Não sabia, li depois, que o livro tem 70% de auto-biografia e mais curiosa fiquei.
Como sempre, muito bem escrito e com um final que surpreende.
Foi uma boa companhia nas férias.
E a semana que passou foi passada na ilha-maravilha, aquele sítio que nos faz feliz e onde regressamos sempre.
Mais uma vez, não nos desiludiu.
Mergulhos imbatíveis, água quente e transparente, conquilhas, caminhadas na areia, churrascos, peixe fresco, e a família junta, que é tão importante.
(passou a voar, mas foi tão bom!)
Segue-se uma semana a meio gás, e depois estamos de férias novamente.
E de domingo em domingo vai passando o verão.
Boas férias a todos!
E o mês de Agosto começou e o trabalho não abrandou (só abrandou foi mesmo a minha capacidade de lidar com ele devido ao calor).
Conhecem alguém que em Agosto tenha trabalhado 8 dias sem folgas?
Agora sim.
Conhecem alguém que tenha trabalhado no fim de semana das JMJ com 45 graus e a família e amigos reunidos na praia?
Agora sim.
Conhecem alguém que tenha tomado decisões de mudança na sua vida profissional derivados ao que aconteceu anteriormente?
Agora também sim.
Há limites para tudo, e eu alcancei o meu.
Aquele regresso a casa de comboio no último dia das JMJ sem ar condicionado foi mesmo a gota de água caramba.
Em breve haverá novidades profissionais deste lado, dê por onde der.
Até lá, boas férias!
E assim acabou uma quinzena de trabalho intenso (mas gratificante), cansativo (mas divertido), daqueles em que ficamos com um grupo de miúdos o dia todo.
Segue-se mais uma semana de trabalho intenso, com oficinas novas num museu onde nunca as fiz, e uma visita a duas exposições novas também, a começar na 2ª e a acabar Domingo* (sim, mais 7 dias de seguida)
Quem por aí é que está a abraçar novos projetos na primeira semana de Agosto? Alguém mais a trabalhar que nem loucos em Lisboa em semana de Jornadas Mundiais da Juventude (sem ter nada a ver com elas)?
Até eu, que controlo a minha agenda, estou parva com isto.
Depois disso, haverá um abrandamento do ritmo, ou assim o espero.
Nota escrita a 1/08/2023
*disse Domingo mas é 2ª feira.... são 8 dias de seguida, e não 7. Começar Agosto como se fosse Novembro, hã!
Ai vida
Mais uma semana passou, e tive direito ao primeiro fim de semana do mês, com direito ao regresso dos adolescentes cá de casa que andavam nas suas vidas (ficámos com uma filha única e adotamos uma sobrinha).
Houve praia, almoço a 5 na hamburgueria do bairro, festa de anos em casa de amigos queridos (com uma filha que fez 16 e cujo nascimento este blog acompanhou com certeza).
No domingo, o primeiro dia de praia completo - de manhã com os primos, à tarde com os amigos de sempre.
Serve este post para recordar, para memória futura, que é isto mesmo que se leva desta vida.
Ao fim de mais uma empreitada de 15 dias a trabalhar de seguida (e no verão, que custa ainda mais!) eis que ao aproveitar o Domingo encontro no paredão uma prima querida, que vive em Lyon, a estudar teatro.
Contou que acabou o curso e que vai ficar em Lyon (onde paga por uma casa no centro da cidade o mesmo que eu pagava pela minha em 2004!), e confessou que não sabe muito bem o que vai fazer à vida.
Tenho mais 20 anos do que ela, e eu mesma não sei muito bem o que fazer à vida, tantas vezes.
Gosto tanto do que faço, mas estes dias de trabalho em loop não me fazem bem, e fico a pensar que também eu precisava de dar uma volta à minha vida.
O que levar e o que manter? Ficar ou sair?
Os anos passam e as dúvidas mantêm-se.
Quem pensa que aos 45 tem a vida orientada, desengane-se!
Conheço muitos sintomas de envelhecimento (ou crescimento), mas ficar com o cabelo (ainda mais) encaracolado não conhecia.
A verdade é que o meu cabelo foi mudando ao longo do tempo.
Nasci com caracóis apertados, que se mantiveram até aos 4 anos.
Dos 4 até à adolescência tive cabelo liso - com direito a corte de franja à Beatriz Costa e tudo.
Da adolescência até agora, ou seja durante mais de 30 anos, tive o cabelo ondulado. Começou timidamente pelos 14 ou 15 e assim se manteve, numas fases mais e noutras menos, consoante o corte, e consoante o grau de humidade - mas sempre ondulado, sempre rebelde, sempre a fazer o que lhe apetece.
Pois que desde há um ano mais coisa menos coisa ele deu de apertar o caracol novamente, e foi apertando e apertando até ficar mesmo mesmo com caracóis, sem nenhuma parte ondulada.
Deixem-me que vos diga, a vocês que têm cabelo liso, que ter caracóis dá um trabalhão!
Não posso meter-lhes um pente, tenho uma quantidade infinita de produtos para os definir, já não o posso apanhar sempre que me apetece, e depois de o lavar há todo um ritual que requer tempo e paciência - que como se sabe são dois bens de primeira necessidade mas bastante escassos por aqui.
Desde adolescente que assumi os meus cabelos como são - nunca os pintei, nunca fiz nenhum alisamento - sempre tratei o meu cabelo com respeito, deixando-o ser como ele quiser.
É o que acontece quando damos liberdade aos nossos filhos, por vezes as coisas saem do controlo e temos de aceitar e lidar.
Pode ser que na velhice volte o cabelo liso, e eu possa voltar a ter uma franja à la Mia Wallace em branco.
Aguardemos.
Os mais velhos de férias (um com boas notas e outra com notas excelentes - orgulhos da sua mãe!) a mais nova ainda com escola, mas já depois da sua festa de "finalista" - do Jardim de Infância, imagine-se...
Já atafulhei o frigorífico com comida, e tenho feito refeições para um batalhão, pois agora há mais almoços em casa.
O mais velho já se passou para o outro lado (da adolescência) e já passa os dias em programas com amigos (e as noites por vontade dele também!).
A do meio vai alternando saídas com o ATL e dias a descansar em casa.
Eu ao contrário do costume não vejo o ritmo de trabalho a abrandar (sim, eu sei, muito trabalho é bom!) por isso estou basicamente sem mãos a medir - novas exposições, novos públicos, novos desafios.
