Se pusermos de parte as parvoíces, os olhos a revirar, as saídas da cama para os ir buscar a meio da noite, as idas a atrações de feira popular radicais e duvidosas sem autorização, as notas baixinhas, as tarefas domésticas não concluídas, as panquecas feitas à vinda da noite com amigos que resultam em frigideiras pretas e lava loiça cheio quando acordo de manhã, as chamadas e mensagens que nunca têm resposta e mais uma série de coisas, até é fixe ter filhos adolescentes.
Não estou a ser irónica. Não troco isto por fraldas, babetes e chuchas. Mesmo.
Com uma semana mais tranquila em termos de trabalho, que permite acompanhar os miúdos, comprar material e por as coisas mais ou menos em dia.
É a calma antes da tempestade, pois outubro vem, ao que parece, com um novo desafio profissional que me vai ocupar a tempo inteiro, 2ª a 6ª das 9h às 17h (e sempre no mesmo sítio!) - e o que irei eu fazer perguntam vocês - pois ainda não sei muito bem em que consiste a tarefa, mas tenciono aprender à medida que avanço. Até lá há uma sensação de regresso com calma, que não aconteceu nos últimos anos, e só me apetece desfrutar.
Hoje foi dia de despedidas num museu que me acolheu em 2021, que apesar de muitos defeitos tinha uma enorme qualidade que era uma equipa de mediação 5 estrelas.
Os mais velhos andam a curtir o 3º ciclo, ele a ir de bicicleta para a escola e e ela a poder sair e estar com amigos depois das aulas. A mais nova entusiasmada no 1º ano.
Vamos lá ver que tal nos adaptamos todos à mudança, mais uma vez.
... que os mais velhos vão ganhando, aos poucos (e aos muitos também!).
De andarmos a refilar com o mais velho que largue a playstation e o telemóvel, passamos agora a vida a perguntar onde anda, e com quem - já que em casa, não pára muito. Na primeira oportunidade enfia-se na camioneta e vai passar dias ao Alentejo onde tem um primo da sua idade, e um grupo de amigos que já perguntam por ele.
A do meio está agora nas Guias - uma oportunidade de fazer amigas fora da escola, e de fazer atividades divertidas ao fim de semana - e hoje partiu para o seu primeiro acampamento.
Que bom que é vê-los a ser pessoas independentes, ver como se relacionam com os outros, como são uma parte nossa mas são seres inteiros, que vivem (muito) para além de nós.
(até agora, zero nostalgia de quando eram pequeninos)
Ter filhos é ter o coração fora do peito, dividido no meu caso em três. E há algo de maravilhoso em ver o nosso coração ganhar asas e voar sozinho, tão crescido.
De vez em quando o adolescente irritante que não tira a máquina da louça e bate com a porta, parece-nos um miúdo tão fixe, tão desempoeirado, a fazer coisas sozinho, a superar-se sem termos nós, pais, nada a ver com o assunto.
Sinto que estou sempre a dizer o mesmo, mas é mesmo o que sinto: vejo os bebés dos outros e acho um amor - juro que sim - mas ter filhos crescidos parece-me tão mais fixe...
... há palavras gritadas, portas batidas, silêncios ensurdecedores, risos que se transformam em lágrimas em menos de nada.
Senhoras e senhores, tomem os seus lugares e apertem os cintos pois é esperada bastante turbulência. A adolescência aproxima-se a passos largos. A dobrar.
Setembro foi um mês muito atípico, e daqueles em que coube muita coisa: férias na costa vicentina, a preparação para uma formação que vou dar, um novo trabalho num sítio novo, uma exposição que nunca tinha feito, uma viagem a Roma - passou a voar.
No meio da correria nem dei por falta de uma coisa que normalmente marca o meu Setembro que são as despedidas da época balnear. Há sempre um desejo de aproveitar a praia até à última, há sempre uma tentativa de aproveitar os últimos cartuchos e uma nostalgia associada ao fim do verão. Este ano (também ele tão atípico!) nada disso aconteceu. Entre o fresco que se fez sentir aos fins de semana e o trabalho, não pus os pés na praia durante o mês todo (só nas férias), o que não é nada normal.
Depois de Roma ainda tivemos um fim de semana nas vindimas, e como bem sabeis ou podeis imaginar numa casa com 3 filhos, o caos ficou instalado - roupa suja acumulada, congelador vazio, cenas por arrumar. Passamos o feriado a tentar por a casa em ordem, a organizar quartos e garantir que pelo menos cuecas e meias (e tshirts para a educação física!) não faltam nas gavetas.
E assim aos poucos vamos regressando à rotina, ao mesmo tempo que o país regressa à normalidade - em ambos os casos um pouco diferente do que era antes. Falta decidir a atividade desportiva da do meio (é uma saltitona e em cada ano quer mudar) e a ocupação das tardes livres dos dois mais velhos, mas já há sopa feita no frigorífico - e uma despensa que consegue safar uma refeição.
Os sábados já são pontuados pelos jogos do mais velho, mas ontem deu para ir despedir da praia e dar o (talvez) último mergulho. Agora sim, parece que chegou Setembro cá em casa - bom regresso à rotina a todos!
