quarta-feira, 25 de março de 2020
Dias de quarentena
2ª feira dia 16 começámos a valer.
Fizemos um plano (realista, adaptável e escrito a lápis de carvão) dos dias e tivemos uma conversa séria sobre como vão ser os próximos dias, semanas, talvez meses até.
Há miúdos a quem não se pode dizer nada, são impressionáveis, pois os meus temos de carregar bem fundo e até dramatizar um bocado, são uns optimistas (e eu agradeço!) e por isso não levam as coisas a sério.
Nos primeiros dias houve notícias vistas por todos, viram imagens de Itália e perceberam sem rodeios o que se está a passar. Agora já interiorizaram e nós só vemos as notícias depois deles se deitarem.
E assim os dias têm passado sem grandes dramas, para eles e para mim.
Estão incluídos nas tarefas cá de casa, e não podem refilar (o castigo é ficarem sem ecrãs): assim lá se organizam e tiram a máquina da loiça, e limpam os wc e as maçanetas da casa toda diariamente. Uma vez por semana fazemos limpeza geral, e vamos alternando as tarefas.
Estudam duas vezes por dia, de manhã e à tarde. Os profs de ambos ou são muito porreiros, ou relaxados, ou info-excluídos, mas eu agradeço. Mandam trabalhos tipo TPC, não pedem que mandemos de volta nem nada. Não houve até agora aulas online, nem reuniões no zoom como tenho ouvido falar - são apenas emails com sugestões e eles vão fazendo autonomamente.
Alguns pais - claro - estão com dificuldades porque estando a trabalhar fica difícil não ter como os entreter, mas penso que esta situação se deve ao facto dos miúdos não estarem a ver os pais como autoridade "escolar". Cá em casa eles também refilam, mas eu apenas lhes mostro o plano que fizemos juntos no primeiro dia, e se for preciso comparo com o horário da escola, em que ficavam tantas mais horas dentro da sala de aula.
Saímos os 4 duas vezes por dia também, vamos a um campo aqui ao pé, ou a uma relva que fica nas traseiras do prédio. Vamos levando diferentes "divertimentos" ora três bolas, ora bicicleta, carrinhos, trotinetas, corda de saltar. Já sabem perfeitamente que não mexem em nada, e até a mais nova já sobe as escadas sem precisar de dar a mão.
Depois do almoço, durante a sesta da mais nova, é a hora do silêncio. Ninguém fala com ninguém. Cada um estuda para seu lado, e se houver dúvidas fica para depois. Eu aproveito para respirar fundo muitas vezes e arrisco dizer que a eles também lhes sabe bem não terem de se aturar durante um bocado.
Não estando eu a trabalhar, que não estou nem sei quando estarei, a quarentena revela-se mais fácil, e por agora tem sido uma oportunidade de, de facto, estarmos juntos como nunca estamos, e por isso eu não me posso mesmo queixar.
Dito isto, há mil coisas que ficam pendentes, tenho ainda coisas que vieram de casa do meu pai por arrumar, roupa a acumular, porque dedicar-me a eles não deixa de facto tempo para muito mais.
Vejo os milhares de propostas de cenas para fazer que invadem a internet - filmes e séries, livros em PDF, visitas virtuais aos museus, cursos de tudo e mais alguma coisa - e penso, quem é que está a usufruir disto tudo? Estamos todos em casa, mas parece que nunca temos tempo para nada na mesma!
sexta-feira, 20 de março de 2020
Livro 8/53

No coração desta terra, de J. M. Coetzee
Antes de mais , avisar que foi uma péssima altura para ler este livro.
Acho que é daqueles que depende mesmo da disposição do leitor, não que seja uma leitura difícil, mas fácil também não é.
A história começa de uma determinada maneira, e depois dá a volta e ainda outra volta.
Primeiro achei que eram saltos no tempo, depois achei que era uma mistura entre fantasia e realidade da protagonista. Fiquei sem certezas.
É um livro bem escrito, profundo, poderá ser alegórico também e com múltiplas interpretações, é daqueles que deve ser muito interessante ler num Clube de Leitura - com certeza haverá quem adore e quem odeie.
É também uma escrita dura, crua, e muito sensorial, mas profundamente deprimente.
A protagonista é talvez a protagonista mais deprimida (e por isso deprimente) de toda a história da literatura. Sinceramente, às tantas já não a podia "ouvir"! Tudo nela (segundo a própria) é feio, ressequido, desenxabido e desinteressante. Cansativa (e louca, pronto, fica o spoiler).
Não foi de todo uma boa companhia nestes primeiros dias de quarentena.
(mas eu estou numa fase em que não consigo deixar livros a meio, se lhes pego, pego até ao fim, e se não estou a gostar tento despachar o assunto e acabar de uma vez).
Dei 3 estrelas, e apesar de tudo o que eu disse, recomendo.
Livro 7/53
A arte subtil de saber dizer que se f*da, de Mark Manson
Ofereci este livro ao pai cá de casa, pois achei que ele estaria a precisar de dominar esta arte. Ele ainda não o leu, entretanto peguei-lhe eu.
Não sendo nada de novo, está bem escrito, e é fácil de ler.
Vou lendo algumas coisas de parentalidade positiva e mindfullness e no fundo é a mesma coisa - a importância de estabelecer prioridades, de valorizar o que é de facto importante, de saber dizer não e ser assertivo quando é preciso, entre outras coisas - mas escrita de forma mais descontraída. À gajo, vá (estava a evitar dizer isto).
A diferença é que os exemplos em vez de serem com situações com as quais eu me identifico - enquanto mulher e mãe - são situações de homem solteiro que passou a vida em relacionamentos pouco sérios e a saltitar entre mulheres sem assumir compromissos.
Portanto, em vez de mindfullness é um bocadinho mindf*da-se.
Dei 3 estrelas e recomendo.
terça-feira, 17 de março de 2020
Dicas para o vosso teletrabalho
- agora é tudo muito giro, mas se for por muito tempo, deixa de ter piada (desculpem o spoiler)
- se possível tenham um sítio fixo para o trabalho - idealmente um escritório, se não uma secretária, ou um canto da mesa da sala que seja a zona de trabalho. Não trabalhem no sofá. Zona de trabalho e zona de lazer devem ser diferentes.
- não sendo preciso fato e gravata, não abandalhem no guarda roupa. Não vale passar o dia de fato de treino. É feio e é deprimente.
- trabalho é trabalho, casa é casa. Estabeleçam horários específicos para ambos. Não se metam a tirar a máquina da louça a meio do dia, ou a estender a roupa entre dois e-mails - ficam com tudo mal feito, ou feito à metade.
- boa sorte a não invadir o frigorífico enquanto preparam o próximo projecto. O que vale é que estamos em contenção, por isso à partida não dá para ir comprar porcarias a torto e a direito...
- é chato, principalmente com crianças a cargo, mas pensem que assim como assim não perdem tempo nos transportes e têm duas coisas que por enquanto não temos cá em casa: um salário ao fim do mês (eu não tenho) e segurança de não andarem a ir para o escritório (como o pai cá de casa que continua a ir...)
Sobre o teletrabalho
Trabalhei 6 anos a partir de casa, 6 anos.
Em nenhum momento - nenhum! - me referi a ele como "teletrabalho"!
domingo, 15 de março de 2020
A pandemia e o espelho
Todas as decisões que tomámos até aqui são-nos apresentadas em toda a sua plenitude.
Fechados em casa deparamo-nos, sem subterfúgios, com a pessoa que escolhemos, com os filhos que temos e a educação que lhes demos, com a casa que comprámos, com o divórcio, com o trabalho que nos vai permitir ou não sobreviver nos próximos meses, com a despensa minimalista ou cheia até ao tecto, com o caos ou a ordem do sítio onde vives..
Parece que o universo nos diz: "esta é a tua vida, foi isto que escolheste. Lida com ela!"
Por outro lado, olho para o efeito que este vírus está a ter no mundo, e penso também no peso das nossas escolhas do passado. Quem escolhemos para nos governar, as políticas, as fronteiras abertas ou não, a UE, o que consumimos, como funciona a nossa sociedade.
