo Ministro da Cultura não me caíram bem.
Claro que a precariedade não é um mal absoluto - para quem tem um ordenado fixo ao fim do mês, claro que não é!

Sazonalidade e precariedade não são sinónimos. Há muitas formas de contornar esta questão, e há mesmo soluções na lei que o preveem, o que não há é vontade de os aplicar.
E nós precários da Cultura pactuamos com isto, é certo, pois andamos aqui a  passar recibos verdes a empresas e associações-fantasma que servem para isso mesmo: para mascarar a realidade e deixar as entidades de mãos lavadas por não terem nenhum vínculo direto com cada um de nós.

É o preço que pagamos por gostar tanto do que fazemos, mas era bom que isso fosse reconhecido e que a estabilidade de um (ou vários) contrato(s) não fosse um bicho de sete cabeças.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Sobre o trabalho

 Há uma euforia no ar, um "regresso à normalidade" que faz com que ande tudo a mil.
Isto não é uma queixa (ou será?), mas hoje é o meu 8º dia de trabalho seguido, e ainda (ou só?) faltam 5 até ter a próxima folga (de 1 dia e depois seguem uma data de dias seguidos).

E dizem-me todos os que me acompanharam no desespero de estar sem trabalho "que bom!", e pois claro que é bom, mas a que preço, senhores?
Reconhece-se agora a léguas quem é mediador artístico ou trabalha em turismo- somos os das olheiras, os copos de leite, os que ainda não puseram o pé na praia/esplanada/jardim.
É.

E às tantas fica difícil aguentar o ritmo, as solicitações (porque em casa, já se sabe, há roupas por arrumar, sopas por fazer, varicelas a decorrer) sem uma pausa para poder respirar, e sem sequer estar à vontade para barafustar porque claro, é trabalho, e se me queixei de falta dele não me posso agora queixar da abundância. 
É daquelas coisas, quem tem um ordenado fixo ao fim do mês não vai entender nunca.

Domingo quando o despertador tocou para mais um dia de trabalho (o 7º) veio-me à cabeça a conversa com uma amiga que tinha estado na praia na véspera - e naquela indolência do cérebro que ainda não acordou perguntei-me porque raio estaria ela com os filhos na praia a meio da semana...
Quem não trabalha aos fins de semana, também não vai entender nunca...

Enfim. Café terminado, post acabado, que por aqui há muito por estudar.

Fui!

terça-feira, 3 de maio de 2022

Livro 11/2022

 

Entre os assassinatos, de Aravind Adiga
Mais um herdado da biblioteca do meu pai, que ali esteve a olhar para mim todo este tempo sem ter vontade de lhe pegar - não se julga um livro pela capa, ou não deveria, e pelo título também não (achei sempre que era um policial, e não tem nada a ver).
Peguei nele porque estava exatamente ao lado do livro anterior, de que tanto gostei.
Deste também gostei.
São 14 histórias soltas, com alguns pontos em que se cruzam, passadas numa cidade fictícia na Índia no espaço de tempo de 1984 a 1991 (entre dois assassinatos, que não foram ficção).
É um retrato da Índia dos anos 80, com toda a certeza com muitos pontos em comum com os dias de hoje. A pobreza, a religião, as castas, o papel de cada um, as oportunidades de uns e de outros, a forma de pensar tão diferente da nossa.
Bem escrito e muito enriquecedor.
Dei 4 estrelas e recomendo.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Constatação

 Se algum dia me meto a voltar a estudar, vou engordar como se não houvesse amanhã.

terça-feira, 26 de abril de 2022

Quase Adultos

 Trabalhar com ou sem máscaras; fazer o dinheiro esticar até ao fim do mês; educar os miúdos o melhor que sabemos; ter a roupa em dia; comida na mesa; lidar com as crises; a guerra; escolher o melhor caminho; manter o casamento vivo; lidar com a dor e a perda... (e podia continuar por aí fora até ao infinito)

Ser adulto é difícil, caramba.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Um dia feliz (dentro da pandemia)

 O dia em nos deixaram finalmente, tirar a máscara!
(com todas as excepções, bem entendido)

Fui trabalhar em pulgas, depois de festejar via whatsapp com a cunhada que é professora e estava na escola sem máscara.

Lá fui (debaixo de chuva e vento cortante, de máscara no comboio e no metro -e foi dia de greve mas adiante) e quando passo as portas do Museu tenho a maior desilusão... Lá dentro tudo de máscara, como se nada fosse...