Na mesma semana em que os três iniciam novos ciclos (duas com mudança de escola), iniciei eu também uma nova colaboração num museu, com um registo diferente do que tenho feito até aqui (um projeto diferente, com horário das 10h às 18h, mas em regime freelance como os outros).
E assim consigo perceber tão bem as borboletas na barriga, a insónia da véspera, o ter a roupa escolhida e tudo preparado, e o medo de chegar atrasada no primeiro dia.
Sábado de manhã, em estilo "nova escola", lá fui eu apanhar o comboio (que saudades!), de mochila e lancheira, direta à baixa de Lisboa. Parei num café que tinha muito bom aspecto - renovado há pouco tempo de certeza. Lá dentro estava um retrato da Lisboa de sempre: o taberneiro atrás do balcão, o ex-combatente do Ultramar a beber cerveja e a falar sozinho, a mulher negra vinda do mercado, e até um hipster de portátil aberto a trabalhar (e todos se tratavam pelo nome!). Saí do café e com o sol a bater na cara, rumo à Praça do Município, repirei fundo e pensei: é mesmo um novo ciclo que começa.
Que seja um ano letivo sem sobressaltos, e só por isso será melhor do que os dois anteriores! É o que desejo para todos nós!
Ser freelancer é aceitar o trabalho que há quando há - basicamente aquela velha frase que nos diziam na infância: "é comer e calar".
Neste verão atípico eu tenho comido e calado, e agradeço no fim, pois barrigas com fome é o que não faltam e eu nem sou esquisita.
No entanto, até no mais atípico dos verões há coisas que não podem mudar, e as idas à minha praia (aquela onde cresci e que fica a 5 minutos de casa) com os meus filhos, não podem faltar. Em anos anteriores os meses de Junho e Agosto normalmente permitiam várias idas à praia, com filhos e sobrinhos a reboque.
Esta semana fiz finca-pé e consegui ir duas vezes, durante umas horas. Deixo o trabalho todo organizado, e regresso direta para a frente do computador, mas enquanto lá estou, estou a 100%. Ser freelancer também é poder fazer isto, caramba!
Termina hoje, finalmente! Achei sinceramente que nunca ia acabar...
Ano marcante este, sem dúvida, que queremos esquecer mas claramente não vamos conseguir. Por cá:
primeiro aspeto a realçar: 3 filhos e nenhum teve a turma em isolamento em nenhum momento do ano - sou só eu a achar isto uma coisa extraordinária? Se juntarmos uma mãe prof de AEC que também não apanhou nenhuma turma em isolamento (e houve tantas lá na escola!) ainda mais fora do normal
3 filhos, 3 mudanças: a mais nova entrou finalmente para o pré-escolar (saltinhos de alegria!) a do meio passa para o 2º ciclo e o mais velho para o 3º ciclo.
uma pausa para pensarmos todos que o meu mais velho - que todos vimos nascer aqui no blog - vai para o 7º ano - 7º ano, caraças, nem eu acredito!
filha do meio com percurso brilhante no 1º ciclo, tudo impecável, excelentes notas, zero preocupações com os trabalhos, sempre responsável e a dar conta do recado (já o disse, não sai nem à mãe nem ao pai...). Teve o melhor professor do mundo? Ela acha que sim, e isso é o mais importante.
filho mais velho demorou a adaptar-se ao 2º ciclo, cheira-me que ainda não se adaptou, vai cair de para-quedas no 3º ciclo e vamos ver se cai de pé... É ainda muito miúdo, há outros nesta idade que estão muito à frente, mas as notas foram sempre boas qb. As turmas vão-se refazer, vamos ver onde calha e com quem calha e andar em cima - muito em cima - porque andar em stress a fazer trabalhos na véspera à noite (que estavam marcados desde a semana anterior) não é para nós - quem é que eu estou a enganar? Claro que é para nós, porque infelizmente tanto o pai como eu éramos assim nesta idade. (e ainda somos, raios!)
a partir de fevereiro comecei a dar apoio a meninos do 1º ciclo e de facto confirmei que temos muita sorte por termos filhos que não dão preocupações de maior, professores porreiros e turmas também fixes - tive alunos que andam em escolas públicas e privadas e que não têm essa sorte.
escolas fechadas - não deixam saudades... Os zooms e trabalhos assincronos e a malta toda enfiada em casa, é cenário para esquecer. Foi mau no primeiro confinamento, foi pior no segundo, e só de imaginar que pode haver terceiro fico mal disposta - tenho uma amiga que me diz que não posso ter este mindset, que é para imaginar e visualizar as coisas positivas para tudo fluir em conformidade, por isso imagino arcos-íris e unicórnios e todos na escola para todo o sempre (façam o mesmo que juntos somos mais fortes)
fica para a História, espero eu, o ano letivo que acabou a 8 de julho, data em que normalmente já levam duas ou três semanas de férias
Sobre a capacidade que a música tem de nos transportar no tempo e no espaço para outros momentos da nossa vida.