Vamos ver o que acontece quando abrimos os olhos e nos vemos ao espelho.
sexta-feira, 13 de março de 2020
Tempos estranhos, estes
Por aqui todos com saúde no nosso círculo alargado (que saibamos) e já todos isolados, cada um na sua casa.
Cá em casa só o pai ainda tem ordem de soltura, mas espero que seja mesmo por pouco tempo.
Dizem que é nas alturas de crise que os nossos valores vêm ao de cima, ficamos (já estamos) com as emoções à flor da pele e tudo aquilo que somos aparece sem disfarces, à transparência.
A mim parece-me que estamos todos um bocadinho orfãos, sentimos falta de alguém que nos diga o que fazer para ficar tudo bem.
Sinto que estamos todos a embarcar sem saber para onde vamos. Não sabemos mesmo.
Mas para onde formos, vamos juntos.
terça-feira, 10 de março de 2020
2 meses ou 5 anos depois
Mais um ciclo que se fecha, mais um dia tão difícil como bonito. E que bonito que foi!
51 anos antes, não muito longe dali, estava o namoro deles prestes a começar.
Ficamos agora cá nós como resultado de uma fantástica história de amor.
Até sempre, queridos pais. Obrigada por tudo!
segunda-feira, 9 de março de 2020
E passou mais um 29 de Fevereiro
Há 4 anos escrevi este post, e há 8 escrevi este, e há 12 (credo!) escrevi este.
Da Mary de 2008 na Holanda passamos à Mary de 2012 com dois filhos e a trabalhar a partir de casa, e depois à Mary de 2016 já a trabalhar naquilo que gosta, mas triste por ter perdido a mãe.
A Mary de 2016 tinha razão, a Mary de 2020 não tem (quase) nada do que se queixar.
Em 4 anos consolidei o trabalho, tive muitas experiências boas e adicionei alguns sítios novos aos que já tinha. Tive mais uma filha, mas acabei de perder também o meu pai.
Vamos ver que mudanças esperam a Mary de 2024!
(quase arrisco numa só certeza: este blog continuará a existir!)
Efeitos colaterais da epidemia do momento
As escolas cancelaram as visitas aos museus e monumentos, os turistas estão a deixar-se ficar nos seus países.
E nós, trabalhadores a recibo verde, vamos ter de ter imaginação para conseguir algum rendimento.
Aguardo ainda com alguma serenidade que a epidemia passe rápido, mas sei que em breve terei de arregaçar as mangas e meter mãos ao trabalho noutra coisa qualquer.
Livro 6/53
O Ladrão de Arte, de Noah Charney
Trouxe este livro da biblioteca, por impulso, por estar em destaque.
Pouco depois de o ter começado estivemos a desfazer as (muitas) estantes de livros do meu pai, e claro que este andava por lá. Devolvi o da biblioteca e continuei a leitura no exemplar do meu pai (e aqui fica a nota do primeiro livro que li "emprestado" por ele sem saber qual a sua opinião...).
O meu pai sempre achou um disparate irmos à biblioteca requisitar livros quando ele tinha tantos à nossa disposição, e cá está a prova...
Três quadros são roubados em três cidades diferentes.
Temos policial e temos algumas lições de História da Arte, e por isso tinha tudo para correr bem, mas não cumpriu.
Muitas e demasiadas personagens (às tantas já me baralhei com quem é quem), passagens irrelevantes, e um final que se prevê (tirando alguns pormenores, vá) mas que não satisfaz minimamente o leitor.
Salvam-se algumas lições de História da Arte que o especialista na matéria dá aos seus alunos, e nós somos convidados a ouvir.
Dei 3 estrelas e não recomendo, a menos que gostem muito de História da Arte.
sábado, 22 de fevereiro de 2020
Livro 5/53
Tudo o que ficou por dizer, de Celeste Ng
Trazido da biblioteca - os livros da biblioteca têm aquele prazo de validade que é a data da entrega, por isso são mais motivantes para mim, e acabam por passar à frente dos outros (que são os emprestados) - depois de confirmar as classificações no Goodreads.
É um bom livro, toca em muitos pontos importantes, por exemplo as relações dentro de uma família - a influência que o pai ou a mãe têm sobre os filhos, até que ponto as acções dos pais afectam a vida dos filhos, e como uma mesma acção pode ser vista de forma diferente pelos membros da família.
O papel da mulher, dos emigrantes, dos homossexuais, as lutas pelas igualdades de género e raça surgem no meio de um mistério que envolve a morte de uma rapariga - a filha do meio de uma família.
É tudo muito interessante, mas o fim (a causa da morte, vá) acaba por desiludir. Estava à espera de mais.
Dei 4 estrelas e recomendo.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
Livro 4/53

A Viagem do Elefante, de José Saramago
Tive de ir pesquisar nos arquivos do blog as outras referências a este livro.
Pois que o comprei e comecei a ler em 2008, depois perdi-o (em casa), reencontrei-o em 2010, retomei a leitura e voltei a perdê-lo (também em casa, mas já na actual). O raio do elefante não parava quieto!
No ano passado, 11 anos e 3 filhos depois de o comprar, japonesei a casa (=destralhei segundo o método konmarie) e encontrei-o definitivamente, nunca mais o voltando a perder.
Ficou na estante até agora, que finalmente o li de uma ponta à outra.
Não sendo daqueles livros em que estamos em pulgas para ler - há passagens que não acrescentam muito - está tão bem escrito, caramba! É Saramago ao seu alto nível, talvez não com a energia narrativa de outras obras, mas com aquelas passagens que só apetece sublinhar. Tão bem escrito, senhores.
Dei 4 estrelas e recomendo.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Mais de 1 mês (quase 2)
Um só mês, quase dois, que pareceu infinito.
De repente todos aqueles dias e noites passados no hospital parece que foram noutra vida.
E foram.
Mas no meio de toda a tristeza foi bom ter tido tanta gente ao nosso lado, e perceber a importância que ele teve para tanta gente, muita eu nem sequer conhecia.
Foi um homem que foi bom a tudo: foi bom filho, irmão, marido, pai, amigo, colega, chefe.
Foi ao longo de toda a minha infância a medida para todos os homens. Tudo aquilo que o meu pai era e fazia, para mim era o que todos os homens eram e faziam. Os homens nunca tinham frio porque o meu pai não tinha frio. Os homens nunca dormem até tarde, porque o meu pai sempre madrugou. Os homens nunca ficam doentes, os homens são fortes, não têm papas na língua, dizem tudo o que pensam.
De mão dada com o meu pai eu era capaz de tudo, não havia onda maior do que a força dele!
Depois cheguei à adolescência e percebi que não era bem assim. E comecei a ver que o meu pai era tudo aquilo que um homem não devia ser: era conservador, não gostava de festas, não me deixava fazer nem um terço do que eu queria. Um pai infernal, portanto.
Não me deixou ir ao concerto dos Guns and Roses em 1992, nem aos Nirvana no Dramático de Cascais em 1994 e eu na altura não lhe perdoei!
Chocámos que nem gente grande, até porque éramos completamente iguais.
Eu sei que fui ao longo da vida desafiando tantas das suas ideias fixas, e uma a uma foram caindo por terra. Nunca se opôs a que eu fosse viver sozinha. Nunca se opôs à nossa ida para a Holanda. Nunca me disse nada em relação ao facto de não termos casado.
Viveu sempre de acordo com aquilo em que acreditou, e sempre o assumiu com toda a frontalidade. Era, para minha vergonha, espanto e admiração, para lá de politicamente incorrecto!
Dizia e fazia o que lhe dava na gana, e se houve alturas em que me quis enfiar num buraco com vergonha, hoje admiro-o tanto por isso.
Foi um cuidador incansável quando a minha mãe adoeceu. Esteve lá para ela sempre, e também nisso foi a medida de todos os cuidadores. Admirei tanto a reação que teve à sua morte, a forma como levou a sua vida por diante com a sua independência que tanto o caracteriza.
Com rotina e desgaste e tantos anos de convivência, os meus pais tiveram uma história de amor que quase supera as de ficção.
E é isso que nos fica - o Amor deles um pelo outro, e ainda mais o seu amor por nós.
Já fez um mês, quase dois, e parece que foi noutra vida, mas também parece que nunca aconteceu.
Sinto muito a falta daquela mão que era capaz de me proteger de tudo, mas sei que como ele, também nós vamos ficar bem.