Cruzo-me com colegas, mascaradas ambas, que me esclarecem: é preciso um OK da Administração, e sem isso nada feito...
Lá fui fazer a minha visita de máscara, muito contrariada - tanto mais que a dita era daquelas que se mete dentro da boca quando falamos, larga pelo, e aperta as orelhas. Um suplício.
Quando termino e regresso ao escritório, ouço rumores que o OK já tinha chegado via e-mail.
Já de pouco me serviu, mas foi com um enorme prazer que me passeei nas galerias, com a cara à mostra, a caminho da saída - e que sensação boa, malta!

Acho que até vou comprar um baton novo para festejar, caraças!
Que alívio!

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Sobre viver (ainda) em pandemia

 Ainda que moribunda, espero eu.
Já há dois anos que as reuniões familiares não são um dado adquirido, e todos sabemos bem o que é viver sem elas, mas caramba, que falta que fazem...
Foram só dois dias de Páscoa, mas souberam a muitos mais.

Um interregno nas máscaras e mãos desinfetadas, dois dias de abraços e beijinhos, almoços e jantares como dantes, com tudo o que temos direito.

Vivemos tempos estranhos e não podemos mesmo dar nada por garantido - só mesmo o que já passou.
E estes dois dias já ninguém nos tira.
(um ganhar fôlego para os próximos tempos, que se adivinham sem tempo para nada...)

segunda-feira, 4 de abril de 2022

A frustração

Dia de fazer contas à vida e entregar a declaração de IRS.
Dia também de comparar os rendimentos de 2021 com os anos anteriores. Com 2019 e 2018 nem vale a pena, todo um outro campeonato.

O que mais salta à vista é mesmo comparar 2020 com 2021.
Em 2020 trabalhei normalmente 3 meses. Depois disso passei meses sem trabalhar. Em Abril e Maio pagaram-me de um sítio onde colaborava (1/3 do rendimento normal). Em Junho nada. Em Julho trabalhei uma semana. Agosto e Setembro nada. Em Outubro comecei a dar AEC, e até ao fim do ano fiz nem uma mão cheia de atividades de museu (visitas online e uma ida a uma escola).

Em 2021 de Janeiro a Junho continuei na escola. Em Fevereiro comecei a dar explicações (que para cada hora de explicação eram 3 de preparação). Em Junho estive numa exposição temporária no museu e foi um ritmo alucinante, com várias visitas por dia e depois aulas e explicações ao fim do dia. Comecei também noutra exposição no palácio, e tive duas semanas de oficinas em Julho. Em Agosto tive algumas visitas em diversos sítios. Em Setembro comecei noutro museu, com horário das 10h às 18h, e continuei com visitas noutros sítios - as escolas regressaram aos museus e palácios em Outubro. Em Novembro acrescentei uma formação (que estive a preparar desde Junho), e em Dezembro tive também uma semana de oficinas de Natal. No último trimestre não tive fins de semana livres, nem feriados.
Deixei de ir buscar os meus filhos à escola, deixei de ser eu a acompanhar as atividades extra-curriculares, passei a chegar a casa depois da hora do banho, e praticamente não vi os jogos de futebol do mais velho. Fui para fora de pé, estudei que nem uma louca coisas completamente diferentes, fiz noitadas e perdi noites preocupada em estar sempre à altura dos desafios (mas lá nisso, sei que estive!).

A diferença de rendimentos entre um ano em que não fiz praticamente nada e outro em que parece que não fiz mais nada se não trabalhar, não chega aos 4 dígitos.
Não há amor ao trabalho que resista a isto, caraças.

(e o aumento de preços que se sente já em 2022?)

F*da-se para isto. Não tenho mais palavras.


Livro 10/2022


 A Gaiola de Ouro, de Shirin Ebadi

Outro da coleção do meu pai que me calhou. É incrível esta coisa de os livros virem ter connosco a determinada altura... Tantas vezes olhei para esta lombada (já o referi aqui que faço ginástica todos os dias diante da estante da sala, e estou sempre a bater os olhos nos mesmos livros!) sem nunca ter o impulso de lhe pegar, e durante estes dois anos em que o livro está cá em casa esteve ali esta preciosidade e eu a ler outras coisas às vezes sem interesse nenhum.

Um dos temas que abordo nas minhas visitas, tantas e tantas vezes, é esta relação que temos com o "outro" (o que é diferente de nós, de alguma maneira), as confusões que fazemos, os preconceitos que temos e como os podemos questionar.
A História do Médio Oriente (termo que também questionamos, Médio porquê? mas adiante) é muito confusa! E da nossa perspetiva parece que "é tudo a mesma coisa".

Este livro vem esclarecer muita coisa da História mais recente do Irão - e é uma história verídica.
A melhor amiga da autora tem três irmãos e cada um tem ideais diferentes. Através da história de cada um, daquilo em que acreditam, de quem os apoia, do seu percurso político, profissional e pessoal, vamos desenrolando a História do Irão da 2ª metade do século XX.
Aprendi muito, foi mesmo muito esclarecedor - não só para mim, que tantas vezes falo na Pérsia, mas penso que é importante para toda a gente. 
Muitas vezes focamo-nos nas diferenças, mas temos também tanto em comum: a relação com a família e com a comida principalmente. 