Neste caso, apesar de tudo, é uma viagem bastante recente, até ao confinamento de 2020, em que os meus filhos viram a série Conta-me como foi de uma ponta à outra, episódio atrás de episódio. Se bem se lembram, esta é a música do romance entre a Isabel e o Vítor (o padre da paróquia que entretanto deixa de o ser).
E só vos digo que quando a ouço sinto verdadeiramente uma onda de nostalgia - não no sentido negativo, curiosamente - do confinamento, e desses dias de profunda incerteza, de medo, de cansaço, de exaustão, mas ao mesmo tempo de união entre nós (pois, que remédio!), do momento em que a minha vida parou e me dediquei a eles e só a eles - depois de um ano em que, deixem-me recordar-vos, mal os vi tantos dias, entre o trabalho e os hospitais com o meu pai.
Há uma memória bastante agridoce associada a esses dias, que já não se repetiu neste segundo confinamento (nem poderia, ele há coisas que não se repetem mesmo...). Aquele momento em que eles paravam finalmente (depois da ginástica, e das idas ao campo, e das caminhadas e das aulas online e tudo e tudo), e ficavam deitados no chão da sala, a vibrar com as aventuras do Carlitos e a sonhar com uma infância mais livre (em tempos de ditadura, o paradoxo!)
E no meio disso tudo, a voz inconfundível do Sérgio Godinho e esta música maravilhosa.
E aqui a hamster vai tentar uma nova abordagem a ver se consegue ir além da rodinha.
Como sempre e como tudo, onde é que podemos ir roubar horas?? Ao sono! Dormir é muuuuito importante (não me interpretem mal!), tem é de se ajustar os horários.
Tem funcionado relativamente bem, apesar de muitas vezes me apetecer mandar tudo às malvas. Tudo normal. Não sou, de todo, um exemplo de coisa nenhuma, mas serve para o caso de alguém andar a precisar de ideias. Disclaimer: sou uma pessoa por natureza desarrumada e não sou uma grande planeadora, no entanto até eu consigo planificar alguma coisa e tirar daí benifícios - não custa nada tentar.
Coloco os dias da semana, mas cada um sabe de si e adapta ao seu calendário: Sexta feira - supermercado Domingo - fazer sopa 1 2ª feira - meal prep e batch cooking: cozinho dois pratos (geralmente um de peixe e um de carne, para 2 refeições cada um), um assado de forno (perna ou peito de perú por exemplo), legumes no forno também. 3ª feira - ferro 4ª feira - fazer sopa 2 e passar a ferro 5ª feira - dia de limpezas
As refeições tenho organizado da seguinte forma: Fins de semana - duas refeições "boas" mas rápidas para os almoços: hamburguer ou bifes com arroz e feijão preto; bacalhau à brás, carbonara. Jantares são pizza, waffles, torradas, panquecas... 2ª feira: almoço prato 1.1; jantar restos do fim de semana 3ª feira: almoço prato 2.1; jantar assado no forno 4ª feira: almoço prato 1.2; jantar ovos 5ªa feira: almoço prato 2.2; jantar assado no forno 6ª feira: almoço assado no forno e/ou restos da semana; jantar já é de fim de semana :)
Como tal, acabo por cozinhar só um dia mas ainda assim faço acompanhamentos mais vezes e salada todos os dias. Lavar roupa e estender depende da colaboração de S.Pedro, mas concentro o ferro em duas noites e não mais.
Estou orgulhosa deste plano, que de momento funciona bastante bem. Fica aqui para memória futura, pois que estou muito farta de tudo isto, mas é para me lembrar que há estratégias que nos ajudam a sobreviver.
Este vídeo é uma chamada de atenção para quem tem filhos, principalmente adolescentes. Se por um lado é um óptimo sinal os miúdos estarem fartos de estar em casa - sinal que têm uma vida social saudável fora de portas - por outro temos de estar muito atentos. Com a depressão não se brinca.
Eu não sei quanto a vocês, mas eu esta coisa de estar confinada com todos, continua a deixar-me meia nervosa.
Varro a porcaria do chão da cozinha sei lá quantas vezes. Limpo a mesa outras tantas. Estou sempre, sempre, SEMPRE, a apanhar coisas do chão, é meias desirmanadas, é brinquedos, é restos de papel dos recortes. Eu nem sou muito comichosa com a casa, garanto que vivo bastante bem no meio da confusão, agora imaginem...
Sou diferente para cada um dos meus filhos, porque eles também são diferentes para mim. No entanto, por ter tido os dois primeiros mais juntos, acabo por ser uma mãe um bocadinho mais diferente para a 3ª do que fui para os outros na mesma idade. Ser mãe aos 31 ou aos 38 é diferente - e tanta coisa aconteceu nesses 7 anos, senhores, muito além do facto de ter sido mãe.
Assim, e com serenidade, vou aceitando esta mãe que sou e que se aproxima tanto da mãe que eu tive, afinal. Uma mãe muito mais calma mas com menos paciência, também.
Uma mãe que espera que esta filha um dia tenha também três filhos, para perceber de facto que ser o 3º implica perder muita coisa, mas que é um privilégio tão grande (de que tão poucos se podem gabar).