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Livro 3/53
A Primeira Aldeia Global, de Martin Page
Começado em Novembro, mas só agora o acabei.
Interrompi durante uns meses - numa de mais uma vez ver se sou pessoa de ler dois livros ao mesmo tempo. Confirmo: não sou.
É como uma História concisa de Portugal, ressaltando aquilo em que os portugueses contribuíram para a História do Mundo - e não sendo nada pouco, há coisas que nem fazemos ideia.
Detectei algumas imprecisões, mas de um modo geral é um estrangeiro a contar a nossa História, de forma tão elogiosa que até estranhamos, às vezes.
Faz bem ao ego colectivo, todos deveríamos ler este livro!
Dei 4 estrelas e recomendo.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
Livro 2/53
Vai e Põe uma Sentinela, de Harper Lee
A história clássica de quando gostamos muito de um livro de um determinado autor, mas depois lemos outro e é um pouco uma desilusão...
As personagens são as mesmas do Matar uma Cotovia, mas alguns anos mais tarde. Ficamos a saber como cresceu a Scout, e o que aconteceu ao resto da família.
E há um momento de viragem na relação pai/filha, que ganha outro significado quando lido por uma filha que acabou de perder o pai (eu!).
Sendo um livro giro, bem escrito e bom de ler, não é nada do outro mundo.
Dei 4 estrelas e recomendo.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Livro 1/53 - desafio de leitura 2020
Assim começamos mais um desafio de leitura.
Resolvi elevar a fasquia deste ano para 53 livros, que dá um livro por semana. A fasquia do ano passado foi ultrapassada (duas vezes aliás, comecei nos 19 e depois alterei para 40 e ultrapassei ambas), e o objectivo deste ano foi eleva-la de modo a torna-la mesmo um desafio e manter a motivação. Um livro por semana durante todo o ano, não sendo impossível, vai ser mesmo desafiador.
Comecei o ano com chave de ouro.
Dulce Maria Cardoso foi uma descoberta positiva de 2019, e este é o seu primeiro romance.
É tudo aquilo que me atraiu nos outros livros que li dela, mas ainda em cru - e para mim, ainda melhor.
4 mulheres e 1 homem, todas elas se relacionam com ele de alguma forma. e vamos desvendando o novelo de cada personagem aos poucos. Descrições infalíveis, alguma fantasia, pelo meio até há um crime para resolver, e tudo naquela maneira de escrever que é tão dela. Não consegui parar de ler, gostei bem mais do que do Eliete.
Ofereci este livro ao meu pai nos seus anos em Agosto, porque não havia o Retorno. Ele tinha-o começado e estava na sua mesa de cabeceira desde então, e eu com umas ganas de o começar a ler, mas sempre à espera que ele o acabasse. Quando foi internado resolvi, não sem alguma cerimónia, ir lá busca-lo e começar a ler (ainda mantive o marcador dele no sítio mas depois acabei por tirar).
No meio daqueles dias na sua cabeceira, peguei nele em alguns momentos, quando estava sozinha e ele a dormir. Num dia em que o meu pai até esteve bastante confuso e delirante, apareci-lhe com o livro na mão e ele saiu-se com esta: "não gostei desse livro, interrompi!" - aproveitei para comentar que eu estava a gostar, mas que percebia que era um livro confuso, com muitas personagens e no início até temos dificuldade em perceber de quem é que a autora está a falar. Foi a nossa última conversa sobre livros - ainda bem que tivemos tantas outras (tantas mesmo!) ao longo da sua vida, e muitas delas nestes últimos anos.
Dei 5 estrelas e recomendo muito.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
5 anos ontem
Aos 41, como aos 18...
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
Livro 42/40 (ainda de 2019)
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
Sem raiz
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Reading chalenge
3 anos da melhor do mundo
É uma benção.
Aos 3 anos está cómica e engraçada, faz piadas, fala pelos cotovelos, conta tudo e participa em tudo, não lhe escapa nada.
Toda ela é bem resolvida, e com a cabeça toda em ordem.
Sabe per-fei-ta-mente o que tem de fazer para atingir os seus fins, seja dar beijos melosos e festinhas, seja recursar-se a comer a sopa.
É meiga que só ela, mas um meigo espontâneo que não pede nada em troca.
Adora brincar ao faz-de-conta e imita episódios do Ruca e outros que vê na tv.
Adora pintar e desenhar.
Adora brincar com os bebés, às comidinhas e com a casinha de bonecas, jogar à bola e andar de trotineta.
É uma miúda fixe, não dá trabalho nenhum.
Só chateia quando não quer comer sopa (e aí há muito pouco que consigamos fazer), e na hora de deitar (há 3 anos que é assim) porque de resto é um doce.
Que sorte que temos de a ter na nossa vida.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
2019 Lado A em revista
A primeira coisa positiva que ressalto de 2019 foi a aplicação prática do método Konmarie cá em casa. Ao desfazer o "escritório" para quarto do mais velho, e consequente inexistência de sítio neutro e longe da vista onde deixar tralha, vimo-nos obrigados a japonesar a casa toda.
Foi uma razia, mas em boa hora a fizemos.
Saíram desta casa umas boas toneladas de tralhas, e eu nem sei bem o quê.
Mas foi um processo amadurecido, e profundamente libertador.
Ter uma casa (mais) minimalista teve um efeito transformador em muitas áreas da minha vida. Dá uma sensação de controlo e auto-controlo muito satisfatória. Tirando um ou outro pormenor, esta casa foi passada a pente fino, e só ficaram as coisas de que gostamos mesmo, mesmo.
Fiquei feliz com o meu armário com apenas 25 peças de roupa - que uso até à exaustão e depois substituo.
Fiquei feliz com o louceiro da sala com as coisas que usamos nos dias de festas, com os brinquedos escolhidos a dedo (e com os quais eles brincam muito mais), com as estantes vazias prontas a receber livros que queremos mesmo ler.
Pelo caminho arranjamos o corredor cá de casa, que era uma coisa que eu detestava. Não podemos estar rodeados que coisas feias, a nossa casa deve ser o nosso santuário onde nos sentimos mesmo bem. E que bom que é olhar em volta e gostar verdadeiramente do que vemos.
Muito fixe.
Em 2019 mantive a minha rotina de exercício, e contam-se pelos dedos (mãos e pés, vá) os dias em que me baldei à ginástica só porque sim.
Andava há anos a dizer "um dia volto a usar bikini", e em 2019 fartei-me do "um dia" e resolvi voltar a usar bikini. Foi também um aspecto que, não tendo grande importância, me deu aquele sabor de vitória. Aos 41 gostar de me ver de bikini deu-me um gozo bestial.
Ainda estou muito longe do meu ideal, mas achei que não valia a pena esperar.
O caminho continua em 2020.
Senti também esta confirmação de "alguma" serenidade aos 41, uma aceitação da minha pessoa, com as coisas boas e as coisas a melhorar. Já me libertei de uma data de coisas - jantares de colegas só porque sim, grupos de whatsapp disto e daquilo, convívios variados com pais de amigos dos filhos por obrigação. Disse que não muitas vezes, e não senti necessidade de me explicar. Sem culpa! Tenho 41, caramba.
Cá em casa o mais velho acabou o 1º ciclo e entrou para uma escola nova,de 2º e 3º ciclos, com tudo o que isso implica. Comecei muito bem em setembro, muito em cima dele que é um cabeça no ar e deixa tudo em todo o lado. Depois o meu pai adoeceu e eu deixei mesmo de ter oportunidade para andar a ver mochilas e assinar recados. Tirando uma autorização para o corta-mato que me escapou (e o filme que foi para o deixarem participar! Mas lá consegui!), o rapaz sobreviveu sem mim a andar atrás dele, e teve boas notas a tudo. Já perdeu casacos e o cartão da escola, mas recuperou tudo. Já nos esquecemos de marcar almoços e muitas vezes disse mal da minha vida por ainda não lhe ter dado um telemóvel porque para combinar algumas coisas até dava jeito. De resto, tudo OK.
A do meio não mudou de escola, mas eu também deixei de ter tempo para a associação de pais e para me envolver mais nos problemas da escola. Mas ela é uma excelente aluna e é muito feliz. É o meu braço direito cá em casa, e é quem mais me ajuda a tratar da mais nova. É uma autentica 2ª mãe, minha rica filha.