Os fins de semana revelam-se cheios de programas e com pouca praia, ou a trabalhar (claro...). Os feriados foram passados a estudar (e a chover, menos mal, que se é para estar ao computador pelo menos que chova).
Pelo caminho há greve de comboios; obras nas linhas de metro; chuva de manhã e calor abrasador à tarde; sardinhas assadas e bailarico.
Hoje é o dia mais longo do ano, e eu desejo a todos o melhor verão possível.
Os 44 trouxeram-me dificuldades de visão, estou cada vez mais e ver menos ao perto (coisa que ainda me faz alguma confusão, confesso).
Entre isso e as dificuldades em ir à biblioteca, mais impulsionada pelas leitoras mais próximas, pois que aos 45 recebi (a meu pedido) um e-reader - que é como quem diz, um leitor eletrónico.
Não sendo bem a mesma coisa que ler um livro, traz tantas vantagens que é difícil resistir: podemos escolher o tipo e (mais importante) o tamanho de letra que queremos ler, é leve como um telemóvel, podemos levar para todo o lado, cabe em qualquer lado, e permite guardar uma biblioteca inteira.
Tudo junto acaba por se sobrepor à vontade de ter um livro físico, páginas para virar e o cheirinho do papel.
A quantidade de livros que já tenho dá-me para ter leitura até ao fim do ano, e só com esses já teria pago o valor do e-reader (sendo que não paguei porque sim, há todo um mercado negro de e-livros, como de tudo o resto!).
A grande diferença: estar a ler os livros que me apetecem mesmo, que ando à procura há imenso tempo sem encontrar, e não aquele livro que está ali na estante e que leio por não ter mais nada disponível no momento.
Por isso recomendo, e aviso que os próximos livros serão lidos neste formato.
1ª viagem oficial com filhos mais crescidos, de avião - e a certeza de que estão com a idade certa para viajar, para conhecer novos lugares.
Aguentam-se bem, são divertidos (e parvos), desanuviam o ambiente de stress (estão na fase em que só gozam connosco!), e tirando a fome constante e as mil idas ao wc diria que são os companheiros de férias perfeitos!
Milão também esteve à altura do acontecimento - cidade prática, pequena, com poucas coisas para ver., comida boa e barata, e gelados deliciosos.
Já estamos a pensar na próxima - há lá coisa melhor que viajar?
Uma idade redonda, da qual me orgulho profundamente.
Digo-o muitas vezes, não voltava atrás no tempo para fase nenhuma da minha vida, tem sido sempre a melhorar, de uma forma ou de outra.
Foi um dia bom, e simples.
Podem vir mais 45, um ano de cada vez.
Assim passam os dias, uns atrás dos outros, atrás dos outros.
Tempo para pensar no assunto, para refletir sobre o que andamos a fazer - à primeira vista, não há.
Lembro-me sempre da minha mãe dizer que o tempo em que nós éramos pequeninas passou demasiado depressa - e dou-lhe razão. Vejo as colegas de 30 e poucos a ter bebés e só lhes digo que é sempre a melhorar (porque continuo a achar que é), mas não deixo de pensar o quanto enganados andamos quando achamos que "vamos ter um bebé" - nós não temos bebés, malta, nós temos pessoas que numa fração de segundos deixam de ser bebés. Depois temos outras aventuras.
Li uma frase algures, que somos tão felizes quanto o nosso filho menos feliz - e às tantas parece isso mesmo. Quando não temos com que nos preocupar (e eu não tenho tido, de facto), há sempre um pequeno drama ao virar da esquina, uma negativa escondida, um vídeo de tiktok que não era suposto verem, um horário de chegar a casa não respeitado, amigas que fazem grupinho à parte e fazem com que a chegada à escola seja de dores de barriga. Oh well...
Nos intervalos de tudo isto, entre as 10h e as 18h tento fazer tudo o resto. Mil projetos, coisas para entregar, ideias que tenho de ter e por no papel, páginas e páginas por ler sobre tudo e mais alguma coisa (e a sensação de que fica tanto por ler também). Sinto que ando sempre a correr, e sempre a ficar para trás.
E de corrida em corrida (todas metafóricas, bem entendido) a vida vai acontecendo, e que bom que é, mesmo com a casa caótica, o frigorífico sempre com faltas (ou com queixas sobre isso), unhas por pintar, caminhadas por dar, livros por ler e roupa por arrumar.
Os meus 45 aproximam-se a passos largos.
Os anos, como os dias, também se sucedem em catadupa.
Daqueles livros que vêm ter connosco nas alturas certas.
A primeira pessoa que o recomendou foi uma senhora de um grupo que recebi na grande exposição temporária deste ano letivo no Museu onde mais colaboro - Faraós Superstars. Foi a primeira visita que fiz a adultos, um grupo cultural de seniores, e no final uma senhora pergunta-me se já o li - disse que não, nem nunca tinha ouvido falar. Apontei o nome do livro e da autora por pura educação, pois achei o título muito pouco sugestivo - mandei pelo whatsapp para o marido, que é como faço quando quero tomar notas (entretanto percebi que posso mandar mensagens whatsapp para mim mesma, adiante). Pensei que se tratasse daqueles romances históricos sem grande base científica, uma xaropada de cordel de que a senhora tinha gostado muito...
Meses depois uma colega que está a fazer um mestrado na área do livro e da leitura, voltou a referi-lo, e o quanto tinha gostado - fiquei logo com vontade de o ler. Pouco depois foi a minha irmã a referir o assunto, e percebi que tinha mesmo de o ler.
Passado uns tempos tive de fazer tempo numa ida ao banco, e entrei numa livraria - já se sabe que é um erro. Lá estava ele, mesmo à minha espera.
Vale de facto muito, muito a pena.
É uma adaptação para divulgação, de uma tese de doutoramento - que é como quem diz, é um livro com uma base científica sólida, mas escrito de forma cativante.
O tempo que o demorei a ler não tem nada a ver com o quanto eu gostei - que gostei mesmo muito! E ainda bem que o comprei (é uma raridade nos dias que correm), porque será com certeza consultado no futuro.
É um livro sobre a História do livro e da leitura, principalmente na Antiguidade (Mesopotâmia, Egito, Grécia e Roma, principalmente).
