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sexta-feira, 28 de março de 2008

Mais um passo VIII


E dentro de momentos deixaremos de ter internet, e esta casa além de vazia estará também desligada do mundo.

Este é portanto o meu ultimo post durante esta experiência como emigrante.

Adeus Amsterdam!

Adeus Mary de Amsterdam!

...e a vida continua...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Mais um passo VII

Ontem e hoje também foi dia das primeiras despedidas.

Era tão bom se pudéssemos passar esta parte...

Mais um passo VI

A casa está vazia.
Escrevo este post sentada no chão, com o computador em cima de uma caixa.
Há uma hora atrás vieram cá alguns amigos e ex-colegas buscar o queriam. Houve um que comentou que Amsterdam vai ficar com vários bocadinhos nossos.
A minha cómoda foi para uma brasileira que está à procura de casa e por enquanto vive com uma amiga italiana. A nossa cama pertence agora a uma alemã que partilha casa com um turco. A cadeira da sala e os bancos da cozinha, e também os livros de holandês estão em casa do casal francês que se casa em Junho. A mesa do meio, os cabides e o colchão insuflável levou-os o português acabadinho de chegar à Holanda que me substitui no trabalho.
E de repente a casa ficou vazia.
Ontem quando levámos as primeiras caixas para o lixo o Tê meteu conversa com um ucraniano que estava na rua e pediu-lhe ajuda para levar o sofá. Claro que foi o insólito de estar eu na sala a arrumar as coisas e ele a entrar diz:
"Love, vou entrar com um senhor."
Hã?

O resto das coisas fomos deixando ao longo dos dias, e normalmente não demoravam nem 5 minutos ao pé do lixo até serem levadas por alguém.
É bom saber que as nossas coisas vão ter uso.

E agora estamos assim, com a casa cheia de chão vazio.
Ficam as coisas, levamos connosco as recordações.

sábado, 22 de março de 2008

Mais um passo V

8 caixotes
5 sacos de viagem
1 mala de viagem
2 rolos

...já estão na carrinha do Sr. Rebelo.
O que foi, foi. (e vai ser tão giro abrir as caixas depois, mas isso será uma próxima preocupação)
O que não foi, ou vai connosco dia 31 ou então fica.

Próximos passos: pôr coisas no lixo; distribuir mobílias pelos amigos.
6ª feira esta casa tem de estar vazia.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mais um passo IV

  • Contas da casa canceladas - Nuon, KPN, Orange.

  • Situação fiscal actualizada - hoje foi dia de Belastingdienst. Menos mal que apesar de não termos marcação fomos atendidos e lá fizemos a declaração de impostos com ajuda. A marcação faz-se apenas por telefone, o problema é que para fazer uma marcação temos de responder a umas perguntas em holandês - a questão não é se a menina do telefone fala ou não inglês (até falava), não nos pode é atender e marcar um dia em inglês. Mais uma a juntar às burocracias incompreensíveis deste país. De qualquer modo, metemos pernas ao caminho, e debaixo de uma chuvada de granizo seguida de um sol intenso, lá chegámos ao Belastingdienst na Sloterdijk, e como a coisa até estava tranquila conseguimos a proeza de ser atendidos sem marcação!
  • Primeiras caixas estão prontas. Já temos livros e molduras encaixotados, estante da sala vazia, e algumas coisas do quarto prontas a enviar.
Aos poucos vamo-nos aproximando do final.

sábado, 1 de março de 2008

Mais um passo III

Estou oficialmente desempregada. E estou mesmo triste.
Andei dias e semanas a contar os dias, e no fim custou-me muito mais do que eu pensava.

Num resumo resumido nesta confusão de emoções a conclusão a que chego é que tive muita sorte. Muita sorte por o destino me ter colocado a trabalhar ali. E eu sei que estava escrito, que aquele lugar era meu. Estranho pensar que estas pessoas não me eram nada, não as conheci por serem amigas de ninguém. São minhas, e são-no por mérito próprio (delas e meu) por nos termos tornado amigos para além das paredes do escritório. E tive sorte também não só pelos que já lá estavam quando eu comecei (e que de certa forma já eram amigos entre si também), mas também pelos que vieram a seguir.
Levo-os a todos no coração.