A mais nova cresceu que é uma coisa parva, diz piadas e faz associações. Deixou as fraldas no verão, num processo muito tranquilo. Entrou para a escola de forma tranquila também. Passou pelos terrible two que mal demos por eles, e agora pertinho dos 3 faz umas ameaças de birras que comparando com o que estamos habituados só nos dá vontade de rir. É aquele tipo de birra que basta distrair, basta abraçar e já passou. É aquela criança com quem todas as técnicas de parentalidade positiva funcionam à primeira, é uma maravilha (e que fácil que é ser mãe de uma criança assim).
Em 2019 passei muito, muito tempo no hospital de Cascais, mas verdade seja dita não tenho nada a apontar. Profissionalismo, excelentes instalações e principalmente muita simpatia. Passo naqueles corredores e vejo muita gente a refilar e a mandar vir (eu própria já lá deixei uma reclamação escrita em tempos) mas não tenho nada de nada a apontar este ano. Sempre que lá fui foi pelo meu pai (tirando uma consulta de rotina minha), o que por si só também é um ponto positivo.
Em 2019 resolvemos comprar uma tenda XL e passar férias a acampar, deixando assim algum orçamento para outro tipo de viagens, a acontecer em 2020.
Não foi um verão muito apetecível, esteve frio e chuva, mas por acaso tirámos férias na melhor semana do verão - a primeira de setembro - e estivemos num sítio fantástico, os 5, numa praia fabulosa, onde tomámos os melhores banhos.
Viajamos de avião os 5 (aliás éramos 11!) e correu tudo muito bem. Passámos 3 dias em Bordeaux que vão ficar para sempre na nossa memória.
Em relação ao trabalho estabilizei o que já tinha, aumentando o número de temas de visita, mas não acrescentei nenhum sítio novo. Foi um ano de pouca dedicação ao trabalho, mas onde este não faltou, por isso não me queixo. Decidi não trabalhar durante as férias dos miúdos, mas percebi que o orçamento se ressente bastante. Tenho de arranjar aqui um equilíbrio entre família e trabalho que não comprometa (tanto) a conta bancária.
Em 2019 li mais livros do que em qualquer outro ano, coisa que me deixa muito orgulhosa (já fiz um post sobre isso), fui uma vez ao teatro, uma vez ao cinema e a um concerto. Não sendo um número impressionante, é melhor do que alguns anos anteriores. A ver se em 2020 aumento estes números.
Foi um ano para lá de difícil, que acho que só daqui a muito tempo vou conseguir digerir. Aliás, percebi que o ano de 2014 ainda não foi totalmente processado, e muitos fantasmas dessa altura voltaram em grande força. Nada disto pelas razões deste post, mas pelo lado B de 2019.
Foi mesmo mesmo complicado, duro, difícil, mas também foi um ano em que vi a minha família mais unida que nunca, e percebi de facto a importância deste colo. Ficar sem mãe e sem pai é assim um salto no vazio. Sinto-me a ser lançada num trapézio, mas sei que tenho uma rede de segurança lá em baixo - é assustador ficar sem chão, mas ainda assim sei que não me deixam cair.
2020 traz muitos desafios, oh se traz.
Mas venha ele!
Bom ano a todos, queridos leitores!
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Bonança
sábado, 4 de janeiro de 2020
A vida em suspenso
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
2019 lado B
domingo, 29 de dezembro de 2019
2019 em livros
Li um total de 41 livros (isto ainda está em actualização).
Foram 10996 páginas.
Livro mais pequeno: Os Belos Dias de Aranjuez (62 páginas)
Livro maior: Desaparecimento de Stephanie Mailer (661)
Livro mais popular: Por favor não matem a cotovia (lido por quase 4 milhões e meio de gente! E quem não leu este livro neste momento está a passar vergonha eh eh eh)
Livro menos popular: A obra-prima desaparecido (lido só por mais 3 pessoas além de mim! Grupo super exclusivo)
Livro preferido: Meio Sol Amarelo (tive de pensar um bocado, mas foi sem dúvida o que mais me marcou e ao qual regresso muitas vezes). Também regresso, por outras razões, ao 1808, A Mancha Humana, Que importa a fúria do mar e Niassa.
Livro menos preferido: Por quem os sinos dobram (gostei pouco do Adeus às armas, mas este foi preciso muita muita persistência para conseguir acabar), outras desilusões foram A Cidade sem Tempo, Eva e Jesus Cristo bebia cerveja.
Autores que descobri e gostei: Dulce Maria Cardoso, Philip Roth e Chimamanda Ngozi Adichie.
Autores que descobri e não gostei: Hemingway e Afonso Cruz
Abandonei apenas um livro, mas por ser demasiado técnico e não ser essencial neste momento para o meu trabalho: Nuno Alvares Pereira - Guerreiro, Senhor Feudal, Santo (de João Gouveia Monteiro).
Livro que irá transitar para 2020: A Primeira Aldeia Global (Martin Page)
(isto acreditando que o outro livro que estou a ler ainda vou acabar a tempo em 2019).
Foi o ano em que mais li, foram muitos e bons momentos passados nesta boa companhia, e é sem dúvida uma das melhores coisas deste 2019.
Todos me trouxeram qualquer coisa.
2020 será ainda melhor.
sábado, 28 de dezembro de 2019
Natal passado
domingo, 22 de dezembro de 2019
Rudeness is a blessing @rudelife.co
Sim, o meu sobrinho faz parte da equipa mas notem que só depois de ter encomendado, feito uma crítica no site e ter recebido uma oferta como agradecimento (sendo que eu não me identifiquei como tia, pelo que fui tratada como um cliente normal), e ter recebido as coisas empacotadas com imenso detalhe, é que estou a falar nisto.
São jovens, são do Alentejo profundo, e fazem as coisas bem feitas.
É à confiança.
Rudelife Company @rudelife.co
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
E porque é que estamos a viver uma das épocas mais difíceis da nossa vida?
Aquela altura do ano
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
Bryan Adams, ontem e hoje
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
Truques para não flipar (nesta e noutras épocas)
Nisso, o quê?
Nisso tudo. Não pensar em nada.
É isso.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2019
Ainda sobre o Natal
Eu gosto do Natal. Gosto mesmo muito. Mas gosto da noite e do dia de Natal. Ali a partir do dia 23, em que começamos a fazer rabanadas.
Por mim as decorações eram feitas nesse dia.
Este Natal arrastado desde o S. Martinho cansa-me. Olho para as lojas e ia jurar que estavam assim todas decoradas desde o ano passado. Tudo o que é demais perde a piada.
Infelizmente, quer queiramos quer não o Natal é consumista. E entre a black friday e os brinquedos todos a 50% eu juro que perco o restinho da minha paciência.
Costumo fazer as compras (para as crianças principalmente, mas são muitas) logo no início da época, para depois poder usufruir - aquela coisa de "ficar despachada", agora atentem na estupidez deste termo, ficar despachada, despachar as compras, zás trás pás está feito. É estúpido. É um stress, e é a antítese do espírito de Natal.
Depois há cada vez mais solicitações, as famosas aldeias do Natal que pululam, pelo menos aqui na zona. Pais natais gigantes, rodas ainda mais gigantes, árvores deslumbrantes, pistas de gelo, duendes, até renas ensopadas em alcatifa verde, há de tudo para supostamente criar uma magia que, deixem que vos diga, desaparece ofuscada por tantas luzes a piscar!
Menos, senhores, menos!
Este ano ainda não tive coragem para dar o grito da revolta e acabar de vez com este disparate.
Já fizemos a árvore, já fomos à aldeia de Natal gratuita, mas ainda não fiz uma única compra de Natal.
Não estou a stressar porque tenho mais em que pensar, mas pergunto-me quando é que isto dá a volta e voltamos todos à simplicidade dos Natais de antigamente.
(acho mesmo que já estivemos mais longe)
domingo, 1 de dezembro de 2019
Juro que não tem nada a ver com o facto de estar a viver uma das épocas mais difíceis da minha vida
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Livro 41/40
Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho
Antes de mais, palmas para mim, que segundo o Goodreads este foi o 40º livro do ano (o do meu pai não está lá) pelo que quando o terminei tive direito a uma pequena celebração e tudo. Muito orgulho em mim e nesta resolução de ano novo bem sucedida.