Uma maravilha que reúne duas das minhas paixões - História e livros - mas bem escrito mesmo para quem não seja apaixonado por ambos com a mesma intensidade. A autora escreve a História fazendo sempre pontes com o presente - que é a minha forma de trabalhar, todos os dias!
Dei 5 estrelas e recomendo.
... que os mais velhos vão ganhando, aos poucos (e aos muitos também!).
De andarmos a refilar com o mais velho que largue a playstation e o telemóvel, passamos agora a vida a perguntar onde anda, e com quem - já que em casa, não pára muito. Na primeira oportunidade enfia-se na camioneta e vai passar dias ao Alentejo onde tem um primo da sua idade, e um grupo de amigos que já perguntam por ele.
A do meio está agora nas Guias - uma oportunidade de fazer amigas fora da escola, e de fazer atividades divertidas ao fim de semana - e hoje partiu para o seu primeiro acampamento.
Que bom que é vê-los a ser pessoas independentes, ver como se relacionam com os outros, como são uma parte nossa mas são seres inteiros, que vivem (muito) para além de nós.
(até agora, zero nostalgia de quando eram pequeninos)
... da minha primeira menina, da minha do meio, recheio da minha sanduiche mais que perfeita.
O melhor imprevisto da minha vida.
... e te apercebes que desde início do ano tiveste apenas 1 fim de semana de folga, sábado e domingo de seguida (logo em Janeiro, bem entendido).
Ando a trabalhar demais, claramente.
Os dias passam a correr. O tempo é pouco para tudo o que há a preparar.
Os projetos sucedem-se, e que bom (e assustador!) que é.
As semanas passam e reparo que este ano praticamente não tive fins de semana (ou dois dias inteiros sem trabalhar).
Às vezes acho que não, mas a maioria do tempo parece que me alimento desta apneia de estar sempre a fazer coisas novas, novos desafios, em sítios diferentes (e às vezes com muito pouco em comum).
Onde fica a fronteira entre trabalho e lazer quando somos mesmo apaixonados pelo que fazemos?
Num dia em que o pai foi ao futebol com o mais velho e as miúdas foram dormir a casa dos avós.
Sobre o divórcio de um casal com um filho de 8 anos, ele encenador e ela atriz em NY.
Cheio de clichés e coisas que tais, mas com um ator giro que se farta - o Adam Driver.
O poder do cão
Esta que vos escreve, ao fim de sei lá eu quanto tempo, percebeu finalmente como funcionam os comandos cá de casa para ver outra coisa que não youtube - que vejo religiosamente todas as manhãs para fazer ginástica.E sim, imagino que este filme em sala, e não na minha sala, será com certeza muito mais interessante, pois mais do que um filme de personagens e de atores (que são belíssimos), é um filme de imagens, de paisagens, uma autêntica poesia visual.
Adormeci ali um bocadito a meio, ao que parece na parte mais interessante, mas vi o resto com interesse qb - não se passa muita coisa, e o que se passa não é evidente.
Mas é um filme, e eu vi-o, o que por si só já é digno de nota e de post.
Noutro registo bem diferente, vi outro filme com o mais velho cá de casa que gosta de skate- aconselhada por uma das colegas do grupo supra citado.
Sempre bom poder partilhar estas coisas com eles, que é cada vez mais difícil (em separado, e todos juntos então fica impossível).
A existência de "cão" e "dog" em ambos os títulos foi pura coincidência.
Ainda o ano mal começou e já fui mais vezes ao cinema do que em 2022 - não era difícil, bastava ir mais do que uma vez mas a verdade é que já aconteceu este ano - e nenhum filme era de crianças, o que é de estranhar!
Comecei com este documentário sobre a vida da Patti Smith: Patti Smith Poeta do Rock.
Fui desafiada por uma amiga e colega de trabalho, com quem conversei na altura em que estava a ler este livro. O filme passou num ciclo de cinema, fomos ver ao auditório de uma biblioteca em Lisboa - e antes fomos jantar as duas na Mouraria, um programa completo!
O filme confirmou algumas coisas que já sabia, mas ressaltou mais uma vez a capacidade artística desta geração, este viver e morrer pela arte que se calhar não se voltou a repetir. E salienta o paradigma dela como ícon da androgenia, de quem nunca quis parecer aquilo que não é, para quem as mulheres podem vestir o que quiserem, ser o que quiserem, sem precisar de corresponder a ideais de mais ninguém que não de si próprias. Uma poeta a quem a música chegou quase por acaso, uma artista no mais completo significado do termo, uma mãe que se afastou dos palcos para criar os filhos pequenos.
Uma grande boss.
Na sexta feira passada fui com o Tê ver este filme.
Sou muito fã de Amadeo, tenho a sorte de colaborar com o Museu onde se encontra a maioria das suas obras, e já tive a oportunidade de mediar muitas delas, muitas vezes. É um pintor que me fascina profundamente, com uma vida tão à frente do seu tempo.
O filme ficou muito aquém da expectativa. Não é que o que aparece seja mau - não é, os cenários são brilhantes, o guarda-roupa, está tudo muito bem feito. Mas a parte da vida dele que aparece não é a que interessa! Não há nada sobre como e quando começou a pintar, nem as exposições espetaculares em que participou, dos anos de Paris vemos uma só cena, enfim. Aparece mais tempo a irmã a morrer do que ele a pintar. Valeu pelo programa (que já nem sei quando tínhamos ido ao cinema os dois!).
Nas últimas semanas, persuadidos por várias pessoas à nossa volta vimos esta série - a primeira e segunda temporadas de White Lotus. Inédito, já que não sou de ver séries (nem filmes, já agora).
Mais do que nada foi um exercício de teimosia, para tentar perceber o hype à volta da série que toda a gente falava! Não achamos nada de especial. A primeira temporada tem uma banda sonora espetacular, que dá o tom à série e tem bastante piada. Inclui também uma personagem bastante engraçada. A segunda gostámos menos, sinceramente.
Valem ambas pelas paisagens que são maravilhosas, e pelas personagens, que estão muito bem construídas.
Perde por serem locais de férias onde nada se faz (já não os podia ver a tomar o pequeno-almoço sem ter nada planeado para o dia, depois andavam ali a arrastar-se todo o tempo, que nervos!).
Isto de ter expectativas altas nunca dá bom resultado...
