Cumprimos a promessa feita de depositar as cinzas de ambos no mar, pertinho da bóia de espera (ao largo de Cascais).
Mais um ciclo que se fecha, mais um dia tão difícil como bonito. E que bonito que foi!
51 anos antes, não muito longe dali, estava o namoro deles prestes a começar.
Ficamos agora cá nós como resultado de uma fantástica história de amor.
Até sempre, queridos pais. Obrigada por tudo!
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terça-feira, 10 de março de 2020
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
2019 lado B
Foi um ano intenso e transformador, mas vamos ser sinceros, não foi um ano bom. Foi mau mesmo.
(o post sobre as coisas boas virá depois)
Basicamente foi um ano dedicado à saúde do meu pai. Foi o ano em que mais tempo passamos no hospital, em consultas, visitas ao internamento, pensos. Se juntasse todo o tempo em que eu estive com ele no hospital acho que perfaz uma quantidade de dias, e ele veio muitas e muitas vezes sem mim. Nos primeiros meses a preocupação era uma, grave, mas que até acabou por se resolver. Dois dias depois de estar resolvido entra pelas urgências, e a partir daqui foi um precipitar de situações, operações umas atrás das outras, infecções e coisas que tais provocadas por um cancro, num quadro que só por si já era muito complicado.
Depois das cirurgias ainda pensamos que a coisa estaria controlada mas em Outubro soubemos que não.
Foi o trimestre mais intenso da nossa vida, em que o nosso super homem e super pai foi perdendo a sua independência diante dos nossos olhos, numa espiral de degradação sem haver melhoras. Foi preciso encontrar alguém que o pudesse acompanhar 24h por dia (e a odisseia que isto foi!), e combater todos os dias o pessimismo e os pensamentos que assolam aqueles que já passaram por isto há tão pouco tempo.
É injusto para quem sofre e é duro como tudo para quem assiste. A sensação de impotência é uma coisa lixada.
Foi internado há mais de dez dias, já aqui passou o Natal e aqui entrou em 2020.
Escrevo este post na cabeceira da sua cama, onde dorme profundamente. Parece estar tranquilo.
A luta está quase, quase a acabar.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
E porque é que estamos a viver uma das épocas mais difíceis da nossa vida?
Porque ainda nem fez 5 anos que morreu a minha mãe, depois de dois anos intensos de luta contra o cancro, e vemos agora o meu pai a ter de passar pelo mesmo.
E eu garanto que não há palavras para descrever isto. É que não há.
Não somos as únicas (tenho uma amiga que passou pelo mesmo), e no meio de tanta coisa que pode correr mal as doenças dos pais são ao menos o percurso natural da vida.
Mas caramba, é duro.
Dá a sensação de que há 5 anos nos arrancaram a pele, e agora arrancam outra vez. No entretanto descobrimos que afinal havia sítios onde a pele ainda não tinha crescido de volta.
É ferida aberta sobre carne viva.
Uma e outra vez.
(um dia vou ter de processar isto tudo)
terça-feira, 26 de novembro de 2019
Coisas boas no meio das tempestades
Porque é sempre bom ver o lado positivo de tudo, também nas tempestades aparecem raios de sol.
Com esta situação do meu pai (e da sua falta de saúde) custa-me muito andar sempre a alterar as rotinas. Todos os dias é preciso alguma coisa, e muitas vezes a chego a casa já depois dos miúdos estarem a dormir (e o que isto me custa!).
Mas depois há serões que ficamos os dois a ver o Visita Guiada, tardes de conversas com tios e tias que o vêm visitar, há vindas mais frequentes da irmã que vive longe, há almoços com sobrinhos queridos a meio da semana e eu sei (e sei mesmo, porque já passei por isto) que estes dias são difíceis oh se são, mas caramba, vou ter saudades disto tudo quando a tempestade passar.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
Mais uma vindima
No fim de semana passado tivemos, mais uma vez, a festa que marca o fim do verão (pelo menos no nosso calendário do coração), que é a vindima.
E como sempre foi tão bom.
Nada substitui este contacto com a natureza, o cortar uvas numa vinha que esteve um ano inteiro a preparar-se para aquele momento. E saber que estes gestos têm séculos de história, repetidos geração após geração desde tempos imemoriais.
É um ritual de que já não prescindimos.
Além das uvas houve também uma mega colheita de amoras, e este ano estive também a apanhar tomate.
Os miúdos pisaram as uvas, carregaram baldes, esgravataram a terra, andaram de tractor, e até plantaram um pomar (entre outras aventuras...).
A grande diferença é que eles dão a vindima por garantida, e nós cada vez mais temos a sensação de que cada uma poderá ser a última.
E isso faz-nos apreciar o momento ainda mais.
E como sempre foi tão bom.
Nada substitui este contacto com a natureza, o cortar uvas numa vinha que esteve um ano inteiro a preparar-se para aquele momento. E saber que estes gestos têm séculos de história, repetidos geração após geração desde tempos imemoriais.
É um ritual de que já não prescindimos.
Além das uvas houve também uma mega colheita de amoras, e este ano estive também a apanhar tomate.
Os miúdos pisaram as uvas, carregaram baldes, esgravataram a terra, andaram de tractor, e até plantaram um pomar (entre outras aventuras...).
A grande diferença é que eles dão a vindima por garantida, e nós cada vez mais temos a sensação de que cada uma poderá ser a última.
E isso faz-nos apreciar o momento ainda mais.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Coração em Maputo
Desde domingo que em Maputo está uma família que adoro (prima querida, marido e dois filhos, um deles meu afilhado!).
Foi uma notícia difícil de digerir, e as saudades são muitas, mas por agora vamos-nos divertindo com as suas peripécias de contraste com um novo país e cultura: o primeiro dia com 11 horas de voo e duas crianças e sem máquina de café (nem café por perto), a procura por coisas básicas, o primeiro dia de escola dos miúdos.
Hoje deu uma reportagem sobre Moçambique, e mostrei aos miúdos.
Amaram. Perguntei se ficavam chateados se o pai e a mãe fossem sozinhos. Ficaram indignados!
Vamos lá apertar o cinto e fazer um mega mealheiro!
Moçambique, aí iremos nós!
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