A autora foi Prémio Nobel da Paz em 2003.
Dei 5 estrelas e recomendo.

Livro 9/2022


 A Taberna da Índia, de Antonio Sarabia

Mais um da coleção de livros do meu pai, arrumado na prateleira da sala à espera da sua vez.
Uma história da época dos "descobrimentos" (cada vez mais esta palavra vai fazendo menos sentido, e ainda bem) de Espanha, e da escravatura.
A Índia é uma escrava nativa das Caraíbas, que é comprada por um taberneiro, e a história anda à volta dela, do seu dono, do irmão deste e seu respetivo escravo também, das "aventuras" da vida no mar, a promessa de enriquecimento fácil que não chega a acontecer, o domínio e a chacina sobre estas tribos nativas. E na História em que há domínio de um povo europeu sobre outro qualquer, já se sabe que para as mulheres a situação é sempre mais violenta.

Dei 4 estrelas e recomendo.

terça-feira, 29 de março de 2022

O mal da idade

Não vale a pena (mesmo!) tapar o sol com a peneira.
Ver mal ao perto é (mesmo!) um efeito secundário desta coisa de acumular experiência, amadurecer, também conhecido por envelhecer.

Não há volta a dar, há mesmo partes do nosso corpo que irão precisar de auxílio, e ao que parece a minha visão ao perto não irá melhorar, já só fica pior.

Não é por acaso que associamos os óculos de ver ao perto - os pequeninos para usar na ponta do nariz - aos velhotes. Conheço até vários cinquentões que usam, e acho sempre que é coisa que os envelhece brutalmente. Óculos é uma coisa, óculos na ponta do nariz que permitem ver por cima é toda uma outra coisa...

Dito isto saí da consulta com a indicação de que esses seriam mesmo os óculos que teria de usar - só mesmo para ver melhor o que tenho na mão, e conseguir ver por cima dos óculos o que se passa à volta.

Olhei para os modelos disponíveis, mas não consegui... Daqui a uns anos talvez, mas por agora trouxe uns óculos redondos, muito a contra gosto do rapaz que me atendeu!
Já me apercebi que não é o mais prático (tenho de tirar e por os óculos cada vez que levanto os olhos do livro!), mas por agora não consigo ir mais longe.
Sei que de quase adulta tenho muito pouco, mas ainda estou longe de ser quase avó!

sexta-feira, 18 de março de 2022

43 anos e 10 meses

E ou muito me engano, ou estou mesmo a precisar de usar óculos.
Fotocópias, apontamentos, catálogos de exposições, artigos na net, livros, computador, telemóvel e os meus ricos olhos, que sempre funcionaram tão bem, começam a dar sinal de profundo cansaço.

A ver se trato disto rapidamente.


(e não, não acho que usar óculos seja um "mal" da idade, primeiro porque não é um mal - acho eu, mas não sei, nunca usei! - segundo porque o meu mais velho usa óculos desde os 3 anos de idade!)

segunda-feira, 14 de março de 2022

Livro 8/2022

 O que sentem as mulheres, de Nativel Preciado

Herdado da minha mãe, para variar, oferecido pelo meu primo (afilhado dela e que já foi um leitor assíduo nos primeiros tempos do blog, entretanto foi para outras paragens digitais, que isto dos blogues já é só dos resistentes!). Calculo que tenha sido iludido pela contracapa, em que se refere um resumo sobre mulheres de sucesso, mas imagino que ele não o tenha lido pois talvez não o tivesse oferecido à minha mãe se o lesse. Não que a minha mãe não tivesse gostado, mas pelo género de livro que é e que efetivamente não teria muito a ver com ela.
Basicamente a autora é uma jornalista espanhola que ao longo de décadas foi entrevistando muitas mulheres, e faz uma espécie de resumo de algumas opiniões dessas entrevistadas - mulheres famosas em Espanha, intelectuais, atrizes, cantoras, esposas de escritores entre outras.
São no fundo reflexões de mulheres sobre o seu papel sob diferentes pontos de vista - o envelhecimento, as oportunidades de trabalho, o casamento, o sexo, a opção de ter ou não ter filhos, a carreira profissional.
É um excelente manifesto feminista, apesar de muito datado (o livro foi escrito nos anos 90). Esse facto, e também o facto de serem personalidades espanholas que eu não conheço foram os pontos negativos.
Dei 4 estrelas e recomendo.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Sobre não saber lidar II

 Por uma questão de saúde mental, sei que não é bom estar sempre a ver as notícias - sei disso tudo, mas não consigo deixar de ver e ler (já foi assim na pandemia e assim me mantenho...).