À minha volta multiplicam-se os adeptos do livro desmaterializado.
Pergunto-me quanto tempo até eu aderir também... (estou muito tentada, traz muitas vantagens)
Terá o livro objeto os dias contados?
Pode um livro deixar de ser um objeto?
Pode uma casa sem livros ser uma casa de ávidos leitores?
E depois, o que aparece como fundo nas reuniões por zoom? Estantes vazias??
Quantos Julhos ou Agostos cabem no mês de Janeiro?
Caramba, que mês comprido este, parece mesmo interminável.
Este Janeiro 2023 revelou-se ocupado e desafiante no trabalho, chuvoso primeiro e frio no final, mas deixa-nos com a sensação de dever cumprido.
Quis o acaso do destino que tanto o meu pai como a minha mãe partissem em Janeiro, e quis também o destino que a minha mais nova nascesse no dia 20 deste mês, pelo que é um mês que alterna entre a alegria e a tristeza, entre a energia e a preguiça, entre os planos e as concretizações, entre o recolhimento e as saídas.
É um mês que se estende no tempo, estica-se como um gato ao sol, mas também se contrai rapidamente e vai-se num piscar de olhos:
A passagem do ano foi há uma vida, e foi anteontem ao mesmo tempo.
E que 6 anos estes, senhores?
6 anos tão difíceis e que ela torna mais fáceis - toda ela sol, alegria, amor, um pouco de mau feitio e uma dose gigante de pirosice (esta passageira, o resto acho que não!)
Aos 6 anos a Teresa está desdentada (baliza aberta), adora desenhar e pintar, adora a natação e está super curiosa com letras e números e contas. Tem facilidade em fazer amigos, mas é muito tímida, principalmente com adultos. Detesta ser o centro das atenções, seja com crianças seja com adultos.
Todos os dias saímos as duas de casa e descemos as escadas de mão dada, e eu vou degrau a degrau a agradecer esta menina, com a mão ainda tão pequenina dentro da minha.
Olho para ela, mais nova de três e tantas vezes me vejo a mim também, aquela filha bónus que é um presente para todos.
Melhor ideia de sempre. Mesmo.
Com a ajuda do meu fiel Goodreads, aqui vai o meu resumo:
21 livros
6402 páginas lidas
Livro mais popular: Sapiens (lido por uns impressionantes mais de dois milhões de pessoas)
Livro menos popular: A Taberna da India (lido por apenas 7)
Tentei nos primeiros tempos diversificar ao máximo ao nível dos autores, mas a partir de certa altura deixei de ter isso em atenção.~
Assim li:
Escritor homem - 12
Escritora mulher - 9
Os quais vêm dos seguintes países:
Portugal- 5
Itália - 1
Espanha - 4
Estados Unidos - 2
Chile - 1
Irão - 1
India - 1
Japão - 1
França - 1
Israel - 1
Inglaterra - 2
Alemanha - 1
Acho que será importante manter ainda mais a diversidade.
Houve livros de que gostei muito - Mais pesado do que o céu; Dave Grohl, A Gaiola de Ouro, Tu não és como as outras mães, Sapiens.
Outros que não me deixaram memória - Rapariga, Mulher, Outra e Destinos e Fúrias.
Houve um que não gostei mesmo, mas fui teimosa e não abandonei - O Gigante Enterrado.
Outros que me foram úteis de diferentes formas - A Dama e o Unicórnio, A Revolução da Glicose, Tratado das Contradições e Diferenças...
Mais uma vez não chego ao número de livros a que me propus, mas sei que este ano li muito (e muito mais do que estes 21).
Para 2023 mantenho o objetivo dos 24 livros, 2 por mês e vou continuar a registar aqui as minhas considerações.
Assim sendo, boas leituras!
Mais um ano que passou, e se até a minha do meio me diz que passou rápido (com 11 anos), calculo que passou a voar mesmo para toda a gente.
Se o tivesse de resumir numa palavra, já o fiz, seria Trabalho. Olho para trás e é só isso que vejo (e que bom que é, acreditem).
Foi um ano que começou tranquilamente (confinados e com covid!) a que se seguiu uma sensação muito grande de liberdade - a liberdade de (supostamente) não apanhar covid de novo!
Percebi que mesmo sem dar por ela estive sempre com aquela tensão latente ao longo de 2020 e 2021 - será que apanhei? Será que vou apanhar? É arriscado ou não é?
Comecei o ano com covid e a verdade é que foi de facto muito libertador - além de ter sido um covid muito fracalhote, que nem sintomas me deu. Uma sorte.
Depois de praticamente dois anos com muito pouco trabalho, senti que tentei agarrar tudo com quantas forças tinha. Não disse que não a quase nada, e fiz de tudo para me manter em todo o lado quase ao mesmo tempo. Fui assim uma espécie de polvo laboral.
Resultado: em 53 fins de semana só não trabalhei em 21 deles - menos de metade! - e isto inclui os fins de semana que calharam nas férias. Cheguei a trabalhar 10, 12, 14 dias de seguida muitas vezes, chegando ao cúmulo em Outubro de passar 27 dias a trabalhar sem ter um único dia de folga.
Foi uma loucura, em todos os sentidos, e o mínimo que seria de esperar era ter ficado milionária, mas tal como imaginam, não aconteceu...
Foi má gestão da minha parte, sim, mas foi também medo de ficar sem trabalhar outra vez.
E sim, foi um cansaço muito grande, mas também sim, deu-me muitas vezes um gozo enorme porque efetivamente trabalhar para mim não é um fardo, gosto mesmo muito de fazer o que faço, e os anos passam mas eu não esqueço o infeliz que fui sentada à secretária, e continuo a agradecer (sempre!) esta oportunidade.
Tudo o resto parece que passou para 2º plano, e isso é bom, pois é sinal que não houve problemas de maior.
Temos oficialmente dois adolescentes e uma criança em casa.
Sinto sinceramente que este ano mal os vi, e que pouco ou nada acompanhei o que se passa na escola. Já aceitei que não sou uma mãe muito participativa nos estudos - a verdade é que nunca precisei de ser! - mas tenho muita dificuldade em acompanhar tudo que têm para fazer. Por isso confio, e deixo andar - não me lembro da minha mãe saber as datas dos meus testes nem trabalhos, aliás, eu sei que ela não sabia, e nisso pareço-me com ela.