Eu sei que refilei muito, que muitas vezes me custou o mundo levantar-me da cama para ir para lá, que me senti a atrofiar, a regredir, a fazer sempre as mesmas coisas, apenas a resolver problemas sem construir nada de novo.
Ontem tentei focar-me nesses momentos mas não consegui.

Sempre pensei que me fosse sentir feliz e aliviada. Fiquei com um nó na garganta o dia todo a conter as lágrimas.
E hoje estou com uma ressaca do tamanho da minha tristeza.

Sempre tive a certeza de que estou a fazer a coisa certa até ontem.
Ontem pela primeira vez tomei consciência do meu passo.
Sou portuguesa, vou voltar para Portugal e não tenho emprego.
Estou a trocar um emprego fixo, com contrato permanente (que ia começar na 2ª feira) com todas as regalias pela oportunidade de seguir o meu sonho (até pareço os da Operação Triunfo a falar...).
Só espero não me arrepender. Só espero que o meu país não me faça arrepender, porque que isso acontecer eu não lhe vou perdoar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Mais um passo II

A nossa estadia tem literalmente os dias contados.
E são 51 para ser mais precisa.

Dia 31 de Março, por volta das 19h30. Lá estaremos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Mais um passo

Agora sim, parece que tudo é mais real.
Até aqui poderia ser apenas uma ideia, um projecto. Agora é mesmo a valer, não há volta a dar. Ponto sem retorno.

E foi difícil.

Hoje contei ao L. que nos vamos embora, e que não vou querer renovar o meu contrato.

O L. é aquilo que se pode chamar o protótipo do anti-chefe. Foi das primeiras pessoas que conheci quando fui à entrevista, lembro-me que levava o nome dele escrito num papel para não me esquecer (e esse dia aconteceu noutra vida...há tanto tempo). Imaginava-o o típico executivo de fato e gravata, e pasta a condizer. Apareceu-me um latino-americano de crista no cabelo, pêra, argola na orelha e ténis. Houve ali uma identificação imediata. Diz ele que escolhe as pessoas com quem trabalha nos primeiros 10 segundos depois de as conhecer. Eu lembro-me de sair da entrevista a pensar que tudo o que podia ter corrido bem tinha corrido bem. Depois acabei por não ficar com o lugar naquela altura, mas sei que não foi por acaso que passei mais dois ou três meses sem receber nenhuma resposta de trabalho. Estava destinado que eu pertencia àquela equipa. A sensação que tinha tido durante a entrevista não fora em vão.
Durante 1 ano trabalhamos juntos, e claro, chefe é chefe e também ele tem as suas pancadas, mas à medida que nos fomos conhecendo fomos sempre descobrindo pontos em comum. Em algumas coisas somos de facto muito parecidos.

Por tudo isto eu sabia que não ia ser fácil. Sei que para ele foi uma completa surpresa, mas tentei a todo o custo que ele soubesse que para mim também não vai ser fácil deixar tudo isto para trás, deixa-lo a ele e à nossa equipa nuclear (a primeira de todas, apesar de já não ser a actual). E dói-me pensar que havia projectos para mim, e que apesar de tudo, eu falhei as suas expectativas.
Não tenho de me sentir culpada por isso (e não sinto), porque sei (tenho a certeza absoluta) que estamos a tomar a decisão certa, mas não deixo de ter a sensação de estar a causar uma desilusão.
E hoje desiludi um amigo.

Esta experiência tem muito de Erasmus, mas não é um Erasmus.
Já não tenho a idade que tinha quando fiz o Erasmus. Estou cá também há tempo suficiente para de facto aprofundar as relações e criar laços. Nada disto tem a "leveza" (já pesada) do Erasmus. E também não tenho a inocência do Erasmus, de acreditar que vamos todos ficar amigos para sempre, e que nos vamos visitar e manter o contacto.

É muito difícil tomar estas decisões. É duro e triste.
Mas são todas estas experiências que nos enriquecem também.
E eu não trocava esta riqueza por nada.
Nada.