Agora o livro.
Passa-se entre os Estados Unidos dos anos 60 e a Polónia desde os anos 20 até à II Guerra. Pelo tema, nunca diria que foi escrito por um português, mas foi. E que bem escrito que está!
A história prende, a forma como está contada também, e aquilo que mais me chamou a atenção foi o enorme respeito pela História. Não é contar por contar, houve investigação, há respeito pelo passado, há profundidade em cada detalhe neste romance que sendo ficção conta também a História do mundo no séc. XX.
Não consegui parar de ler.
Dei 5 estrelas e recomendo muito.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
Coisas boas no meio das tempestades
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Anúncios de Natal
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
Livro 40/40
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
E no entanto...
Passo nos jardins e palácios mais incríveis e as cores de Outono estão no auge. Passamos na rua e cheira a castanha assada. Retomo as caminhadas de madrugada com uma amiga, e vamos pondo a conversa em dia.
Chego a casa de noite e dou com os três de pijama a brincar no quarto do mais velho (sem ser aos moches). Conto-lhes uma história e adormecem na minha cama.
E cada vez mais sinto que é isto. A vida são estes pequenos momentos, estes instantes tão breves que é fácil passarem por nós sem darmos por ela.
Estejamos atentos e vivamos o presente. A vida é isso mesmo.
terça-feira, 5 de novembro de 2019
Silêncio
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Livro 39/40
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Livro 38/40
10 anos
terça-feira, 8 de outubro de 2019
Mais uma vindima
E como sempre foi tão bom.
Nada substitui este contacto com a natureza, o cortar uvas numa vinha que esteve um ano inteiro a preparar-se para aquele momento. E saber que estes gestos têm séculos de história, repetidos geração após geração desde tempos imemoriais.
É um ritual de que já não prescindimos.
Além das uvas houve também uma mega colheita de amoras, e este ano estive também a apanhar tomate.
Os miúdos pisaram as uvas, carregaram baldes, esgravataram a terra, andaram de tractor, e até plantaram um pomar (entre outras aventuras...).
A grande diferença é que eles dão a vindima por garantida, e nós cada vez mais temos a sensação de que cada uma poderá ser a última.
E isso faz-nos apreciar o momento ainda mais.
Livro 37/40

Morte em Pleno Verão, de Yukio Mishima
A minha irmã (a tal que já leu uns 80 livros este ano) deu 5 estrelas e disse maravilhas deste livro, que são diversos contos que permitem um mergulho na cultura japonesa. Fiquei com muita curiosidade.
Trouxe-o da biblioteca, mas numa edição diferente, e em vez dos 10 contos vinham apenas 3 - é por isso um livro muito mais pequeno, e aqui fica desvendada mais esta pequena batota para o desafio dos 40 livros, desta vez completamente sem querer.
Gostei muito dos contos, apesar do primeiro (que dá título ao livro) me ter deixado muito desconfortável (porque estava de viagem e levava comigo só dois filhos, a mais nova já tinha seguido mais cedo com os avós). E pronto, ler este conto sem ter os meus filhos todos comigo foi muito desconcertante.
Dos outros dois (Patriotismo e Onnagata) não vos sei dizer de qual gostei mais, estão escritos com uma beleza e simplicidade tão características da cultura japonesa, ao mesmo tempo que são desconcertantes também porque há tanto que não compreendemos.
Dei 4 estrelas e vou com certeza ler a edição com os outros contos todos. Recomendo.
Livro 36/40
Correios, de Charles Bukowski
Mais um livro do Tê que está cá em casa há anos, mas em que eu nunca peguei porque pensava (mesmo!) que o título se referia aos correios de droga - aquelas pessoas, na maioria mulheres, que passam droga das mais variadas formas de um lado para o outro. Até que o Tê me disse que não, que era apenas e só sobre um homem que trabalha nos Correios. Enfim, ideias que formamos, sabe-se lá porquê.
Nunca tinha lido nada deste autor, mas já percebi que é uma referência.
Bom, eu tinha dito que queria mudar um pouco o registo de ambientes deprimentes, e lá nisso fui bem sucedida: é um livro que consegue ser mesmo muito divertido (de rir à gargalhada, mesmo!). Mas também é javardo. E sexista. E em cada 10 palavras há 3 palavrões.
É um excelente relato da sociedade americana dos anos 60 (e só porque foi escrito em 1970 é que lhe perdoamos o machismo e a badalhoquice). Foi escrito com base na sua experiência de 10 anos ao serviço dos Correios e mostra uma realidade laboral que desconhecemos, apesar de sabermos que existia, e ainda existe com certeza, se não na América, noutros países seguramente.
Dei 3 estrelas e recomendo a quem não seja ultra sensível.
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
Esta capacidade de nos fazer viajar no tempo...
... que só a música tem.
Sem aviso prévio, no carro a caminho da escola da mais nova e Bam! aos primeiros acordes estou na nossa casa no norte de Rotterdam. Vivemos os três, vamos de bicicleta para o trabalho, vemos séries no nosso sofá ao fim do dia, comemos falafel e turks pizza e kapsalon e vivemos por cima de um centro comercial. Ninguém tem filhos, a minha mãe está viva, a vida é simples.
(não consegui mesmo conter as lágrimas)
.
domingo, 29 de setembro de 2019
Aquela altura do ano
Em que a cada mergulho nos perguntamos: terá sido o último?
Começo a achar que ontem foi mesmo.
Para o ano há mais...
sábado, 28 de setembro de 2019
Livro 35/40
Três Mulheres Poderosas, de Marie NDiaye
Acho que há livros que vêm ter connosco em determinadas alturas. Às vezes estão ali não sei quanto tempo, e um dia pegamos neles e tudo faz sentido, parece que estavamos à espera do momento certo para o ler.
Ora, com este talvez tenha acontecido precisamente o contrário. É um bom livro, com três boas histórias cheias de ingredientes que fazem excelentes livros (histórias diferentes, personagens interessantes, alguma fantasia, realidades que sabemos que existem mas são distantes, e por aí fora), no entanto, não se fez o click cá dentro.
Gostei da primeira história, a segunda só a queria acabar (muito bem escrita, atenção, com uma tensão latente em cada página muito bem construída) e a terceira deixou-me assim meia indiferente. Acho que não foi o momento para apreciar a profundidade deste livro. Confesso que as tantas estou um bocado farta de ambientes deprimentes, preciso de mudar um bocado o registo.
Dei 3 estrelas e recomendo, porque acredito que é um bom livro que veio ter comigo na altura errada. (livro da biblioteca, já agora)
sábado, 21 de setembro de 2019
Livro 34/40
Lê - se muito rapidamente, são histórias soltas, algumas hilariantes.
Dei 4 estrelas e recomendo vivamente.
First world problems
Altura do ano em que perdemos o bronze não combina com toalhas de banho brancas.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Livro 33/40
A Sarah Afonso foi uma artista pioneira da sua geração que trabalhou em diferentes suportes e se inspirava na cultura popular, mas que acabou por ficar para sempre associada ao seu casamento com Almada Negreiros (deixando mesmo a sua criação de lado por a achar inferior à do marido).
Numa altura em estava já em idade avançada a sua nora, achando piada às conversas que surgiam depois de almoço e as histórias que ela contava, começa a levar um pequeno gravador às escondidas, e faz o registo que depois é passado para livro.
O livro tem todo ele o tom de conversa, por vezes achamos que estamos mesmo ali à mesa a ouvi-la contar episódios engraçados, histórias verdadeiras, boatos, personalidades dos artistas do modernismo português. É um testemunho importantíssimo de um momento chave da nossa História, contado na primeira pessoa.
Já tinha lido muitas transcrições deste livro, que aparecem citadas aqui e ali, mas há ali muita informação nova que me vai ser útil nas minhas visitas.
Dei 4 estrelas e recomendo.
Cabeça em forma
Bom saber que ao fim de dois meses parada voltei a fazer visitas nos meus três palácios e sem me enganar.
Ele há coisas que é como andar de bicicleta.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Coração em Maputo
Desde domingo que em Maputo está uma família que adoro (prima querida, marido e dois filhos, um deles meu afilhado!).