Devido a tudo o que foi escrito em cima, foi um ano em que senti claramente que quase tudo me passou ao lado. Houve almoços, jantares, lanches, saídas à noite, encontros de família, cafés... Parece-me que faltei a tudo, ou estive a trabalhar, ou o programa estava acima das minhas possibilidades (o que infelizmente foi verdade, muitas vezes).
Passei o 2022 a trabalhar muito e a receber pouco, pois por vezes o dinheiro tardou a chegar. Mas chegou. E 2022 terminou um pouco melhor do que 2020 e 2021, neste aspeto.
Mantive -me fiel à minha PT do Youtube Heather Robertson, e já comecei 2023 muito motivada. A verdade é que o corpo não muda (muito), mas a cabeça sim, e a forma como olho para ele vai sendo com cada vez mais admiração! O objetivo é continuar em 2023.
Foi o ano em que comecei a usar óculos, e fui percebendo ao longo dos meses que preciso mesmo. Em muito pouco tempo as letras encolheram bastante, os contornos deixaram de estar nítidos e quando pego em qualquer coisa para ler faço aquele gesto típico - à idoso! - de afastar e aproximar o papel a ver se vejo melhor. Não os uso sempre, porque por enquanto ainda depende do tipo e tamanho da letra, mas já aconteceu não conseguir ajudar uma turistas com um mapa de Lisboa por não conseguir mesmo ler a legenda...
Em 2023 não viajei e fui ao cinema uma vez. Vi muito poucos filmes, e acho que nenhuma série. Fui ao teatro uma vez e a um concerto. Li 21 livros, ficando aquém dos 24 a que me tinha proposto.
Tudo coisas a retificar em 2023.
Em 2022 morreram 3 mulheres da minha idade, com diferentes tipos de cancro - e isso é assustador. E muito triste.
No entanto, em 2022 não passei tempo nenhum em hospitais, nem por mim nem pelos que me são mais próximos, e isso por si só já faz de 2022 um ano fabuloso.
Objetivos para 2023 tenho muitos, mas se nada mudar já não me posso queixar.
Venha de lá este 2023!
... não só aprendemos a gerir a ansiedade, mas também a gerir melhor o próprio tempo.
Para memória futura: praticamente tudo comprado em aproximadamente um total de 3 horas, mais coisa menos coisa, entre dia 12 e 13. Zero stress.
Recado para a Mary de 2023 (e anos seguintes): Não vale mesmo a pena começares a pensar nisso antes do dia 10 porque pura e simplesmente, não vai acontecer.
Agora sim, pode começar o Natal!
(fui ler os meus posts dos anos passados, são todos iguais ah ah ah!)
.... em que eu não sinta ansiedade nesta altura do ano.
Esse ano ainda não chegou.
A grande diferença é mesmo aprender a viver com ela - tudo o que tem de ser feito será feito, e essa certeza permite relativizar tudo o resto.
Ainda assim há aqui um nervoso miudinho que é mau, mas bom ao mesmo tempo.
Não consigo mesmo tratar de coisas de Natal antes do Natal - é coisa que não me faz sentido, e por isso irei sempre chegar a esta fase sem nada feito. Já faz parte.
É lidar.
E quase nem acreditamos que já cá estamos outra vez.
Ainda ontem estávamos a montar a árvore de Natal, e lá está ela de novo no canto da sala.
Um ano passou, muita coisa mudou, e este último mês tendo permitido um travão no trabalho desenfreado, foi ainda assim muito ocupado - mas com direito a dias livres, às vezes até dois dias de seguida.
Dezembro adivinha-se para lá de cheio também, com coisas a acontecer todas as semanas, e por isso estou mesmo a ver que vai passar num fósforo!
Chegou o tempo das mantas, do frio, do chá quentinho, e também do bolo rei e das azevias, e que bom que é.
Tempo de escuridão e recolhimento, de reflexão e paragem, para ganhar forças para o que aí vem.
Tempo de festa de luz, de jantares e convívios natalícios, amigos secretos e reencontros, de consumismo e compras e exageros.
Que seja um tempo de equilíbrio, que é o que mais falta nos faz.
... passei a gostar da chuva.
A gostar do Outono e dos dias pequeninos.
Não há sombra sem luz, nem luz sem sombra.
Não me parece que fosse mais feliz (como tantos anos achei) num país com sol o ano inteiro.
(num com chuva o ano inteiro já vivi, e essa parte também não correu bem!)
Com dois dias inteiros, entre a 6ª e a 2ª, como deve ser.
Houve concerto e jantar a dois, caminhada no paredão, almoços de família, jogos de futebol, compras de supermercado, jantar de amigos, e festas de anos.
Soube a mel esta normalidade.
Poucos meses depois deste post, mais uma partida de alguém novo demais.
Uma querida colega de trabalho, que partiu em menos de um fósforo, sem nos dar tempo sequer de nos apercebermos que estava doente - as pessoas são o que são, e enfrentam a vida como enfrentam a morte, e a nossa Joaninha sempre foi aquela pessoa discreta, que não levanta ondas, que detesta chamar a atenção sobre si.
Foi das colegas que mais me apoiou quando o meu pai esteve doente - mesmo sem saber o que se passava, viu um dia que eu estava em baixo e nunca mais deixou de mandar mensagens uma e outra vez, sem pressionar, mas a deixar o seu apoio.
Foi a última colega com quem estive antes da pandemia, naquela fatídica semana de Março 2020, na última vez que fui ao Palácio da Pena (penso que ela também). Foi a primeira pessoa que vi depois da pandemia, à porta do Palácio da Ajuda, com quem falei sobre esta incerteza da vida, do trabalho a recibos, da instabilidade, do importante que é fazermos tudo pela nossa felicidade - aproveitarmos a vida, no fundo.
Espero que ela o tenha feito.
Resta-nos a nós fazer o mesmo, por ela.
E apesar do trabalho não abrandar - tenho tanta coisa pendente que de facto não sei por onde me virar - há uma certa paz de espírito.
O ambiente em que trabalhamos é, não sei se sabem, super importante.
Há pessoas tóxicas, chefes e colegas que nos põe os nervos em franja às vezes sem darmos por nada até estarmos sem vontadinha nenhuma de ir trabalhar - e a contrariar essa falta de vontade porque enfim, temos contas para pagar e bocas a alimentar.
Mas não é fixe. E vai-nos matando aos bocadinhos.