Serve apenas para aumentar ainda mais esta sensação de impotência.

Continuo de queixo caído com o que se está a passar e o mundo a assistir...

Mais de 2 anos

 O meu pai morreu há pouco tempo - pouco mais de 2 anos.

Às vezes imagino (muitas vezes!), como seria se de repente ele regressasse à vida por um dia - o que iria achar disto tudo, de como tudo mudou em tão pouco tempo...

Acho que nem sei bem por onde poderia começar a explicar...

O mundo mudou nestes 2 anos, caramba! 

sexta-feira, 4 de março de 2022

Livro 7/ 2022

 

O Espião Português, de Nuno Nepomoceno

Herdado do meu pai. Na altura em que desfizemos as estantes de livros de casa dele, trouxe uma data deles que organizei por temas em sítios específicos. Depois disso voltámos lá a casa várias vezes e ainda havia todo um quarto cheio de montes de livros espalhados pelo chão, e nessa altura ainda trouxe outros tantos que foram depois arrumados aleatoriamente nas estantes cá de casa. Há uns quantos que estão na estante da sala, e eu quando estou a fazer ginástica muitas vezes estou a olhar para eles (pensando quando é que vou ter vontade de os ler).
Um colega de trabalho partilhou que estava a ler um livro deste autor, e não podendo ir requisitar livros à biblioteca (porque me atrasei a entregar os anteriores), foi o mote para pegar nele.
Nunca tinha ouvido falar no autor, ao que parece tem uma série de livros com o mesmo protagonista (nem sei se é o deste livro ou não).
Basicamente, é um 007 à portuguesa com todos os ingredientes - as perseguições, o suspense, as "bond girls" boas e más da fita. Previ um dos aspetos do final quando ia a menos de meio, mas ainda assim houve ali um twist de que não estava nada à espera.
Deixa muitas pontas soltas, talvez para resolver em volumes posteriores, é um cliché atrás do outro e tem até uma atitude algo machista em relação às personagens femininas e homofóbico em relação aos homossexuais, mas não é nada muito grave, eu é que ando muito atenta a estes temas. 
Dito isto, está bem escrito, prende e entretém. Daqueles que acaba um capítulo e queremos saber mais, o comboio a chegar ao destino e eu a pensar que queria ler só mais um bocadinho. É o que preciso neste momento, livros que me apeteça pegar neles mais do que uma vez por dia.
Por tudo isso, dei 3 estrelas e recomendo, e até ofereço se alguém o quiser.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Sobre não saber lidar

Com esta guerra, a primeira na idade adulta que presencio.
Tudo ganha outra dimensão. 
As famílias refugiadas no metro (o que se leva nestas ocasiões?), as casas destruídas (quem é que vai pagar?), as filas e filas a tentar sair do país (como se deixa uma vida para trás?).
O que dizer aos pré-adolescentes para lhes explicar como se chega até aqui?
Há explicação?
Em 2022 como é que se chegou até aqui mesmo?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Coisas que me ocorrem

Como terá sido ser mãe sem o desafio dos telemóveis e jogos online?

Livro 6/2022

 

Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto
Trazido da biblioteca por impulso, por estar nos destaques e por me lembrar vagamente de ter tido boas notas no Goodreads (que confirmei depois).
Haverá muitas maneiras de escrever uma biografia de uma pessoa que se destaca, mas nenhuma igual a esta seguramente, ainda para mais estando o biografado vivo - que bom que deve ser ler assim a nossa vida escrita desta maneira.
Já li um outro livro deste autor - O Cemitério de Pianos - na altura gostei imenso, e há passagens e personagens que me acompanham desde que o li (em 2007 ou 2008, nem sei).
Desde então no entanto deixou de me apetecer este tipo de escrita, esta prosa poética, esta enchurrada de imagens, cheiros, sons e texturas em cada frase, de que ele é mestre. Acho que fez escola com outros autores portugueses, mas nenhum usa as figuras de estilo como ele, os outros acabam por não lhe chegar aos calcanhares. Por muito bonito que seja, nem sempre estamos para aí virados, e tudo o que é demais enjoa.
Aqui não chega a enjoar, está tudo na medida certa, os episódios saltitam entre as páginas desde as recordações da infância, o início dos negócios, os festejos dos seus 90 anos. Um livro bonito, uma história bonita também (ou pelo menos os episódios relatados), até o papel escolhido para as páginas é bonito (tem corpo e presença) - foi um prazer lê-lo até ao fim.
Dei 4 estrelas (porque apesar de tudo não estive sempre naquela ânsia de o ler), mas recomendo muito.