Foi uma notícia difícil de digerir, e as saudades são muitas, mas por agora vamos-nos divertindo com as suas peripécias de contraste com um novo país e cultura: o primeiro dia com 11 horas de voo e duas crianças e sem máquina de café (nem café por perto), a procura por coisas básicas, o primeiro dia de escola dos miúdos.
Hoje deu uma reportagem sobre Moçambique, e mostrei aos miúdos.
Amaram. Perguntei se ficavam chateados se o pai e a mãe fossem sozinhos. Ficaram indignados!
Vamos lá apertar o cinto e fazer um mega mealheiro!
Moçambique, aí iremos nós!
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Uma série de primeiras vezes - mais um novo ano lectivo
Na 2ª feira houve portanto várias primeiras vezes:
- o mais velho entrou numa nova escola no 5º ano - uma escola maior, que vai do 5º ao 9º ano. Estava nervoso (apesar de dizer que não se sentia nada nervoso). Estava mal disposto quando saímos de casa. Pior ficou quando viu o trânsito que estava nas redondezas da escola nova (que é paredes meias com o maior colégio da linha, e por isso o caos de trânsito naquela zona é normal, coisa que eu desconhecia, claro está). Lá estacionei um bocado longe, o Tê tinha visto o trânsito e resolveu esperar de mota para poder ficar com as miúdas no carro e eu lá fui com o mais velho até à escola. Estavam uns 200 miúdos e respectivos pais à porta, tudo a passar o cartão e a maior confusão. Ele cada vez mais mal disposto, ainda mais porque já passava da hora de entrada. Às tantas os nervos foram de tal ordem que vomitou (muito discretamente) e lá se começou a sentir melhor. E foi para a escola, que isto no primeiro dia não se pode faltar.
- a do meio ficou na mesma escola, com a mesma turma e professores. Costumamos sempre tirar foto à porta da escola, mas com a confusão anterior já eu estava a ficar sem tempo, parei à porta e ela saiu, como num dia normal, por isso pela primeira vez não tirou foto antes de entrar (já tinha tirado foto em casa, menos mal)
- a mais nova perante todo este stress, resolveu chorar quando finalmente a deixei na escola - e foi a primeira vez.
- antes de ir para o trabalho achei por bem passar outra vez na escola do mais velho (mais uma primeira vez!), para ver se o via pelo portão e confirmar que estava melhor (escola nova, sem conhecer os adultos, e ele sem telemóvel que é coisa rara hoje em dia). Senti-me muito mãe galinha e exagerada, mas só queria ver se ele não estava a vomitar sozinho a um canto. Claro que havia vários pais, ainda mais galinha do eu (uma mãe queria ver a filha porque ela estava muito sozinha - não vou comentar isto porque eu também lá estava, mas enfim). A senhora da portaria deixou-me entrar e vi-o a passar a correr, num jogo de apanhada com amigos novos e antigos.Na maior, portanto.
- sabendo de antemão que a do meio seria negligenciada nesse dia, porque para ela não houve mudanças, deixei pela primeira vez um bilhete fofinho na lancheira. No geral sou contra os bilhetes fofinhos porque me lembro que ficava com muitas saudades da minha mãe, mas achei que ela merecia, e ainda merecia mais depois de ser despachada às três pancadas.
- também pela primeira vez resolvi ligar para a escolinha da mais nova para saber se já tinha passado o drama, e claro que tinha.
Depois disto, fui trabalhar (como se fosse a primeira vez!).
Que canseira, tanta novidade
Livro 32/40
A vida em surdina, David Lodge
Houve uma altura da minha vida, há quase 20 anos talvez, por aí, em que fui viciada no David Lodge.
Comecei no Pensamentos Secretos (que adorei!) e fui por aí fora (assim de repente lembro-me de Um Almoço Nunca é de Graça, A Troca, O Museu Britânico Ainda Vem Abaixo, Longe do Abrigo, Até Onde Se Pode Ir?) gostando de mais de uns que de outros, claro, mas ainda assim sempre boas experiências. Foram assim vários em catadupa num curto espaço de tempo e depois passou a febre.
Entretanto, quando estava na Holanda alguém me falou deste livro e eu na altura não tive vontade nenhuma de o ler. Ainda não tinha "desenjoado" da linguagem e ambiente (de faculdades de línguas quase sempre) deste autor.
Agora peguei neste, mais um emprestado pelo meu pai, que o aconselhou vivamente.
Confesso que já tinha saudades de tudo, da linguagem (às vezes com vários narradores, às vezes só com um mas nunca igual), do ambiente (quando não é universitário anda sempre lá perto - neste caso o narrador é um professor reformado) e principalmente do sentido de humor (que saudades!).
Não sendo aquele livro que apetece devorar, prende bastante, é interessante e fácil de ler apesar de haver uma certa tristeza/nostalgia que nos acompanha do início ao fim.
Dei 4 estrelas e recomendo.
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
A segunda vez
Muitas vezes é ao segundo dia de escola que as crianças choram - já acabou a novidade, já sabem ao que vão, por isso choram.
Ao segundo dia houve de facto um bocadinho de choro, sim, mas na hora de vir embora.
Sentada à mesa com os outros, quando lhe disse para virmos embora respondeu-me "não! Vai tu!"
Melhor-bebé-de-sempre (já tinha dito?)
terça-feira, 10 de setembro de 2019
A primeira vez
A primeira a "regressar" à escola foi a nossa baby 3.
Este ano vai para uma escolinha em regime part time. Brinca e tem atividades com meninos da sua idade de manhã, almoça e dorme a sesta em casa dos avós à tarde. Fica com o melhor dos dois mundos.
Na Holanda e noutros países é muito normal as crianças irem ao infantário em part time. O facto de terem com quem ficar não significa que não possam ter a experiência da escola, nem a escola tem de ser um depósito de crianças todo o dia quando não há necessidade. Investiguei e procurei nos infantários da zona e parecia que estava a perguntar uma coisa do outro mundo: ir só de manhã? Ir só três dias? Nada disso, só aceitavam as crianças em full time por causa do grupo, das rotinas, e coiso.
Afinal a solução estava na escola que me acolheu em 2014 quando decidi mudar de emprego (foi la que me entrevistaram para ir dar AEC para a escola pública da zona), que tem um grupo de brincadeira para crianças portuguesas e estrangeiras que pode ser só de manhã, só de tarde ou todo o dia, à medida da necessidade.
Um espaço acolhedor, um grupo de meninos pequeno, com uma equipa que já conheço e em quem confio plenamente, só podia correr bem.
Ela foi super entusiasmada, só me pediu colo para entrar, deixou-me vir embora 10 minutos depois e ficou na maior. Quando a fui buscar estava numa tenda com "as amigas", e não queria vir embora.
Eu sei que nós temos muita influência no estado de espírito deles - e eu não podia estar mais calma e confiante quando a deixei - mas não deixa de ser uma grande sorte esta filha tão querida que não dá problemas nenhuns.
Melhor bebé de sempre. Confere.
Aguardemos a sua reação amanhã, que já sabe ao que vai, mas estou muito positiva.
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Post das férias
Por razões diferentes acabamos por passar as duas primeiras por cá. Foi a primeira vez, penso eu, mas acho que conseguimos re-criar um bocadinho das férias com um e o outro lado da família.
Fomos às praias aqui perto, e jantámos sempre fora de casa (aliás nem sei quando foi a última vez que jantámos em casa). Esteve vento e pouco calor primeiro, depois o verão lá se decidiu a aparecer.
Não houve muitos fins de dia na praia, mas os que houve foram fantásticos.
Houve jantares em restaurantes, cinema a dois, almoços fora também, reuniões de família e festas de anos a que normalmente faltamos.
Cá em casa tomámos o pequeno almoço na varanda todos os dias, e houve panquecas, sumo de laranja e nutella saudável muitas vezes (tudo feito por eles).
À noite houve jogatanas com os primos, cartas, jogos de tabuleiro e outros que se aprendem nos campos de férias.
No geral esteve-se mesmo muito bem, mas a verdade é que sair de casa também é preciso, mesmo que sejam poucos dias.