Sou muito grata por poder andar sempre de um lado para o outro, e por estas coisas me passarem ao lado a maioria das vezes.
Quando não acontece, é temporário - e só me faz apreciar a sorte que tenho no resto do tempo.
E parece que a imunidade fica mais baixa também.
4 dias de uma grande falta de energia, mas a falta que me estava a fazer ter esta pausa senhores...
Tínhamos planos fabulosos que saíram furados - os 125€ do Costa não chegavam para tudo.
Em vez disso ficámos por cá, demos caminhadas, vimos o mar, pusemos a casa (mais ou menos) em ordem e ainda fomos a uma exposição (que as miúdas gostaram!).
Tudo assim a meio gás, com uma grande preguiça.
A ver se aprendo a equilibrar melhor os pratos da balança, que por muito que adore o meu trabalho, há coisas que não têm preço.
Ninguém chama querido a mais mês nenhum a não ser Agosto, e não é por acaso...
31 de Outubro ainda vai longe, mas para mim Outubro acabou no domingo passado.
A exposição a que dediquei intensos dias de trabalho chegou ao fim, e com ela encerramos um capítulo pois o museu que a organizou encerrou para obras e sabemos lá quando reabre (e se estou incluída na equipa ou não quando reabrir).
Foi uma exposição penosa e emocionalmente difícil de gerir. Foi um processo longo, muitas vezes à deriva, com um trabalho próximo de uma equipa liderada por uma excelente pessoa, mas com a qual muitas vezes é muito difícil lidar...
Sinto que houve alturas - ao fim de dias e dias de trabalho seguido, com sábados e domingos ali enfiada - em que cheguei muito perto da exaustão. Tive muitos momentos em que pensei que não ia aguentar!
Mas o ser humano tem uma capacidade de resistência muito grande, e por muito cansada que estivesse não cheguei a dar o murro na mesa que bem me apetecia e a ir embora dali.
Bem, basta olhar para a conta do supermercado para nos tornarmos mais resilientes...
Agora, ainda com uma grande ressaca na cabeça, é tempo de novos desafios e de voltar a ter fins de semana (ou pelo menos uma parte deles!).
Achei sinceramente que este dia nunca ia chegar.
Desde este ponto de viragem.
13 anos a crescer e a aprender com ele.
13 anos a tentar lidar com uma situação para a qual claramente nunca nos preparámos.
13 anos a mandar o barro à parede a ver se cola, de tentativa-erro a ver o que funciona melhor.
Acho que até agora não nos saímos muito mal.
O miúdo é porreiro, não cria ondas, e é incrivelmente parecido connosco - desorganizado, caótico, sem contar nada em casa, também ele a ir mandando barro às nossas paredes e em tentativas-erro pela vida fora.
A infância já foi, venha agora a adolescência.
Depois do que passámos com ele recém-nascido, quão difícil pode ser esta fase?
Tal como há bloqueio do escritor - em que parece que congela diante da folha em branco, sem saber o que escrever - também haverá bloqueio do leitor, em que perante uma folha cheia de letras o cérebro congela e não consegue continuar.
Esta semana abandonei mais um livro - parece mesmo que a cabeça não consegue desligar, e assim fica difícil entrar numa história.
Comecei ontem um romance histórico alinhado com o que ando a fazer no trabalho - vamos ver se assim pega...
Desconfio que infelizmente não vou atingir o número de livros a que me propus este ano.... oh well.
Este ano houve várias épocas (Julho e Setembro/Outubro pelo menos) de trabalho intenso, a todos os níveis - intenso no tempo, na dificuldade, na diversidade, na questão emotiva que também conta, enfim.
No fim de semana passado ultrapassei mais um obstáculo profissional no sábado à tarde, e para poder viver o momento e descansar depois acabei por passar o trabalho de domingo a um colega (ou seja perdendo esse dinheiro - logo, posso dizer que paguei para ter sanidade mental. Adiante).
E não fizemos nada de especial, mas apenas estivemos.
Sábado de manhã foi fazer máquinas de roupa (eu) e TPC (eles) e depois almoço (antes de ir para Lisboa). Domingo foi jogo de futebol do mais velho, caminhada no paredão com skate e bicicleta, e compras ao fim do dia - um dia normal e banal, mas caramba, a falta que me faz e a eles também, essa banalidade.
Em teoria já só falta um fim de semana intenso de trabalho (a full time nos dois dias) e depois hei-de poder voltar a escolher o trabalho dos fins de semana - ou então não, que os 10€ de gasóleo não chegaram a 3ª feira e de cada vez que vou ao supermercado quase que lá deixo um rim.
A caminho do trabalho, de carro - porque é domingo, que só ando de carro ao fim de semana - percebo que está sem gasóleo e paro na bomba a meio do caminho para por 10€ (só uma nota, escolho as bombas que têm senhores a ajudar porque não gosto nada de abrir o depósito, mas adiante).
Não estava uma fila por aí além.
Noto que está a Sic a entrevistar pessoas e pergunto porquê - é porque amanhã a gasolina sobe 11 cêntimos.
Ainda bem que os jornalistas não vieram falar comigo porque de facto nem sei o que dizer.
Pus os 10€ e segui a minha vida.
Completo hoje o meu 23º dia de trabalho sem folgas.
Não vou sempre para o mesmo sítio, e nestes dias consegui ter uma ou outra tarde livre, mas não tive um dia inteiro sem trabalhar desde que vim de férias.
Mais uma vez digo e repito, isto não é uma queixa porque eu adoro mesmo o que faço (mas não adoro tudo o que faço em todos os sítios!), e porque prefiro mil vezes estar assim do que estar sem trabalhar como estive há dois anos, mas dito isto... custa, e afeta todas as outras áreas da minha vida.
Por vezes acho que estou no limiar da loucura - passo na biblioteca na sexta a deixar os livros, e deixo na caixa de correio porque penso que é segunda feira - quem é que no seu perfeito juízo confunde a segunda com a sexta?
Muitos de nós, afinal. Quem trabalha em turismo, quem trabalha em restauração, quem tem uma empresa própria, os médicos, tudo gente que trabalha mais do que deve, sacrifica noites e fins de semana, e o que mais houver.
Na semana passada tive um dia em que achei que tinha chegado ao meu limite. Estava para lá de exausta, sem energia, a fazer tudo com esforço - achei mesmo que estava perto de ter um esgotamento.
Afinal só me tinha esquecido de tomar o café de manhã - no dia seguinte estava fina, pronta para enfrentar os próximos desafios (ufa!) - mas não deixou de ser um "abridor de olhos" para o que ando a fazer...
Pela primeira vez em muito tempo, fiquei alguns dias sem ler nenhum livro - porque como me atrasei na entrega não pude requisitar logo mais livros (e como achei que era 2ª feira, à 2ª não se requisitam livros), porque não encontrei nada de jeito nas estantes cá de casa (comecei dois e não lhes dei andamento), porque ando tão assoberbada de coisas para ler que achei melhor aproveitar todos os bocadinhos para ler aquilo que me faz falta no trabalho - foi um erro. Ler acaba por ser uma forma de pausa durante o dia, muito mais eficaz do que um scroll pelas redes sociais (que era o que eu fazia porque não me apetecia ler sobre trabalho no comboio, enfim!).
Hoje é o meu 23º dia, e ainda faltam 5 para poder ter um dia todo de descanso (e vai mesmo ser só um). E eu adoro muito o que faço, mas não a forma como o sistema funciona de modo a que uma atividade que afinal se estende ao longo do ano (sem de facto parar em altura nenhuma da semana ou do mês) seja tida como sazonal, e por isso estamos condenados à precariedade.
Irá isto mudar algum dia?
E o coração vem a transbordar.
Duas semanas em que o stress não foi convidado - mesmo!
Uma verdadeira pausa de tudo o que nos preocupa ao longo do ano - há alguma coisa para comer? Temos dinheiro na conta? Os miúdos comeram sopa e fruta? Tomaram banho? Há roupa lavada? (sendo que a resposta a estas perguntas foi muitas vezes Não, e não houve problema nenhum!)
Passamos por Anadia, Aveiro, praia da Duna Alta e Costa Nova, cascata da Pedra da Ferida, Espinhal, e depois Odeceixe, Aljezur, Praia da Ingrina, Pedralva, Praia da Amoreira e um último mergulho em Porto Covo para despedir das férias (e do verão, que hoje já chove a potes).
Fui infinitamente feliz em cada um destes lugares - e sinto que aproveitei cada minuto.
Baterias carregadas, vamos lá atacar esta rentrée que se adivinha uma verdadeira loucura!
Uma semana de férias. Um funeral e uma missa de 7º dia (seguida de jantar de família, como é tradição na minha). Um jantar de anos e um batizado. Pintámos um WC, pusemos outro a funcionar (era uma espécie de depósito de tralha), organizámos a arrecadação e destralhámos a casa (quase) toda. Uma semana só os 2 (a trabalhar). Um fim de semana sozinha (a trabalhar). Uma ida ao cinema com uma sobrinha querida. Outro jantar de anos, em que fui sozinha só com a mesma sobrinha querida.
Muito trabalho e pouca praia. Folgas a dias de semana e trabalho aos sábados e domingos.
E daqui a dois dias, começam as férias!
Parece que à medida que vamos crescendo (porque é disso que se trata até ao fim) vamos cada vez mais vendo pessoas da nossa idade a partir.
E na mesma semana em que partiu uma apresentadora de televisão e uma influenciadora digital, partiu também (e pelo mesmo motivo) a mulher de um primo meu.
46 anos, dois filhos muito pequeninos (1 ano acabado de fazer, e 3 anos ainda não feitos), e 7 meses de luta.
Sei que não vale a pena tentar que as coisas façam sentido, porque não fazem.
Pudéssemos ser nós a escolher e as coisas seriam tão diferentes...
Fui de férias no sábado passado, para a ilha-maravilha onde gostamos sempre de regressar, sabendo de antemão que a qualquer momento teria de voltar pois no estado avançado da doença em que se encontrava já não havia mesmo nada a fazer.
Aproveitei cada dia, cada mergulho, cada braçada, cada conquilha e caminhada, bola de berlim e copo de vinho como se fosse o último - sem saber bem se no dia seguinte teria de vir a Lisboa.
E foram as melhores férias de sempre - talvez por isso mesmo, porque eu estava disposta a vivê-las em plenitude, no seu todo, agradecendo a oportunidade de estar viva e de ter saúde para as desfrutar.
A Sofia partiu na 4ª feira, e o funeral foi na 6ª, pelo acabámos por vir embora só 1 dia antes do previsto.
Sei que ela daria tudo para poder viver, para estar com os "seus bebés" (por quem tanto perguntava quando estava no hospital) e sinto uma verdadeira obrigação de o fazer por ela.
As minhas férias não foram as melhores de sempre por nada que estivesse exterior a mim - foram porque eu me predispus a apreciar cada momento como se fosse o último - e que bom que foi!
Esta é a única forma de honrar a vida da Sofia, e de todos os que partem cedo demais - não dar nada por garantido e tirar o maior partido de tudo o que nos rodeia, sejam umas férias maravilhosas, um calhamaço por ler, tarefas domésticas, uma ida ao mecânico ou aquele excel aborrecido que temos de verificar - o que não daria ela por ter mais um dia que fosse com toda a sua banalidade?
Estar vivo é um enorme privilégio e pura sorte!
Sejamos gratos todos os dias - é o mínimo que podemos fazer para homenagear quem partiu.
Só mesmo porque não gosto mesmo nada de estar sem escrever por aqui (faz-me falta a escrita, ajuda a arrumar ideias e a recordar, é mesmo importante para mim) - no entanto eu pessoalmente não me lembro de uma época tão atarefada... tem sido uma verdadeira loucura, senhores...
Recordo com saudade outros verões, mais tranquilos e preguiçosos, porque este verão tem sido avassalador de trabalho - não sei bem onde vamos parar, são dias e dias de seguida sem ter folgas, mil assuntos para estudar, mais uns quantos projetos para os próximos tempos.
Pela 1ª vez desde 2014 (em que deixei o trabalho fixo) tenho já trabalho marcado até Outubro (bastante) e já tenho coisas marcadas para Novembro e Dezembro também - completamente inédito.
No caminho, fica tanto por viver e tanto por registar...
O mais velho esteve num torneio de futebol e atravessa uma crise de identidade, dentro e fora de campo.