Assim, na ultima semana das férias fomos novamente acampar os 5 para a costa vicentina, sendo que apanhámos a melhor semana de sempre - tempo quente, água quente e tranquila. Foram 5 dias que souberam a 15.
Agora é acertar agulhas e começar a preparar o ano lectivo que aí vem.
Venha ele!
Livro 31/40
A Humilhação, Philip Roth
Eu que nunca tinha lido nada deste autor, este ano já vou no 3º. Foram três experiências completamente diferentes.
Este livro deixou-me desconcertada. Depois da apatia do livro anterior (e se calhar por causa dela) este veio mexer aqui com os sentidos e por-me a pensar em coisas diferentes.
Tenho uma opinião completamente ambígua em relação ao livro.
Se me perguntam se gostei, respondo que não.
Não gostei desta história, mas não consegui parar de ler (e não é um policial em que queremos saber quem é o assassino).
Mesmo não tendo gostado achei o livro arrebatador, controverso e provocador.
Surpreendeu, e por isso dei 4 estrelas.
Livro 30/40

Debaixo de algum céu, de Nuno Camarneiro
Estava cá em casa há que tempos, pensava que era do Tê mas afinal era do meu pai emprestado ao Tê. Nenhum dos dois foi muito efusivo em relação ao livro, mas eu resolvi ler na mesma.
E partilho o pouco entusiasmo.
Lê-se muito bem, e muito rapidamente, está bem escrito e com personagens bem construídas.
No entanto é um livro que não me acrescenta nada.
E principalmente, está cheio de lugares-comuns: a viúva sozinha com o gato, o pai de família que dorme com a secretária, o padre pouco católico, o renegado da sociedade com uma história triste, o puto esquisito, a adolescente irritante, a mãe recente a dar em doida. E tudo escrito numa prosa poética cheia de imagens que sendo bonitas, lhes falta a genialidade que temos noutros autores portugueses.
Dei 3 estrelas porque em nenhum momento o livro me ocorreu abandona-lo, mas não o vou recordar de certeza.
Livro 29/40

Eva, de Arturo Pérez-Reverte
Primeiro livro deste autor, e primeiro contacto com a personagem Lorenzo Falcó (que aparece noutro livro primeiro, mas de que este não é uma continuação).
Lê-se muito bem, leitura perfeita para as férias, descontraída.
Lorenzo Falcó é, basicamente, o James Bond espanhol durante a Guerra Civil de Espanha.
Temos tudo o que precisamos para uma receita de sucesso: perseguições espetaculares, suspense, assassinatos, cenas de porrada, sexo com mulherões, maridos ciumentos, amizades com o inimigo, formas mais ou menos ortodoxas de cumprir missões.
Foram 3 estrelas porque nos agarra, mas é tão previsível que percebemos logo onde é que a coisa vai dar.
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Um post sobre cinema (para variar dos livros)

Ao fim de 6 anos (seis!) fomos outra vez ao cinema só os dois, ver o último do Tarantino Era uma vez em Hollywood.
Acho que já devo ter aqui referido que sou fã do Tarantino, e por isso a opinião nunca é totalmente imparcial.
Gostei muito do filme, apesar de achar que o ritmo às vezes é lento, e que é longo demais.
É genial como sempre, mas é um filme mais contido.
Papelão do Leonardo di Caprio, personagem tão interessante e profunda (adorei).
Gostei muito do Brad Pitt também, que continua giro nas horas, a envelhecer como o vinho do Porto (para quando um filme que apresente uma mulher da mesma forma, cada vez mais velha e mais gira?).
Recomendadíssimo.
Das férias (até agora)
Pequenos almoços na varanda.
Praias ao pé de casa.
Jantares quase sempre fora de casa.
Uma ida ao cinema os dois (que é tão rara que merece post à parte).
Muita leitura, alguns jogos de cartas, livros de passatempos e jogos de raquetes.
Manhãs passadas em casa sem pressa.
Livro 28/40
Que Importa a Fúria do Mar, de Ana Margarida de Carvalho
Vi que a Tella o leu agora nas férias, e também deu 5 estrelas, e descobri-o em casa do meu pai (que tem um caso sério de compulsão de compra de livros, e ainda bem que não se importa de os emprestar antes mesmo de os ler).
Lendo a crítica da Tella percebi logo que ia ser daqueles livros difíceis de começar, mas que era preciso insistir. No Goodreads há quem dê 5 estrelas e há muita gente que dá apenas 1 estrela, o que também espicaça a curiosidade.
É um livro magnífico, extremamente bem escrito, com duas histórias de vida paralelas, uma jornalista e um entrevistado. Tem imensas coisas de arrepiar tanto na vida de um como na do outro, e a escrita vai alternando entre os dois de uma forma que nos prende.
No entanto confesso que o facto de saber que tinha de insistir na leitura foi o que me motivou, porque ali os dois primeiros capítulos deixam-nos um bocado à deriva. Há também um vocabulário às vezes rocambolesco, e um uso quase exagerado de adjectivos.
Dito isto, está tão bem escrito que tenho a certeza que há ali pormenores de que não me vou esquecer.
É uma história muito bem construída.
Dei 4 estrelas, mas é um 4,5.
domingo, 25 de agosto de 2019
Livro 27/40
Escrito com base em três diários escritos pelo último aprendiz de Rembrandt, que o acompanhou mesmo no fim da sua vida e testemunhou a execução da sua última obra.
Dei 4 estrelas e recomendo.
domingo, 18 de agosto de 2019
Livro 26/40
A questão da identidade, do peso do nosso passado e da nossa herança, daquilo que somos afinal mal nascemos e ao qual não podemos fugir. A questão da guerra, e os efeitos que provoca em quem combate, em especial a guerra do Vietname com o choque que foi para aqueles combatentes regressar a casa. A questão racial de brancos e negros na América de ontem e de hoje também. A expectativa que os nossos pais depositam em nós, e até que ponto as nossas decisões são cruciais para a vida que os nossos filhos terão. O escândalo do Bill Clinton e da Mónica Lewinsky e o impacto que teve na comunicação social (até hoje eu consigo ouvir a voz dele no depoimento "I did not had sexual relations with that woman. Miss Lewinsky").
E podia continuar.
Este autor é duro e escreve as vezes de uma forma tão crua. Já tinha percebido isso com o Património, e confirmo.
domingo, 11 de agosto de 2019
Alegrias da maternidade
Demos início ao processo de desfralde.
Que a força e a paciência estejam comigo.
Se há fase que foi difícil para mim, é esta.
Os mais velhos foram ambos difíceis de desfraldar, por razões completamente diferentes, pelo que a experiência de um não serviu de nada para a outra. Fiquei traumatizada.
Agora sinto que vai ser mais fácil, só porque ela é o bebé mais fácil da História em tudo o resto, não me vai desiludir com isto (espero!).
Brincadeirinha, não espero coisa nenhuma e não tenho expectativas - isso sim, aprendi por experiência própria.
Expectativas zero, e tudo corre bem.
Na volta ela nem é um bebé assim tão fácil, eu é que já sou uma croma na gestão da expectativa.
Desejem-nos sorte de qualquer modo, vamos precisar.
Quem já tem saudades....
... de ver as redes sociais inundadas com fotografias de termómetros do carro acima dos 40 graus?
Eu juro que tenho.
Diz para a semana saímos dos 23 graus.
Vai ser a loucura!
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Livro 25/40
Que grande xaropada.
O bem, o mal, Deus e o diabo, e ainda vampiros à mistura. Nada apaixonante, como promete a capa.
Vale pela história de Barcelona desde a Idade Média à actualidade, que terá com certeza mais interesse para quem conhece bem a cidade, mas acaba por ser giro mesmo para quem não conhece.
Aquilo que deveria ser o contexto e descrição é o que vale a pena no livro, a trama principal não interessa para nada.
Não recomendo.
Dei 2 estrelas.
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
Mais um feedback
Desta vez as unhas de gelinho.
Ao fim de dois meses a usar (mudando a cor a cada duas semanas) comecei a notar que o verniz aguentava cada vez menos tempo.
Até que uma vez depois dela me tirar o verniz olhei para as minhas ricas unhas e percebi que estavam feitas num 8. Todas lascadas e fracas, e eu nem as reconhecia. Decidi deixar de fazer.