A do meio esteve num campo de férias onde não conhecia ninguém (sendo que a maioria dos miúdos se conhecia entre si) e fez amizades em menos de nada, e provou que é uma boa miúda, amiga de todos e que não discrimina ninguém.
A mais nova esteve comigo um dia em oficinas, e eu gostei tanto de a conhecer fora do nosso contexto.
Noto claramente que andamos todos muito cansados (os adultos com quem me cruzo, os miúdos não!), e todos a queixar-se do mesmo: anda tudo sem cabeça para nada, e a fazer borradas nos respetivos trabalhos: encomendas de produtos errados, faturas com valores que não batem certo, emails enviados a pessoas que não têm nada a ver ....
Será efeito do covid?
Não sei, mas que está tudo meio atípico...está!
... há palavras gritadas, portas batidas, silêncios ensurdecedores, risos que se transformam em lágrimas em menos de nada.
Senhoras e senhores, tomem os seus lugares e apertem os cintos pois é esperada bastante turbulência.
A adolescência aproxima-se a passos largos. A dobrar.
(quanto tempo dura, mesmo??)
No dia 4 foi dia de realizar o sonho da Mary de 14 anos, e ir ver o concerto dos Guns'n'Roses.
Recordo como se fosse ontem a frustração que foi não poder ir ao concerto em 1992... Foram meses a tentar convencer o meu pai (completamente irredutível, nem valia a pena tentar!), arranjei imensas estratégias, pessoas conhecidas, grupos que envolviam até um adulto minimamente conhecido mas para ele foi igual ao litro... alguma vez uma filha sua num concerto de uma banda hard rock, cheios de tatuagens e cabelo comprido? Eu na minha ingenuidade (queria tanto tanto ir!) acalentei mesmo a esperança de conseguir, e lembro-me tão bem do dia do próprio concerto, e do triste que eu estava por estar a perder uma noite memorável - e que o foi de facto, não necessariamente pelas melhores razões, mas que ficou para a História, ficou! Mais tarde voltaria a ter muita pena de não me deixarem ir aos Nirvana, mas já nem esperança tive (e talvez já tivesse um bocadinho mais noção do perigo, não sei!) - mas este concerto dos Guns ficou-me mesmo atravessado!
Foi a primeira banda a sério de que gostei, logo depois dos New Kids on the Block (claramente uma banda para crianças!), e os álbuns Use Your Ilusion marcaram profundamente a entrada a sério na adolescência.
E apesar de todas as diferenças (toooodaaaaas!) senti-me como uma adolescente e vibrei, diverti-me, cantei, saltei e dancei como se estivesse em 1992!
Dos 14 aos 44 nem tudo mudou!
E a constatação de que passei a fazer capicuas em anos que terminam capicuas também - fiz 33 em 2011, 44 em 2022, farei 55 em 2033 e aí por diante.
A constatação surgiu ao perceber que o meu sobrinho gémeo também fez capicua este ano - fez 11 - e como tal irá acompanhar-me nesta jornada, uma vida repleta de capicuas!
Pretendo andar por cá pelo menos até aos meus 88, que serão os 55 dele - em 2066, ui que isto agora de repente parece uma coisa muito longínqua, mas acreditem que não é!
Foi um dia tranquilo, passado junto ao mar, praticamente sem chuva e só vos digo que os 44 me assentam que nem uma luva!
Venham os próximos!
Assim de repente, e com muito por fazer e muitas coisas para mudar, sinto que estou onde deveria estar, em todas as áreas da minha vida.
Se mudava alguma coisa?
Um pormenor ou outro sim, mas no geral está tudo muito bem como está.
Foram um total de 12 dias sem folga, mas isso não é o mais estranho.
Nesses 12 dias houve duas estreias: uma mini-exposição (quanto mais pequena a exposição, mais tenho de saber sobre o tema) e um museu novo, com 2 pisos de coisas bastante fora da minha praia.
Pelo meio visitas VIP, substituições e alterações de última hora, a atrapalhar ainda mais e aumentar os nervos nestes dias.
Prova superada, correu tudo bem, não me espalhei ao comprido.
Mas confesso que estas palavras do novo Ministro da Cultura não me caíram bem.
Claro que a precariedade não é um mal absoluto - para quem tem um ordenado fixo ao fim do mês, claro que não é!
Sazonalidade e precariedade não são sinónimos. Há muitas formas de contornar esta questão, e há mesmo soluções na lei que o preveem, o que não há é vontade de os aplicar.
E nós precários da Cultura pactuamos com isto, é certo, pois andamos aqui a passar recibos verdes a empresas e associações-fantasma que servem para isso mesmo: para mascarar a realidade e deixar as entidades de mãos lavadas por não terem nenhum vínculo direto com cada um de nós.
É o preço que pagamos por gostar tanto do que fazemos, mas era bom que isso fosse reconhecido e que a estabilidade de um (ou vários) contrato(s) não fosse um bicho de sete cabeças.
Há uma euforia no ar, um "regresso à normalidade" que faz com que ande tudo a mil.
Isto não é uma queixa (ou será?), mas hoje é o meu 8º dia de trabalho seguido, e ainda (ou só?) faltam 5 até ter a próxima folga (de 1 dia e depois seguem uma data de dias seguidos).
E dizem-me todos os que me acompanharam no desespero de estar sem trabalho "que bom!", e pois claro que é bom, mas a que preço, senhores?
Reconhece-se agora a léguas quem é mediador artístico ou trabalha em turismo- somos os das olheiras, os copos de leite, os que ainda não puseram o pé na praia/esplanada/jardim.
É.
E às tantas fica difícil aguentar o ritmo, as solicitações (porque em casa, já se sabe, há roupas por arrumar, sopas por fazer, varicelas a decorrer) sem uma pausa para poder respirar, e sem sequer estar à vontade para barafustar porque claro, é trabalho, e se me queixei de falta dele não me posso agora queixar da abundância.
É daquelas coisas, quem tem um ordenado fixo ao fim do mês não vai entender nunca.
Domingo quando o despertador tocou para mais um dia de trabalho (o 7º) veio-me à cabeça a conversa com uma amiga que tinha estado na praia na véspera - e naquela indolência do cérebro que ainda não acordou perguntei-me porque raio estaria ela com os filhos na praia a meio da semana...
Quem não trabalha aos fins de semana, também não vai entender nunca...
Enfim. Café terminado, post acabado, que por aqui há muito por estudar.
Fui!