Andei semanas com as unhas horríveis até crescerem um bocado.
Voltei a fazer ao fim de um mês para ir ao casamento, mas decidi fazer só dessa vez. Claro que não ficaram tão mal como da outra vez, mas ainda assim estão enfraquecidas.
Como tudo na vida, uma vez de vez em quando não faz mal com certeza, mas não assim tantas de seguida.
Fica para as ocasiões especiais.
Fim de semana sem filhos
São o melhor do nosso mundo, oh se são.
Fazem-nos uma falta danada, e fazem mesmo. Quase morremos de saudades.
E no entanto, o bem que nos sabe (e o bem que nos faz!) um fim de semana sem filhos?
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Meu querido mês de Agosto
Tem sido um ano em que temos levado pancada, parece que nem podemos respirar de alívio que já um novo sufoco nos espera.
No entanto tem também sido um ano de esperança (muita) de que vai correr tudo bem, e em que sabemos mesmo aproveitar as oportunidades que surgem.
Quando decidi não trabalhar (ou quase) em Agosto imaginei um mês a viver devagar. Querem as circunstâncias que este mês seja pautado por consultas e idas ao hospital, e um acompanhamento diário ao meu pai (que não pode ficar muitas horas sozinho).
Agosto começou e hoje fui à praia com os três (e que bom que estava). Encontramos os primos, nadaram, brincaram, fizeram body board e jogaram as cartas. O meu pai meteu-se no carro e foi ao shopping sozinho, pela primeira vez em meses, e depois veio cá a casa (que também não vinha há meses). A mais nova dormiu uma sesta valente. Joguei as cartas e ao uno com os mais velhos. Fomos ao parque e desenhamos o chão com giz. Vimos um filme e comemos pipocas.
Não sei o que vai acontecer amanhã, mas o dia de hoje já não nos tiram.
Foi um dia com sabor a um mês inteiro.
Feliz Agosto, malta!
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Parabéns, mãe!
Uma coisa em que sou mesmo parecida com a minha mãe, e nunca tinha reparado: a relação com o dia dos anos.
Não adorando fazer anos, é para ser um dia especial e não ser tratado como outro dia qualquer - é para ir passear, almoçar fora, comer o que apetece num sitio bonito, com os mais chegados.
Grandes festas e jantaradas, e uma multidão a cantar os parabéns é muito giro, mas para os outros.
Parabéns querida mãe!
31 do 7 é sempre dia de festa (à nossa maneira).
terça-feira, 30 de julho de 2019
Livro 24/40
Uma pintura de Caravaggio que se sabe que existe mas de que se perdeu o paradeiro.
Com base num caso verídico, deambulamos num mundo que não deixa de ser o meu: historiadores, investigadores, bibliotecas e arquivos, documentos poeirentos em caves bafientas, picardias entre departamentos da mesma universidade, colóquios, conversas e artigos escritos em revistas da especialidade, restauros bem e mal sucedidos, pistas que não deram em nada e ainda mistérios por resolver. Pelo meio vamos reconstruindo a vida intensa e errática deste pintor tão genial.
Completamente a minha praia, dei 4 estrelas (só porque apenas dou 5 àqueles livros que não consigo parar de ler). Não faço ideia se tem assim tanto interesse a quem não seja de História da Arte.
Tive na minha vida oportunidade de ver duas grandes exposições de Caravaggio, que me marcaram profundamente.
Uma foi em Madrid em 1999, na minha primeira viagem com colegas de faculdade (e professores), em que aprendemos mais do que em meses de aulas. Era uma exposição retrospectiva, com as suas obras mais conhecidas (muitas delas recordei no livro), que muito me maravilhou. O meu orçamento não me permitiu comprar o catálogo na altura, com muita pena minha.
A outra foi em 2006 em Amsterdam, para celebrar os 400 anos do nascimento do Rembrandt fizeram a exposição Rembrandt Caravaggio, em que iam contrapondo quadros com o mesmo tema ora de um ora de outro artista. Vi esta exposição apenas uma vez (apesar de lá ter estado à espera de amigos outras vezes), mas lá está, estava ainda desempregada na altura, não tinha orçamento para ir as vezes que queria (a entrada era 25€ ) nem para comprar o catálogo. Mas fiquei maravilhada com a exposição, adorei tudo. Lembro-me que tinha um ambiente muito escuro e sombrio, só com os quadros iluminados. Também me lembro de sentir inveja de ver guias a fazer visitas a grupos (na altura tinha deixado de fazer visitas num museu importante para ir para a Holanda). Sou muito mais Rembrandt do que Caravaggio, mas são ambos mestres que muito admiro, e vê-los assim juntos foi muito emocionante.
Este livro fez-me voltar atrás, a esses momentos únicos em que estive em contacto directo com as obras de arte. Não há nada que o substitua. Mesmo.
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Sobrevivemos às férias
E sem percalços de maior, o que por si só é logo meio caminho andado.
No único fim de semana que tínhamos ido passar com amigos tivemos um mega susto a meio da viagem (que resultou em mais uma operação do meu pai, e and a outra que ainda falta fazer).
Portanto a meu ver ir de férias 4 dias e regressar sem episódios já é um sucesso.
A experiência de acampar a 5 correu muito bem. Temos algumas arestas a limar, mas no geral o saldo é positivo.
No fim não estava mortinha por voltar para casa, como achei que estivesse.
Fomos ao slide and splash (e eu diverti-me tanto quanto eles), fomos à praia, apanhamos chuva, jogamos as cartas e ao uno, fizemos desenhos. Confirmamos que a mais nova é provavelmente o bebé menos aquático do mundo, e que os mais velhos precisam de ajuda para se entenderem melhor (estavam num ponto em que não partilhavam nada e não faziam nada juntos). É uma coisa em que estamos a trabalhar.
Também confirmamos que estes dias só os 5 são essenciais para nós enquanto família.
Em Agosto há mais.
Agora, para mim, é tempo de me dedicar a eles e ao meu pai que neste momento precisa tanto como eles.
Que seja um verão suave e tranquilo para todos.
Feedback de cenas que experimentei:
1) desodorizante de pedra de alumen
Correu tudo muito bem até ao início de Maio. Um dia numa festa de anos dei por mim e não podia levantar os braços (sensação embaraçosamente familiar, infelizmente, mas há anos que não passava por isso). Decidi por em pausa e retomar o Keops, até ao próximo Outono.
2) copo menstrual
Recomendado por uma amiga que ficou a maior fã, vendeu a coisa como sendo a oitava maravilha, usa de dia e de noite sem gastar mais um tostão em pensos e tampões. A expectativa era alta. E quanto mais alto se sobe, maior é a desilusão. Não achei nada uma cena fantástica. É fácil de pôr mas não tão fácil de tirar, já tive acidentes e não me sinto muito confiante a usar fora de casa. Talvez de futuro me habitue mas por agora o feedback é só médio.
terça-feira, 23 de julho de 2019
Fim de semana au chateau
Assim começam as nossas (muito merecidas) férias: literalmente à grande e à francesa, num encontro familiar/casamento de três dias num castelo em Bordéus.
Foi tudo tão bom que parece um sonho. O sítio maravilhoso, as pessoas, o tempo fantástico que apanhámos, foi tudo perfeito (e tão divertido!).
As férias continuam agora, atipicamente, com uma primeira experiência de acampar a 5.
Vamos ver como corre.
Este ano aliás, todas as férias têm sido atípicas. Desde a época (nunca tiramos férias em Julho, mas sim em Junho e Agosto), à ausência de planos (tanto para esta semana como para as férias grandes em Agosto estamos sem nada marcado), à não ida ao Algarve (que a confirmar será a primeira vez em muitos anos).
Já tenho a app do Blogger instalada, pode ser que apareça alguma coisa por aqui...
Se não, até ao meu regresso!
Livro 23/40
O Estrangulador de Cater Street de Anne Perry
Assegura o entretenimento, mas não é grande coisa.
Falha enquanto livro policial, até porque eu desconfiei logo do assassino (só as razões me escaparam), mas é um bom livro de costumes - é um bom retrato da sociedade inglesa do século XIX: a moda, as rotinas, o papel da mulher, os diferentes estratos sociais.
Fica a faltar o suspense de um bom policial, mas lê-se bem.